A implantação do acesso rodoviário ao distrito de Porto Esperança, em Corumbá, depois de um século de isolamento quebrado apenas pelo restrito transporte fluvial (pelo Rio Paraguai), trouxe um alento e novas perspectivas de desenvolvimento à comunidade local. Porém, os impactos negativos têm superado as transformações econômicas e sociais vislumbradas pelos moradores com a chegada da infraestrutura.
Um dos dramas vividos hoje por aquela comunidade ribeirinha, que surgiu no início do século passado com a chegada dos trilhos da antiga Estrada Noroeste do Brasil às barrancas do Rio Paraguai, é o trânsito pesado de bitrens transportando minério da empresa LHG Mining (ex-Vale) para o Porto Gregório Curvo. São mais de 100 caminhões transitando diariamente pela estrada de 11 km aberta pelo Governo do Estado até o terminal.
Esta semana, as lideranças do distrito estiveram com o prefeito Gabriel Alves de Oliveira e expuseram a situação, que consideram insuportável. A presidente da Associação de Moradores da Comunidade Tradicional de Corixeiros de Porto Esperança, Ingrid Aparecida de Oliveira Barbosa, relatou que o volume de veículos trouxe preocupações relacionadas à segurança e qualidade de vida dos moradores.
Ela reclamou ao prefeito problemas como poeira excessiva, ruídos, riscos no tráfego e possíveis danos ambientais decorrentes da movimentação constante dos veículos de grande porte, que cruzam a comunidade em direção porto fluvial, alegando que a mineração não atende as reivindicações e cobranças da associação para reduzir os impactos. Ingrid Aparecida disse que os benefícios da estrada têm frustrado a comunidade.
Gabriel recebeu as lideranças de Porto Esperança e, de imediato, chamou a mineradora para discutir as demandasPromessas da mineradora
Ao receber as demandas, o prefeito corumbaense destacou a importância do diálogo com as comunidades tradicionais e reafirmou o compromisso da administração municipal em buscar soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com a preservação dos direitos dos moradores. Segundo Gabriel, a prefeitura vai articular, junto aos órgãos competentes e à empresa responsável, medidas que minimizem os impactos da atividade mineral na região.
A mineradora foi imediatamente notificada pela prefeitura a respeito das demandas apresentadas. No mesmo dia do encontro com as lideranças do distrito, realizado nesta terça-feira, 26, o prefeito se reuniu com a LHG Mining, que apresentou um relatório onde garante que está adotando medidas par mitigar os impactos negativos evidenciados. Umas delas, caminhões-pipas em operação contínua para reduzir a poeira.
O responsável pela operação portuária da mineradora, João Edevaldo, garantiu que o controle da poeira foi intensificado com o aumento de caminhões-pipas, serviço que pode ser reforçado para resolver a situação em definitiva. Também anunciou a construção de lombadas, instalação de sinalização para proibir ultrapassagens, a realização de reuniões periódicas com moradores e a implantação de um sistema fixo de irrigação com aspersores até o fim de fevereiro.
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