As queimadas no Brasil este ano foram o assunto da produção jornalística Caminhos da Reportagem em 21 de outubro, que foi ao ar na TV Brasil. O episódio inédito "Terra em cinzas: as queimadas de 2024" também fica disponível no YouTube da emissora pública e no app TV Brasil Play.
Produção jornalística semanal da TV Brasil, o Caminhos da Reportagem leva o telespectador para uma viagem pelo país e pelo mundo atrás de pautas especiais, com uma visão diferente, instigante e complexa de cada um dos assuntos escolhidos.
No ar há mais de uma década, o Caminhos da Reportagem é uma das atrações jornalísticas mais premiadas não só do canal, como também da televisão brasileira. Para contar grandes histórias, os profissionais investigam assuntos variados e revelam os aspectos mais relevantes de cada assunto.
Esta última edição foi realizada com o apoio do Governo do Mato Grosso do Sul, ICMBio/PrevFogo - IBAMA, Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap/MS), Zoológico de Brasília, Instituto Arara Azul e Instituto Caiman, que cederam imagens para a TV Brasil.
Pantanal tem sido um dos biomas mais atingidos pelo fogo, com 1.267% a mais de focosMão do homem
O programa revela que o Brasil registrou um dos piores recordes de queimadas do país. Em 2024, as temperaturas também alcançaram os maiores níveis e uma seca prolongada cooperou para que o fogo se alastrasse rapidamente. Um rastro de destruição chegou às cidades, em forma de incêndios, mas também de fumaça, fizeram o país estar entre os piores índices de poluição do ar ao longo de vários dias.
Desde 2010 não são registradas tantas queimadas como atualmente, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A mão do homem foi a grande responsável pela destruição vista este ano.
Até o início de outubro, 49,2% das queimadas do país ocorreram na Amazônia, um total de 381 mil km² devastados pelo fogo, o que equivale a uma área maior que o Japão. Para compensar todo o dióxido de carbono lançado na atmosfera nesse período, seria necessário plantar 1,26 bilhões de árvores, que levariam 20 anos para absorver todo esse carbono.
Desmatamento
Um dos maiores climatologistas do mundo, o cientista brasileiro Carlos Nobre, traz previsões trágicas se não conseguirmos reverter o quadro atual. "Nós já temos 18% da Amazônia desmatada e estamos muito próximos do ponto de não retorno. A estação seca da floresta já está de quatro a cinco semanas mais longa em 40 anos, uma semana por década. Mais duas ou três décadas, ela atinge seis meses e não se mantém mais a floresta", anuncia.
O Cerrado foi o segundo bioma com maior número de queimadas, com 32,3% dos focos de incêndio do país. Um dos grandes incêndios ocorreu no início de setembro, na capital do país. A Floresta Nacional (FLONA) de Brasília ardeu por cinco dias e teve 45,85% do território destruído.
Durante dias, a fumaça se espalhou pela cidade. "Foi um incêndio que ocorreu, na minha avaliação, de forma criminosa, intencional. Foram dois focos de incêndio, com três quilômetros de distância, e as frentes se encontraram, os animais foram jogados diretamente no fogo", explica Fábio Miranda, diretor da FLONA de Brasília.
Mulheres integram os grupos de brigadistas no combate aos incêndios na AmazôniaZerar o Pantanal?
O pesquisador Luiz Aragão, do INPE, afirma que no Cerrado o fogo ocorreu principalmente em grandes fazendas. "Quase 40% dos focos ocorreram em grandes propriedades rurais e 30% em áreas naturais. O que pode estar ocorrendo é um processo de desmatamento ou também de fogo que perde o controle e se alastra sobre áreas de proteção natural", analisa.
O bioma que teve o maior aumento percentual foi o Pantanal, com 1.267% mais focos de incêndio entre janeiro e começo de outubro, comparando o mesmo período em relação a 2023. O climatologista Carlos Nobre faz outra previsão trágica.
"Os estudos indicam que se o aquecimento global continuar, se continuar o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, a gente vai zerar o Pantanal entre 2070 e 2100". Carlos Nobre enfatiza que é preciso agir. "Para a gente salvar o planeta, não tem solução natural, nós teremos que fazer alguma coisa", sugere.
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