quinta, 04 de junho de 2026
AÇÃO INTEGRADA

ESCOLAS PANTANEIRAS GANHAM PROTEÇÃO E PROMOVEM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

12 NOV 2025 - 22h14Por Silvio de Andrade

Em uma iniciativa conjunta entre diferentes instituições e a comunidade, as escolas municipais rurais de Ensino Integral Polo São Lourenço e Extensões e do Paraguai-Mirim Extensões, no Pantanal de Corumbá, tiveram a instalação de cercamento no entorno do prédio. Os alunos participaram de atividades de educação ambiental que trataram sobre o conceito de coexistência entre humano e a fauna, principalmente onde há a presença da onça-pintada. 

Nas redondezas das duas escolas há registros do felino, trazendo preocupações à comunidade estudantil e a gestão as escolas. Durante o trabalho de fechamento da área de entorno das escolas, foram mais de 40 estudantes engajados com as atividades que aconteceram entre os dias 5 e 9 de novembro.

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) atuou com a presença de analistas ambientais, bem como com os brigadistas da Brigada Alto Pantanal e a iniciativa ocorreu dentro do projeto Semeando o Amanhã, que possui histórico de atividades sendo registrado desde fevereiro deste ano. 

Além do Instituto, estiveram presentes a prefeitura de Corumbá, com a secretaria municipal de Educação, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil Municipal, Ibama, Brigada Comunitária Ecoa e os pais dos alunos. 

Preocupação é real

As escolas rurais atendem em regime de internat e os estudantes que moram nas comunidades tradicionais e indígenas Barra do São Lourenço/Aterro do Binega, Amolar, Mangueiral, Chané, Paraguai-Mirim, situadas ao Norte de Corumbá.

Isabelle Bueno, gestora de projetos do IHP, explica que as crianças tiveram a oportunidade de ter contato com atividades extras e obter mais detalhes sobre como é possível coexistir em uma região tão rica em biodiversidade. Também viram ser realizado o cercamento das duas escolas.

“A gente sente uma energia muito boa e mostra o tanto que o trabalho de conservação vale a pena e faz sentido. Essa é uma medida para tentar trazer mais segurança às crianças, aos professores e dar mais tranquilidade aos pais. É real a preocupação que os pais têm com relação à presença de onça-pintada nos arredores de escolas. Esse trabalho está sendo desenvolvido com muitos braços”, disse. 

E completa: “Decidimos ir além do cercamento e falar sobre educação ambiental, coexistência. O intuito é oferecer informações da ciência e juntar isso com o conhecimento cotidiano das comunidades para mostrar que é possível coexistir. Também decidimos abordar muitos outros projetos que existem e podem ser aprimorados em parceria”.

Sobre o cercamento, a estrutura para segurar a tela na escola Polo São Lourenço e Extensões foi levada em duas viagens de barco de cerca de 15 minutos cada. As Brigadas Alto Pantanal e Comunitária Ecoa trabalharam juntas para realizar a obra no entorno da unidade de ensino. 


Ações lúdicas

Foram necessários dois dias para realizar a fundação e a instalação. Na escola Paraguai-Mirim Extensões, havia a estrutura montada e as equipes realizaram a instalação da cerca.
Tatiana Isabela Gomes é diretora da Escola das Águas na Prefeitura de Corumbá e participou das ações. 

“A logística é um desafio no Pantanal e ter o apoio ajuda muito para gente conseguir estar em locais muito remotos. Uma instituição apenas pode não conseguir fazer tantas coisas. Com parcerias, somos um corpo muito mais longo. E quem acaba tendo benefício são os estudantes, agregando ao conhecimento deles novas informações por meio de palestras e outras atividades. A gente faz questão também de mostrar que essa comunidade faz parte desse conjunto de trabalho.”

Wandir Navarro, técnico em educação ambiental da prefeitura de Corumbá, dentro da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, detalha que junto na viagem também foi o Joca, mascote da autarquia e que promoveu várias ações lúdicas com as mais de 40 crianças presentes nas duas escolas. 

“Viemos aqui para a comunidade com o Joca. Ele é um defensor da natureza. Ele, com vários braços, nessa parceria com diferentes instituições, consegue fazer muito mais. Aqui no Pantanal, tudo é muito grande e distante e faz a diferença fazer um trabalho em conjunto. Juntos conseguimos ser fortes.”

O subtenente Gilson Gonçalves, coordenador de brigadas da Defesa Civil Municipal, reforça que comunidade e instituições buscam implantar medidas que vão gerar a conservação do Pantanal. 

“O objetivo de todos é um só, que representa a conservação do Pantanal. A Defesa Civil quer vir na escola com essas outras instituições para repassar todo o trabalho que pode ser feito, orientações para professores e para alunos. E ainda com a ideia de fazer algo lúdico para gerar mais impacto nas crianças. As demandas do Pantanal são gigantescas e a prevenção vem em primeiro lugar.”

Atividades em escolas

O IHP, que faz a gestão de áreas protegidas próximas das escolas rurais, mantém parcerias para garantir diferentes serviços e apoios. Com a Escola Municipal Rural de Ensino Integral Polo São Lourenço e Extensões, o instituto mantém o funcionamento de internet de forma contínua com a instalação de uma starlink. A medida está implementada desde agosto do ano passado.

A instalação de sistema de captação de água com funcionamento de energia solar também teve a parceria com o IHP para funcionar nas escolas do Polo São Lourenço e do Paraguai-mirim. Outra medida envolve apoio da Brigada Alto Pantanal para realizar aceiros e limpezas, bem como orientação sobre manejo do lixo para queima.

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