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IMPACTO

CRISE DE BIODIVERSIDADE GLOBAL REDUZ HABITAT DA ONÇA-PINTADA

16 OUT 2022 - 18h35 Por REDAÇÃO

Um dos mais completos relatórios globais sobre a biodiversidade mostra que espécies icônicas da biodiversidade brasileira estão ameaçadas. Entre 32 mil populações de 5.230 espécies de todo o planeta, analisadas pelo WWF na 14ª edição do Relatório Planeta Vivo (em inglês, Living Planet Report- LPR), 10% das populações e um quinto das espécies são brasileiras. 

Para o Pantanal, a redução de habitat da onça-pintada (Panthera onca) ilustra a crise apontada no relatório e levanta o alerta para a conservação das populações desta espécie. Entre os principais motivos está o crescente barramento dos rios da Bacia do Alto Paraguai, queimadas recorrentes que somente em 2020 atingiram 28% do bioma.

"No Pantanal, o maior felino das Américas vive nas áreas baixas e inundáveis. Mas estas estão cada vez menores por causa de secas, barramento dos rios e queimadas, o que afeta a dinâmica das inundações favorecendo a expansão das pastagens. Com isso, os animais têm menos espaço para caçar, ao mesmo tempo em que ficam mais expostos a conflitos com humanos”, explica Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil.

“Apesar de ainda não termos dados sólidos sobre as tendências das populações de onças no Pantanal – acrescenta -, a redução das áreas úmidas e as queimadas intensas que o bioma vem sofrendo são exemplos importantes de dois fatores que impactam diretamente o tamanho populacional de grandes predadores”.
Segundo o MapBiomas, a redução da superfície de água inundada por seis meses ou mais no Pantanal entre 1985 e 2021 foi de 82%.

 

Peixes migratórios

Ao lado das mais de mil espécies brasileiras que compõem o relatório, figuram populações do gorila da planície oriental, que tiveram um declínio estimado de 80% no Parque Nacional Kahuzi-Biega da República Democrática do Congo entre 1994 e 2019. No caso das populações do leão-marinho australiano, a queda foi de 64% entre 1977 e 2019.
 
“Estamos enfrentando uma dupla emergência global provocada pelas ações humanas: a das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, ameaçando o bem-estar das gerações atuais e futuras”, disse Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional. “O WWF está extremamente preocupado com esses novos dados que mostram uma queda devastadora nas populações de animais selvagens, em particular nas regiões tropicais que abrigam algumas das paisagens mais biodiversas do mundo.”
 
Segundo a nova edição Relatório Planeta Vivo populações monitoradas* de vertebrados - mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes - tiveram uma queda de 69% em média desde 1970. Entre 1970 e 2018, as populações monitoradas na região da América Latina e do Caribe encolheram 94% em média.

Superfície de água no Pantanal 1985-2021

É nas regiões tropicais que as populações de vertebrados monitorados estão despencando em um ritmo particularmente impressionante. No caso das populações de água doce, em menos de uma geração houve uma queda média de 83%, o maior declínio entre os grupos de espécies avaliadas. A perda de habitat e as barreiras às rotas de migração são responsáveis por cerca de metade das ameaças às espécies de peixes migratórios monitorados.

O relatório indica que os principais fatores do declínio das populações de vertebrados em todo o mundo são a degradação e perda de habitat, exploração, introdução de espécies invasoras, poluição, mudanças climáticas e doenças. Vários desses fatores desempenharam um papel na redução média de 66% das populações da África, bem como na queda de 55% das populações da Ásia e região do Pacífico.

Reverter o cenário atual

Argumenta que aumentar os esforços de conservação e restauração, produzir e consumir alimentos de forma mais sustentável e descarbonizar rápida e profundamente todos os setores podem mitigar a dupla crise global. Os autores pedem aos formuladores de políticas e ao setor privado que acelerem a transição econômica para que os recursos naturais sejam devidamente valorizados.
 
O Relatório Planeta Vivo deixa claro ainda que entregar um futuro positivo para a natureza não será possível sem reconhecer e respeitar os direitos, governança e liderança de conservação dos Povos Indígenas e comunidades locais em todo o mundo.


 
Em dezembro deste ano, líderes mundiais devem se reunir na 15ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (CBD COP15) - uma oportunidade única de mudar as curvas atuais de perda de espécies e emissões em prol das pessoas e do planeta. O WWF defende que os líderes se comprometam com um acordo “ao estilo de Paris” capaz de reverter essas curvas e garantir um mundo positivo para a natureza até 2030.
 
“Na Conferência de Biodiversidade (COP15) em dezembro, os líderes têm a oportunidade de redefinir nosso relacionamento com o mundo natural, e garantir um futuro mais saudável e sustentável para todos com um acordo de biodiversidade global ambicioso e positivo para a natureza”, disse Lambertini. “Diante de nossa crescente crise da natureza, é essencial que este acordo forneça ações imediatas na prática, inclusive por meio de uma transformação dos setores que impulsionam a degradação da natureza e apoio financeiro aos países em desenvolvimento.”
 
“O Relatório Planeta Vivo contém números chocantes diretamente relacionados às crises climáticas e de biodiversidade e, em resposta, devemos ver sistemas transformadores mudarem se quisermos deter e reverter a perda das espécies e garantir um futuro próspero para as pessoas e a natureza”, disse Lambertini. “Os líderes do governo devem avançar na COP15. O mundo está assistindo.”
 
Sobre o relatório

Produzido a cada dois anos pelo WWF desde 1998, o Relatório Planeta Vivo visa oferecer uma visão abrangente do estado da conservação da biodiversidade em todo o mundo. A edição deste ano inclui o maior conjunto de dados até agora, com uma forte contribuição de espécies brasileiras: no total, foram adicionadas 838 novas espécies (575 das quais são do Brasil) e pouco mais de 11.000 novas populações em relação ao relatório anterior, de 2020.

 

Agora são 3.269 populações para 1.002 espécies brasileiras contribuindo para o IPV. O relatório destaca a dura realidade do estado da natureza atualmente e alerta urgentemente os governos, empresas e o público para tomarem ações transformadoras para reverter a destruição da biodiversidade.
 
O total de quase 32 mil populações de 5.230 espécies mapeadas compõem o índice, calculado pela Sociedade Zoológica de Londres. Ele mostra um declínio médio de 69% entre 1970 e 2020 nas populações de vertebrados monitorados. 

A mudança percentual no índice reflete a mudança proporcional média no tamanho das populações animais monitoradas pelo menos em dois momentos ao longo de 48 anos - não o número de animais individuais perdidos nem o número de populações perdidas. As iterações sucessivas do LPI não são diretamente comparáveis, pois contêm diferentes conjuntos de espécies.
 
Segundo o Dr. Andrew Terry, Diretor de Conservação e Política da ZSL, “O Índice Planeta Vivo destaca como abalamos a própria fundação da vida e a situação continua a piorar. Metade da economia global e bilhões de pessoas dependem diretamente da natureza. Prevenir mais perdas de biodiversidade e restaurar ecossistemas vitais devem estar no topo das agendas globais para enfrentar as crescentes crises climáticas, ambientais e de saúde pública”.
 
O Relatório Planeta Vivo 2022 completo e as versões resumidas do relatório estão disponíveis neste link

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