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Artesanato indígena, habilidades na terra e com o barro

29 JUL 2017 - 10h11 Por Edmir Conceição/colaborador

A cultura também é arraigada pelos costumes indígenas. Com uma das maiores populações indígenas, Mato Grosso do Sul tem muitas produções de artesanato, algumas delas tombadas como patrimônios imateriais, como a Viola do Cocho em Corumbá, a cerâmica terena, o artesanato Kadiwéu e as bugras de Conceição.

O estado tem uma das maiores reservas indígenas. A etnia Terena, com 18 mil índios, é a maior em Mato Grosso do Sul, mas com ocupação fragmentada em diversas regiões. Além de habilidade na agricultura, os terenas são bons artesãos. As aldeias mais próximas dos centros urbanos abastecem as feiras com arroz, feijão, feijão de corda, maxixe, mandioca e milho, alimentos que formam a base de sua própria alimentação. Em Campo Grande eles ao lado do Mercadão Municipal.

A alternativa atual do artesanato Terena, como meio de subsistência, se dá, principalmente, através do barro, da palha, da tecelagem - atividades que representam um nítido resgate de sua arte ancestral indígena.

A cerâmica é trabalho predominantemente feminino. Neste particular algumas regras devem ser seguidas pelas mulheres. Em dia que se vai fazer cerâmica não se vai para a cozinha, pois acredita-se que o sal é inimigo do barro. Também não trabalham no barro quando estão menstruadas

Cabem aos homens, por tradição na maioria das nações indígenas, somente o trabalho de extrair o barro e processar a queima, tarefas que exigem maior vigor físico. As peças são modeladas manualmente com a técnica de roletes (cobrinhas).

Usam em seus trabalhos argilas de diversas cores dependendo da região: preta, branca e vermelha e amarela. Com algumas delas fazem engobes para serem usados na decoração das peças, visando a obtenção de cores contrastantes e realces pictográficos.

Os padrões dos grafismos usados pelos Terena são basicamente o estilo floral, pontilhados, tracejados, espiralados e ondulados. Eles produzem peças utilitárias e decorativas: vasos, bilhas, potes, jarros, animais da região pantaneira (cobras, sapos, jacarés que são chamados de bichinhos do pantanal), além de cachimbos, instrumentos musicais e variados adornos.

O acabamento das peças é feito com ferramentas rudimentares: seixos rolados, espátulas e ossos.

O barro (massa) é preparado misturando aditivos (por eles chamados de temperos), para regular a plasticidade: pó de cerâmica amassado e peneirado, conchas trituradas e cinzas de vegetais. Numa fase anterior são retirados da argila resíduos como restos de vegetais e pedras.

As queimas são feitas em fogueiras a céu aberto ou em rudimentares fornos, usando lenha como combustão. Os indígenas verificam o estado do ciclo da queima tilintando com um pedaço de taquara nas peças. Através do som obtido constatam o estágio da cozedura.

(*) Peças produzidas pelos Terena podem ser encontradas em Miranda, Aquidauana, Corumbá, Bonito, na Casa do Artesão de Campo Grande, além do Memorial Indígena na Aldeia Urbana Marçal, bairro Tiradentes.

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