quarta, 02 de setembro de 2026
ARTIGO

Aos interessados por sustentabilidade real do Pantanal 

01 MAR 2026 - 19h37Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

Como tudo que se publica sobre o Pantanal, cedo ou tarde termina remetido para mim, sinto-me obrigado a tentar, inutilmente repetidas vezes, a pelo menos um vago contraponto e eventualmente dar vazão a alguma contribuição relevante.

Todos se apavoram com a decretação federal até dezembro de 2026 de "Situação de Emergência Ambiental Federal", conforme divulgado por todas midias:

"Em Mato Grosso do Sul, a emergência ambiental vai de abril a novembro de 2026 nas regiões Centro-Norte e Sudoeste. No período de março a novembro, será no Leste do Estado. No Pantanal, o estado de emergência ambiental vai de abril a dezembro de 2026”.  A portaria é assinada pela ministra Marina Silva.

Compartilho duas distintas, mas com o mesmo sentido, assumindo total responsabilidade por quem vestir a carapuça, ficar zangado e querer denunciar como patrulha censórea de plantão.

Ei-las:

A decretação de emergência, se não me engano, também coloca algumas ações fiscais e tributárias em suspenso, por tal, sempre deve ser feita com critério e, prudentemente, após ato motivador. A decretação preventiva, então, soa-me para atender interesses sutis, de fato, não públicos e confessáveis.

Ou então, mais apimentada:

"-Emergência talvez para pagar campanha, por não precisa licitar mais nada."

Ou o lançamento no MT do INPP - Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal -, reunindo oitenta entidades, mas não tiveram a sensatez de convidar pelo menos algum dos anciãos dos pantanais, ou mesmo seus representantes em associações de criadores, Federações ou sindicatos rurais. Temos certeza que a sustentabilidade do Pantanal melhorará muito na hora que a cultura empírica tradicional tiver uma ponte permanente com as academias e pesquisadores...

Compartilho algo que, obviamente expressam o senso comum:

"-Em tese, parece que tem muitos órgãos falando e gerando divisão de recursos. Para o Pantanal restaria então muito pouca ação."

Ia deixar só por meus comentários nas postagens na rede, mas eis que recebo contundente depoimento de helicóptero azul e avião preto e verde que, insistentemente, cruzam em voo rasante, indo e voltando, bem baixinho na rota entre o Norte do Paiaguás e o rumo da Herculanea Coxim.

Tomara que não tenham nada a ver com a Toyota Hilux branca, com 3 homens e uma senhora, que também estão percorrendo as fazendas privadas da mesma região, mas esses a Rádio Peão me reportou que tem uma amedrontadora sigla IFN - Inventário Florestal Nacional.

Mais um motivo de preocupação para o Pantanal, onde a propriedade privada e suas reservas legais protegidas pelo pastoreio de bois bombeiros, são responsáveis pela maior conservação de todo o Bioma Pantanal, o Bioma dos Biomas.

Que não venham com mais uma medida prepotente, dos que dissociam a conservação do Pantanal da beleza da simbiose da pecuária tradicional, onde bovinos, equinos e ovinos fazem parte há mais de quatrocentos anos da fauna e flora nativas deste bioma.

Os pantaneiros estão só de “ócro” sobre tudo que acontece no Pantanal e preparados para enfrentar as narrativas maliciosas dos que são responsáveis impunes pela incineração das APPs de suas áreas ditas "protegidas" e das fazendas tradicionais, que todos os pantaneiros que têm a infelicidade de os ter por perto como arrogantes vizinhos praticantes do "fire business".

(*) Pantaneiro do Porto São Pedro, Amolar, Corumbá (MS)

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