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MURTINHO

Festival do Chamamé reaquece hotelaria pós-pesca

11 NOV 2022 - 07h46 Por Silvio de Andrade

Porto Murtinho realiza a primeira edição do Festival Internacional do Chamamé, com quatro dias de extensa programação - shows com artistas brasileiros, paraguaios e argentinos, seminário sobre a Rota Bioceânica e oficinas de artesanato, turismo e gastronomia. O evento nasce com a força da cultura miscigenada da fronteiriça, uma natureza exuberante a ser contemplada e uma cidade despertando para o desenvolvimento.

Em baixa temporada com o encerramento da temporada de pesca esportiva, o turismo é um dos segmentos que se beneficia do festival promovido pela prefeitura com o apoio do Governo do Estado e Fundação de Cultura de MS. A rede hoteleira com mais de 800 leitos, incluindo hotéis, pousadas e casas para temporada, está praticamente lotada para o período (11 a 14 de novembro). O comércio em geral também registra aumento nas vendas.

“Esse festival é uma coisa muito boa para Murtinho, não só pela música que a gente aprecia muito, mas movimenta o comércio, gera emprego e deixa a cidade mais alegre”, afirma o empresário Rafael Marassi Gomes, 75, dono da Pousada da Marlene, com 54 leitos reservados. “Nessa época do ano a nossa hotelaria fica praticamente sem cliente, fica tudo parado. Com o festival, a nossa economia vai girar, estamos entusiasmados”, completa.

Pousada do Pescador, ma beira do Rio Paraguai, tem uma das melhores estruturas para receber turistas

Cidade em movimento

Empresário e presidente do Conselho Municipal de Turismo, Marco Aurélio Nunes (Marcão) também está otimista com a realização do festival. Sua Pousada do Pescador comercializou os 65 leitos e grande parte dos funcionários vai trabalhar numa época que normalmente ocorre férias coletivas. “Sem a pesca o movimento cai 90%, de novembro a fevereiro, a gente recebe pessoas das fazendas e vendedores. O festival movimenta cidade, estamos apostando”, diz.

Marcão ressalva que Porto Murtinho precisa de eventos como o Festival do Chamamé para fomentar o turismo fora da época da pesca esportiva, que é um segmento já consolidado na região. “Todo evento é bem-vindo e a data do festival foi muito bem escolhida, esperamos que continue e faça parte do nosso calendário anual”, observa. “Vamos trabalhar num período que reservamos para manutenção e reforma da pousada, isso é muito bom.”

O festival vai agregar todos os setores do comércio local, em especial os pequenos empresários e os informais. Uma praça de alimentação vai funcionar dentro da Praça de Eventos José Barbosa de Souza Coelho, local dos shows, além do espaço externo para os feirantes. A dona do Restaurante Sabor Brasileiro, Maria Francineide Maia, vai oferecer carreteiro e sopa paraguaia. “Sem a pesca a cidade para, estamos animados com o festival”, frisa.

Cidade centenária, Porto Murtinho fica localizada no Pantanal, cercada por muita natureza e influenciada pela cultura fronteiriça

Um divisor de águas

O Festival Internacional do Chamamé abre nesta sexta-feira, às 20h30 com onze atrações regionais e internacionais no palco da praça de eventos, estrutura reformada pela prefeitura que comporta um público de cinco mil pessoas em área coberta (arena) e arquibancada. A programação começa com a apresentação do casal oficial de baile do festival, Enzo e Bianca, Alarcon, diretamente de Corrientes (Argentina), e se estenderá até às 3h30 de sábado.

O evento é um importante acontecimento não apenas para a cultura fronteiriça, que está impregnada na veia dos murtinhense, como afirma o prefeito Nelson Cintra. A cidade está em processo de desenvolvimento com a Rota Bioceânica (Brasil-Chile) e o festival tem o papel de fomentar o turismo e estimular o empresariado. “O chamamé impera nessa fronteira e Murtinho merece esse festival, pois tem história e uma cultura muito rica”, destaca o prefeito.

Na direção de produção do festival, Andrea Freire considera o evento um divisor de águas ao nascer com caráter transfronteiriço e apontando um caminho para a cidade no turismo histórico e cultural. “Temos esse Rio Paraguai, suas águas e sua poesia, uma cidade com esculturas que contam uma narrativa, a importância da Rota Bioceânica. O Festival é uma porta de entrada para essa cultura tão rica e genuína, está na alma da nossa gente”, pontua.

Serviço: O Festival Internacional do Chamamé, de 11 a 14 de novembro, é uma realização da prefeitura de Porto Murtinho, com apoio do Governo do Estado e Fundação de Cultura de MS e produção do Instituto Cultural Chamamé MS.

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