quarta, 19 de setembro de 2018
RIO DE JANEIRO

‘Sol e Sonhos na Copacabana’ de 1900

29 DEZ 2017 - 13h29Por Redação

O Rio de Janeiro não é apenas um local rico de paisagens agradáveis aos olhos. Sua relevância para o Brasil se deve ao fato de ser nada mais, nada menos, do que a primeira cidade do mundo a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco! Ou seja, não é à toa que é chamada de Cidade Maravilhosa e que seja um dos maiores focos turísticos mundiais. As terras cariocas sempre foram importantes para a história brasileira, ainda mais antigamente, quando o Rio de Janeiro era a capital nacional.

O escritor mineiro Aliel Paione acaba de lançar a obra Sol e Sonhos em Copacabana, publicação da Editora Pandorga. Na trama, que se passa em 1900 e durante o governo de Campos Sales, Jean-Jacques Chermont Vernier, um jovem diplomata francês, se muda para o Brasil para trabalhar na Embaixada da França como consultor econômico.

Paione retrata a cidade maravilhosa de 1900, tempo dos cabarés e da política do café-com-leite, de forma a abordar diversos aspectos locais e de época. O autor traz um romance intrigante e repleto de detalhes que constituem a realidade da Belle Époque do início do século XX.

Depois de cerca de um ano morando no país, ele vê uma mulher lindíssima, Verônica, ao passar em frente ao cabaré de luxo Mère Louise, que realmente existiu na época e se localizava em Copacabana, no Rio de Janeiro. Sem conseguir tirar a imagem daquela morena de sua mente, resolve voltar ao local à noite para, enfim, poder conhecê-la e conversar com ela pessoalmente. Quando a vê descendo as escadas com Louise, administradora do cabaré, apaixona-se.

Reflexões

Jean-Jacques, num átimo, percebe estar diante da mulher mais linda entre todas que vira na vida. Jamais poderia imaginar criatura tão bela. Verônica era alta, um pouco maior que ele, e possuía a pele discretamente dourada; os cabelos eram negros, abundantes, e os olhos verde-claros, da cor de certos matos da Tijuca.

"Iludido e surpreendido com tanta beleza, estava diante de uma daquelas raríssimas tiranas de corações, pois Verônica seria capaz de levar um homem ao céu ou ao inferno com a mesma facilidade com que as folhas secas, caídas sobre o chão, são sopradas pelo vento".

Apesar de ser correspondido, Chermont sabe que Verônica é amante de um respeitável senador da república, José Fernandes Alves de Mendonça, que trabalha com o ministro da fazenda de Campos Sales, Joaquim Murtinho, nas negociações do Funding Loan. Tem-se, então, um triângulo amoroso de consequências e desdobramentos surpreendentes.

Em uma linguagem instigante e sensível que prende a atenção do leitor do início ao fim, Aliel Paione também induz os leitores a refletirem sobre questões políticas e históricas dos tempos da política do Café com Leite e do governo republicano de Campos Sales. O autor aborda e critica ainda a desilusão daqueles tempos criada por um capitalismo inescrupuloso e o cinismo debochado de políticos da época.

Sol e Sonhos em Copacabana fará com que os leitores se sintam fortemente presentes na narrativa e como se de fato estivessem vivendo a Copacabana de 1900.

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