Quando da aprovação do Código Florestal, todas as ongs combateram duramente pela não aprovação.
Aprovado, aderiram e começaram a criar entraves para que as declarações fossem submetidas ao escrutínio dos órgãos estaduais.
Como pantaneiro logo percebi que deveria apressar a declaração do CAR e o fiz no primeiro prazo, dezembro de 2012.
Como não pretendo desmatar ou substituir pastagens nativas, excetuando minha reserva legal e sede, pedi cotas para toda a área...
O órgão estadual, Imasul, logo glosou minha declaração, diminuiu toda a área de savana e campos oferecida para cotas e só permitiu que os cerrados lenhosos fossem aceitos para emissão das cotas...
Aceitei, e consegui alugar várias destas expectativas de Cotas, e posteriormente Cotas de Reserva Legal para produtores do Planalto com déficit de reserva legal em Bioma Cerrado.
Não sem antes enfrentar uma celeuma criada por narrativas de ambientalistas e seus agentes financiados que firmaram o pé que Bioma Pantanal só poderia compensar Bioma Pantanal.
Havia um mapa de Biomas, provavelmente realizado por um estagiário fluente num corel draw dum 386 ou um possante 486 com uma área desenhada grosseiramente a mouse livre, como sendo o Bioma Pantanal...
Superado esse impasse conseguimos que o Pantanal, o Bioma dos Biomas pudesse compensar Bioma Cerrado.
Um poderoso lobby levantou-se então para incluir o Bioma Mata Atlântica no Bioma Pantanal.
Basta ver que onde tem interesses de grupos atuantes no Pantanal, suas rpnns, parques, Mata Atlantica e expectativa de futuros Corredores Ecológicos poder-se-á encontrar os mesmos operadores junto aos órgãos públicos.
Percorrendo a região das colonias tradicionais do Pantanal, em 2017, verificamos que os "colonianos" assentados nos anos 30, por Cândido Rondon, nas Matas da Foz do Taquari, vimos que todos os "colonianos", 100% deles exibiam, orgulhosamente os seus CARS...
Registramos que estas matas do Paiaguás sempre foram reconhecidas por antigas publicações especializadas, como verdadeiras inserções de Mata Atlântica!
Inversamente proporcional às facilidades que alguns "investidores" e suas áreas protegidas encontram para convalidarem suas Cotas de Compensação de Mata Atlântica, são as dificuldades de pantaneiros quando pedem Cotas de seus Cerrado Úmido não lenhoso, Cerrado semi lenhoso e Cerrado lenhoso.
Até uma Lei Municipal foi aprovada e sancionada em Corumbá para auxiliar estas áreas úmidas do Pantanal, mas interesses ocultos continuam impedindo qualquer avanço na análise dos CARs apresentados há muitos anos, embora os dados de 100% das áreas particulares da Planície pantaneira já estejam compartilhadas com as mais diversas Instituições particulares e governamentais.
Como originalmente previsto pelo Código Florestal, a Compensação de Débitos-Créditos seria feita entre os declarantes, delineia-se que esta sempre foi a maneira mais prática e efetiva, principalmente entre Biomas na mesma Bacia Hidrográfica para que as Compensações fossem realizadas entre os proprietários rurais do Brasil inteiro, desde que com CCIR do Incra Nacional.
Evidente que sempre seria ad-referendum dos órgãos estaduais que poderiam bloquear ou invalidar as transações quando justificadas legalmente, registre-se o verdadeiro fetiche de autoridades brasileiras por transações com Créditos de Carbono, onde qualquer escritório de adivinhação localizado sabe-se lá onde no Planeta Terra, recebe tapete vermelho para o acesso a esse hipotético mercado.
Nos nomes citados pelo Governador Paulo Hartung reconhecemos nomes ligados a instituições atuantes no Pantanal como fundadores e conselheiros.
Nos anos 90, numa desses paroxismos de narrativas na imprensa, a METAMAT Companhia Matogrossense de Mineração formalizou Convênio Técnico com o CNPQ e o CETEM Centro de Tecnologia Mineral da UFRJ, e através da imposição de capelas de recuperação, complementada com milhares de retortas distribuidas gratuitamente aos garimpeiros, zerou-se a possibilidade de contaminação do ar com Hg metilado por queima do amálgama Hg+Au.
Capelas recuperam 99, 99 % do Hg, e as retortas feitas com simples canos de ferro recuperam 99,98 do Hg, quando da queima do amálgama Hg+Au.
Desde aquela época, a utilização de soda cáustica para branqueamento de papéis, já era conhecido como o maior disseminador de metil Hg na atmosfera do Brasil e do Mundo inteiro, aí incluída a Amazônia e o Pantanal, afetando principalmente ribeirinhos e outros grupos que tenham no pescado a base de sua alimentação, contaminados via chuvas naturais.
Um indivíduo de qualquer comunidade que tem em peixes a principal fonte de alimentos ou proteínas, por mais afastadas que estejam das áreas de garimpo, lá certamente chegarão os efluentes das plantas que produzem os branqueadores de papel.
Vai daí que os grandes mecenas das ongs e do ambientalismo brasileiro, e de suas massificadas narrativas midiáticas concupiscentes estejam intrinsecamente ligados à florescente e portentosa Indústria Brasileira do Papel...
E assim, de narrativa em narrativa, o pobre Pantanal e sua cultura diferenciada, terá provavelmente que engulir a seco, o copia e cola que o Contarato fez do tal Estatuto da Mata Atlântica e que tentam impor goela abaixo com o nada criativo e desgastado nome de Estatuto do Pantanal.
Há no presente, uma enchente de grande proporção inundando o Pantanal, no entanto, continuam as narrativas de seca e diminuição de áreas úmidas, tentando manter aceso o fluxo do "fire money" e desavisadas doações com as denúncias fantasiosas contra a atividade Pecuária Tradicional do Pantanal.
Narrativa similar a esta imposta aos garimpeiros legalizados, que pagam pelo metil mercúrio disseminado a todo Brasil, pelas chaminés das mega plantas industriais de concentração de soda cáustica, situadas a beira mar, cuja água salgada é usada como matéria prima.
O Pantanal não impõe, só expõe o óbvio!
(*) Pantaneiro do Porto São Pedro, Amolar, Corumbá (MS)
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