A prefeitura de Corumbá oficializou a adesão do município ao programa MS Sem Racismo e instituiu o Plano Municipal de Metas Antirracistas, voltado à promoção da igualdade racial, ao enfrentamento do racismo institucional e à ampliação de políticas públicas direcionadas às populações negras, indígenas e outros grupos étnico-raciais historicamente discriminados.
A medida foi formalizada por meio do decreto nº 3.628 assinado pelo prefeito Gabriel Alves de Oliveira e publicado nesta quinta-feira, 21, no Diário Oficial do Município. Estabelece que Corumbá passa a integrar oficialmente o programa criado pelo Governo de Mato Grosso do Sul em 2025, alinhando as ações municipais às diretrizes estaduais de promoção da igualdade racial e combate à discriminação.
Pilares estratégicos
O Plano Municipal de Metas Antirracistas terá caráter orientativo e programático, funcionando como referência para a formulação de políticas públicas e ações intersetoriais. A implementação ocorrerá de forma gradual, observando a disponibilidade técnica, administrativa e orçamentária do município.
A coordenação do acompanhamento e da avaliação periódica das ações ficará sob responsabilidade da secretaria municipal de Assistência Social e Cidadania. O decreto prevê ainda a possibilidade de convênios e parcerias com governos, instituições públicas e privadas e organizações da sociedade civil para viabilizar as ações previstas no plano.
O documento estabelece quatro pilares estratégicos para a execução das metas municipais. O primeiro trata da governança antirracista e da institucionalização da política de igualdade racial. Entre as medidas previstas estão a criação de referência técnica municipal para o tema, adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e fortalecimento da base normativa relacionada às políticas antirracistas.
O segundo eixo é voltado à educação, formação e fortalecimento da rede de atendimento antirracista. O plano prevê capacitação contínua de profissionais das áreas de saúde, assistência social, segurança pública, educação e justiça, além da realização de campanhas educativas, produção de materiais orientadores e incentivo a práticas de educação para cidadania e igualdade racial em escolas e espaços comunitários.
Inclusão produtiva
O terceiro pilar aborda equidade, inclusão e garantia de direitos. Entre as ações previstas estão diagnósticos territoriais para identificação de demandas da população negra e quilombola, fortalecimento de conselhos e conferências municipais de igualdade racial e incentivo à inclusão produtiva com apoio a oficinas, feiras, qualificação profissional e parcerias com universidades, iniciativa privada e Sistema S.
Já o quarto eixo trata do monitoramento, avaliação e comunicação estratégica das políticas públicas de igualdade racial. O plano prevê produção de indicadores com recorte racial, elaboração de relatórios periódicos, criação de instrumentos de acompanhamento das ações e divulgação pública dos resultados por meio de campanhas, boletins e materiais institucionais.
O decreto também estabelece que a adesão ao programa estadual e a implementação do plano não geram obrigação financeira imediata ao município. Segundo o texto, a execução das metas dependerá da disponibilidade orçamentária e poderá contar com apoio técnico e financeiro do Governo do Estado.
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