terça, 01 de setembro de 2026
FRONTEIRA

Corumbá é rota de imigrantes recrutados para trabalho escravo

31 MAI 2026 - 18h13Por REDAÇÃO

Fronteira com a Bolívia, onde o crime organizado se expande com as facções brasileiras, Corumbá convive com apreensões diárias de narcóticos e agora aparece liderando um levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) como principal porta de entrada de imigrantes que entram no país e são submetidos a trabalho escravo em outras regiões, como São Paulo.

A Cidade Branca é responsável por 29,1% dos registros identificados entre 2003 e 2022, apontam dados do SmartLab Trabalho Escravo, plataforma desenvolvida pelo MPT e pela OIT Brasil (Organização Internacional do Trabalho) – realidade que persiste com aumento do fluxo de estrangeiros chegando à cidade. Na quinta posição no ranking nacional aparece Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, com 8,25%.

Relatório divulgado em abril pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) aponta que Corumbá é uma rota estratégica para essa migração, com circulação constante de estrangeiros do continente e de outros países, exigindo uma ação permanente do município com apoio, acolhimento e proteção. A prefeitura mantém em funcionamento uma casa do imigrante, sempre lotada.

Escravidão

De acordo com a Abin, Mato Grosso do Sul reúne diferentes funções nessas rotas, atuando ao mesmo tempo como ponto de passagem e de permanência de migrantes. Fatores como localização geográfica (16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e fluviais) do Brasil, a extensão das fronteiras e a política migratória ajudam a explicar esse cenário. O  país é usado tanto por brasileiros que tentam deixar o território, principalmente em direção aos Estados Unidos

A plataforma do MPT mostra que, no caso de Corumbá, o fluxo mais frequente envolve trabalhadores vindos da Bolívia com destino a São Paulo ou cidades do interior paulista. Já em Ponta Porã, a principal rota envolve paraguaios que atravessam a fronteira com Pedro Juan Caballero e seguem principalmente para cidades do interior sul-mato-grossense, com incidência relevante em Bela Vista.

Entre 2003 e 2022, Mato Grosso do Sul registrou 3.215 trabalhadores resgatados em situação de trabalho escravo. O município com maior número de resgates foi Brasilândia, com 1.011 casos no período. Em seguida aparecem Iguatemi, com 668 resgates, e Naviraí, com 413. Entre 2010 e 2024, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado com maior número de migrantes resgatados em condições análogas à escravidão.
 

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