No intervalo das maldades contra o produtor rural do Pantanal, enquanto secam a macega nos campos de cria, o cerrado, as matas amolarianas e poconeanas e demais reservas à espera do próximo incêndio, eis que se apresenta nova oportunidade para a criação de outras narrativas que possam ferir mais um pouco a imagem da população pantaneira.
Existe um permanente plantão nas hostes ambientalistas para que não se percam oportunidades de propagar as besteiras engendradas pelas mentes desprovidas de qualquer compromisso com o bom senso e a verdade.
Papel aceita tudo, diz o popular ditado, e isso adaptado ao nosso tempo se comprova nas publicações que circulam na Internet a respeito do Pantanal. Não há mais nenhum compromisso com a realidade.
Em recente artigo publicado no site Campo Grande News, no dia 18/07/2023, percebe-se o descolamento definitivo daquilo que está dito em relação ao mais elementar conhecimento do universo pantaneiro.
Contando mais uma vez com a paciência dos possíveis leitores e desde já me desculpando pela necessária monotonia do texto, passo a contrapor às asneiras perpetradas.
-- Nenhum outro bioma brasileiro com séculos de antropização se apresenta com apenas 12% de substituição da cobertura vegetal e exibindo espetaculares beleza e conservação. O que não é explicado quando se fala em desmatamento ou, como teimam em dizer "devastação", é que desse percentual parte é de cerrado, parte de savana e grande parte de campos abertos, onde se faz simplesmente a substituição de pastagens inferiores por pastagens melhoradas, que alimentam a todos os herbívoros do Pantanal.
-- Aqui no MS temos uma legislação bastante restritiva, exaustivamente discutida e que vem sendo aplicada com sucesso. Abusos devem ser reprimidos, claro, mas não podemos nos pautar pelo que existe de errado no cumprimento das leis. De todas as propostas que tramitaram ou tramitam no Congresso Nacional apenas uma foi debatida com os pantaneiros e a Academia, entretanto esse projeto de lei foi arquivado.
Os projetos do ex-deputado Mollon e o chamado Estatuto do Pantanal, do senador Wellinton Fagundes, são duas excrescências, copias e colas da legislação da Mata Atlântica. Seria totalmente absurda suas aplicações ao bioma Pantanal. A população do Mato Grosso do Sul precisa saber que essas propostas são prejudiciais, pois só atendem aos propósitos dos ambientalistas radicais que trabalham pelos interesses de banqueiros do Brasil e do exterior.
-- Temos o dobro da área de planície existente no MT. São 4. 886.500 ha no Norte para 8.931.000 ha no Pantanal Sul. Dessa área existente no MS, temos 6.181.900ha no município de Corumbá. Daí porque figuram Estado e Município, proporcionalmente, com maior área de substituição da cobertura vegetal. Essa é a realidade, o resto é pura especulação e um desejo inexplicável de criar narrativas.
-- Quando maldosamente conduzem o leitor para um cenário de catástrofe, dizendo que a recuperação dessas áreas levaria décadas, estão usando de grande malícia, pois tudo o que o produtor não precisa é que as áreas implantadas a custo elevado voltem ao seu estado anterior. Isso é pura manipulação da informação.
Outra desinformação criminosa é dizer que as formações de pastagens "devastam" o Pantanal. Elas sempre são pontuais, conservam boa parte da vegetação e recebem cobertura de gramíneas que fazem excelente papel como alimentação para toda espécie de herbívoros e comprovadamente são fixadoras de carbono. Cumprem, assim, a função de neutralizar as emissões produzidas por todos os animais que as consomem.
Quando dizem, portanto, que em três anos foram "destruídos" 26.818 ha de vegetação nativa, e aqui volto a repetir, podem ser áreas de cerrado, savana e campo; a ideia que pretendem passar é que aquilo se tornou um deserto ou coisa pior, o que é uma deslavada mentira.
-- Quanto às empresas bilionárias, ligadas à indústria de papel e celulose, que certamente utilizam madeira, seja por processamento de espécies nativas, como a araucária, ou do plantio e corte do Eucalipto, "devastando" as mais belas paisagens brasileiras e que vem ao Pantanal falar em devastação, penso que o leitor saberá avaliar a sinceridade de seus argumentos.
-- Falar de incêndio é falar de pecado sem o pecador. Pecador é apenas o Pantaneiro. Mas esse é um pecado original que todos carregamos por termos nascido aqui. Engraçado é que aqui é o Paraiso. Somos, assim, os pecadores do Paraiso.
Acontece que os forasteiros aqui chegam munidos de "indulgência plenária", o que lhes garante a verdade como argumento apesar do escandaloso histórico de imensos fogaréus.
-- Morreram dezessete milhões de vertebrados. Não contaram os invertebrados? Para que ninguém questione enfileiram quinze instituições garantindo a contagem. Me poupem!
Sem nenhum pudor ensinam que as pastagens introduzidas em nada acrescentam economicamente à produção. Certamente, a Embrapa viu todo o seu corpo técnico enrubescer com tanta vergonha alheia.
Assim, na falta de um melhor articulista que se disponha a rebater essa enjoativa patota do dedo acusador, penso estar estabelecendo, no mínimo, o contraditório, para que não passem as falácias sem um alerta aos desavisados.
Como diria o ilustre pantaneiro Armando Lacerda:" O Pantanal não impõe, só expõe"!
(*) Pantaneiro
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