Um vídeo gravado na região de Porto Jofre, em Poconé, Mato Grosso, denuncia a face mais cruel do turismo de observação no Pantanal, conforme reportagem publicada no site da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais.
A reportagem segue: “as imagens registram dezenas de embarcações motorizadas cercando uma única onça-pintada às margens do rio, enquanto uma multidão de visitantes disputa espaço para fotografá-la.
O momento ilustra o colapso ético dessa atividade, que substitui o respeito aos animais por uma perseguição sistemática em busca de entretenimento.
Porto Jofre abriga uma das maiores populações de onças-pintadas das Américas. Essa concentração da espécie tornou-se alvo de uma exploração comercial intensa, promovida internacionalmente como um santuário, mas o crescimento da atividade não foi acompanhado por limites capazes de proteger os animais do assédio constante.
Invasão de território
Quando a aparição de um animal livre atrai uma frota barulhenta de embarcações, sua integridade física e psicológica deixa de ser prioridade. A onça, que necessita de silêncio e isolamento para expressar seu comportamento natural, acaba reduzida a um simples cenário para fotografias.
Mais do que o retorno financeiro gerado para as comunidades da região, o debate envolve o direito à existência pacífica dos animais não humanos.
Se o turismo de observação no Pantanal continuar priorizando a ganância e a pressa dos visitantes em detrimento do bem-estar animal, a atividade destruirá justamente aquilo que afirma valorizar.
A contemplação da vida exige respeito, silêncio, distância e a humildade em reconhecer que o nosso lazer não justifica a invasão do território alheio.”
Maus tratos
Para o pantaneiro Armando Lacerda, ouvido por LUGARES, os envolvidos nesse safári deveriam ser recolhidos e autuados na forma da lei por maus tratos e vilipêndio com fins comerciais sobre animais silvestres.
"Será que alguém acha que isto demonstra respeito pela fauna do Pantanal? Será que vale a pena observar uma onça estática, que aparenta estar empalhada, na esperança de ganhar alguma coisa, como uma prostituta na vitrine de Amsterdam?", reage.
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