Uma das maiores festas juninas do país, celebrada há mais de 100 anos na beira do Rio Paraguai, em Corumbá e Ladário, o Banho de São João ganhou uma página na Internet, onde o acesso gratuito leva o internauta a uma riqueza de informações, imagens e sobre a manifestação popular patrimônio cultural nacional, estadual e municipal.
A plataforma colaborativa sobre a fé, crença, magia e lendas que envolvem a celebração, que ocorre em junho, foi lançada pela prefeitura de Cultura de Corumbá, com o propósito de valorizar a memória e as tradições do patrimônio cultural da cidade, fortalecendo a participação direta da comunidade em sua preservação e difusão.
O novo ambiente digital (clique aqui) pode ser acessado em dispositivos móveis e computadores e permite que devotos, curiosos, famílias festeiras e pesquisadores escrevam histórias sobre o “banho”. Num clique em um mapa, o leitor saberá a localização das mais de 100 comunidades (a maioria terreiros de umbanda e candomblé) que mantém a tradição.
Um mergulho na fé
Também disponibiliza envio de postais digitais e pesquisas sobre a festa, registro de depoimentos (relatos de memórias e vivências), acesso a uma biblioteca de referências (textos, fotos e materiais de apoio) e consultas por meio de uma aba de programação, especialmente útil no período das celebrações.
Roda do cururu e siriri faz parte da celebração com o levantamento do mastro do santo, no Porto Gerall. Foto: Silvio de AndradeA página é um mergulho no modo de fazer, do emocionar durante o ritual, do agradecimento por uma graça alcançada, do sincretismo religioso, sobre o envolvimento familiar e, sobretudo, a manutenção do costume secular, que se perpetua de pai para filho.
Além dos vídeos sobre a celebração – o ponto alto da festa é a descida dos andores pela ladeira em direção ao rio, entre a noite do dia 23 e a madrugada de 24 de junho, para banhar a imagem de São João -, estão disponíveis relatos de histórias e lendas vivenciadas e depoimentos de festeiros e de pessoas que exaltam a fé e devoção ao santo.
Como contribuição importante para essa interação e compartilhamento, está liberado o acesso a versão digitalizada do livro “Deus te Salve, João Batista”, publicado em 2012 pela turismóloga e pesquisadora Hélènemarie Dias Fernandes.
Patrimônio vivo
A aba biblioteca conta com recursos multimídia e inclui dossiê do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que deu base ao processo de patrimonialização da festa, em 2019, além de documentos acadêmicos que contém análises antropológicas e os aspectos históricos da celebração.
Plataforma é um espaço para a comunidade expressar suas crenças e suas histórias ligadas ao santo. Foto: ReproduçãoCom a iniciativa inédita, onde sociedade, pesquisadores e gestores públicos podem interagir e partilhar informações, projetos e pesquisas, a Fundação de Cultura de Corumbá quer assegurar a salvaguarda da tradição, promover a reprodução e a sustentabilidade da festividade.
“Reafirma que o patrimônio é vivo, construído cotidianamente pela população e pela relação com o território pantaneiro”, afirma a diretora-presidente da fundação, Wanessa Pereira Rodrigues. Ela completa:
“A plataforma transforma memória em ação, reconhecendo o protagonismo das comunidades festeiras e abrindo caminhos para a educação patrimonial, a pesquisa e o turismo cultural. As informações podem ser atualizadas diretamente pelos festeiros em seus celulares e computadores, com acompanhamento técnico da fundação”.
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