domingo, 25 de outubro de 2026
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Reabilitados, tuiuiú e macacos retornam ao ambiente pantaneiro

21 MAR 2025 - 10h49 Por REDAÇÃO

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) realizou a transferência de oito macacos-prego (Sapajus cay) e um tuiuiú (Jabiru mycteria) para um recinto de ambientação na Fazenda Santa Sofia, localizada no Pantanal de Miranda. A iniciativa contou com o trabalho de uma equipe especializada de biólogos e veterinários do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS).

Os animais permanecerão no recinto até que estejam plenamente adaptados ao ambiente natural. A soltura branda, processo em que os indivíduos são gradualmente reintroduzidos na natureza, será realizada posteriormente, em um período de maior oferta de alimentos naturais, fora da época de seca, que ocorre entre abril e setembro.

O Hospital Ayty, unidade do Imasul voltada ao atendimento de animais silvestres, foi fundamental na reabilitação desses indivíduos. O hospital conta com infraestrutura avançada, incluindo farmácia, salas de controle, setor de esterilização, antissepsia, raio-X e centro cirúrgico completo, garantindo suporte integral para a recuperação de espécies resgatadas.

A iniciativa do Imasul reforça o compromisso do Estado com a preservação da fauna pantaneira, proporcionando aos animais resgatados uma segunda chance de retornar ao ambiente natural de forma segura e sustentável.

Tuiuiú: processo gradual

O tuiuiú foi resgatado pela equipe do Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap) na região de Miranda. O jovem indivíduo apresentava dificuldades para voar e foi encaminhado ao CRAS, onde passou por tratamento especializado até que suas penas estivessem completamente desenvolvidas, garantindo a capacidade de voo.

No novo ambiente, a ave-símbolo do Pantanal, rapidamente se adaptou, buscando alimento e interagindo com o habitat natural. O processo de reabilitação foi realizado de forma gradual para minimizar o estresse e garantir que o animal pudesse retomar seus comportamentos naturais sem desenvolver ansiedade.

"O acompanhamento foi essencial para garantir que o animal pudesse desenvolver plenamente suas habilidades de voo antes de ser transferido para o recinto de ambientação", explica a veterinária Jordana Toqueto, que acompanha o caso.

Macacos-prego

Os oito macacos-prego que foram levados ao recinto de ambientação possuem históricos diversos de resgate e apreensão. O primeiro deles, um macho jovem e apegado aos tratadores, chegou ao CRAS em 7 de março de 2023, proveniente do Centro de Atendimento Emergencial à Fauna Silvestre (CAE) de Corumbá, onde foi apreendido pelo IBAMA. Outro indivíduo jovem, também do CAE de Corumbá, ingressou no mesmo dia no centro.

Entre os outros indivíduos reabilitados está uma fêmea adulta capturada pela Polícia Militar Ambiental (PMA) em 18 de maio de 2023, um filhote deixado na portaria do CRAS em julho de 2023 e um macho alfa capturado em Mundo Novo em fevereiro de 2024, que demonstrava comportamentos territoriais específicos.

Houve também um indivíduo entregue voluntariamente em Campo Grande em maio de 2024, um filhote resgatado pela Polícia Rodoviária Federal de Terenos com quadro de sarna sarcóptica e uma fêmea jovem capturada em uma residência de Ponta Porã em junho de 2024, que inicialmente demonstrava comportamento arredio em relação ao bando.

"Cada macaco tem um histórico de resgate e um processo de reabilitação diferenciado, que respeita o tempo e as condições físicas e comportamentais de cada indivíduo", pontua a bióloga Fernanda Mayer, do Imasul.

Exames e preparação

Todos os animais passaram por exames clínicos detalhados, incluindo testes para doenças como Anaplasma sp., Babesia sp., Clostridium perfringens, Leptospira sp., entre outras. O resultado negativo para essas afecções, aliado aos exames físicos, atestou que os indivíduos estavam saudáveis e aptos para o deslocamento e reintrodução na natureza.

Os filhotes resgatados foram acompanhados de perto, recebendo alimentação especial, incluindo mamadeiras, até que pudessem fazer a transição para uma dieta sólida. Os indivíduos em tratamento também receberam os cuidados necessários até que estivessem plenamente reabilitados.

"O objetivo da reabilitação é preparar os animais para a vida na natureza, garantindo que tenham condições de sobreviver sem interferência humana", explica a bióloga Márcia Delmondes.

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