quarta, 02 de setembro de 2026
ARTIGO

"Seo" Lúdio e o "comunista" Fausto Matto Grosso

18 FEV 2026 - 12h08Por FAYEZ FEIZ JOSÉ RIZK

Um certo sábado do ano de 2.002, eu voltava de meu trabalho com favelas em João Pessoa e, na hora do almoço, no aeroporto de Brasília, encontrei o então senador Lúdio Coelho, acompanhado de dona Nilda.

Efusivamente nos cumprimentamos, afinal “seo” Lúdio foi meu primeiro patrão, era seu contínuo particular no Banco Financial e me chamava carinhosamente de “turquinho”. Aliás, foi meu eleitor e cabo eleitoral na minha única e derradeira (irreversível!) tentativa de me tornar vereador em Campo Grande.

Quando estávamos conversando chegou o também saudoso Fausto Matto Grosso Pereira, naquela ocasião ex-vereador. Também com Fausto tive uma ligação que transcendeu a política, já que nossos pais eram muito ligados, tornando esse notável homem público uma fonte de parceria em lutas democráticas e de defesa de nossa cidade.

Ficamos ali numa conversa amena e agradável por cerca de dez minutos, até que o Fausto pediu licença e se retirou para continuar a leitura de um livro.

Quando se afastou, “seo” Lúdio me disse: esse foi o melhor vereador da história de Campo Grande. Fiquei surpreso e disse: mas ele foi seu adversário e crítico ferrenho quando o senhor foi prefeito...

“Seo” Lúdio deu um sorriso e com a sua conhecida sabedoria disfarçada de “caipira” disse: “Pois é, ele foi o meu melhor adversário, jamais me atacou pessoalmente e suas críticas educadas e construtivas me ensinaram onde eu estava errando e devo muito a ele o sucesso da minha administração”.

Nesses tempos de polarização fica essa lição: adversários não são inimigos, as críticas devem ser embasadas no conhecimento e estudo da realidade – como o Fausto sempre fez – e não no “achismo” dos grupos de “zap-zap” das tias, ou na idolatria de mitos e ídolos, de qualquer espectro político, ou na mistura execrável de (falsa) religião e política partidária.

E pior, como disse Umberto Eco: “As redes sociais deram o direito de falar a legiões de imbecis que antes só falavam no bar, depois de um copo de vinho, sem prejudicar a coletividade.”

São os famosos idiotas da aldeia...

Campo Grande – e o Brasil - estão necessitando de uns Lúdios Coelho e Faustos Matto Grosso.

E como!!!

(*) Arquiteto, urbanista e músico

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