sexta, 21 de junho de 2024
FALTA CAMPANHA

Cai, cai, balão! Entenda os perigos de soltar balões juninos

10 JUN 2024 - 11h35Por REDAÇÃO

Justamente na época mais seca do ano, quando qualquer fagulha pode causar incêndios e acidentes aéreos, a prática ilegal de soltar balões se intensifica pela proximidade das festas juninas. Mas, é essencial lembrar que se trata de um crime ambiental que pode resultar em cadeia: para quem fabrica, solta ou corre atrás dos balões.

Para combater a prática – que é crime ambiental – e conscientizar a população sobre os graves riscos de acidentes, os órgãos governamentais de segurança e meio ambiente, as ongs e empresas tem uma boa oportunidade de promover campanhas, o que não ocorre em Mato Grosso do Sul, onde os riscos de incêndios é iminente no período crítico.

O combate visa a impedir a fabricação, o armazenamento e o transporte dos balões, além de monitorar qualquer atividade suspeita relacionada ao risco provocado por artefatos. E denúncias feitas pela população às autoridades desempenham um papel fundamental. É importante conscientizar o público de que a soltura de balões é um crime que coloca em risco vidas humanas, animais e compromete a biodiversidade.

Os balões juninos são confeccionados com papel, tecido ou plástico, e são enchidos com ar quente, geralmente por meio de uma fogueira ou tocha. Ao serem soltos, eles ganham altura e podem ser levados pelo vento por longas distâncias. Essa prática representa um perigo iminente, pois esses balões podem cair em áreas florestais, zonas urbanas ou até mesmo em áreas com infraestrutura aeroportuária.

Ferimentos

Segundo levantamentos, cerca de 100 mil balões são soltos por ano no Brasil. Apesar dos alertas sobre riscos, a cada ano cerca de 500 a 600 pessoas são internadas com ferimentos por fogos, o que mostra que o país tem resistido à cultura da prevenção. As consequências para os acidentados, além da pressão sobre os serviços de saúde e previdenciários, são drásticas. Sem o cuidado devido, a brincadeira pode resultar em problemas graves, como queimaduras, amputações e até cegueira.


O Corpo de Bombeiros e as autoridades aeroportuárias, destre outros, alertam que o risco provocado por um balão é que nunca se sabe onde ele vai cair. Pode ocorrer, na maioria as vezes, em locais que podem iniciar pequenos focos de incêndio e se transformar em um incêndio incontrolável.

Os baloeiros estão cada vez mais ousados na hora de confeccionar os artefatos. Em alguns balões de maior porte, há registros de uso de botijões de gás com fogareiros e até mesmo fogos de artifício. Mas, de maneira geral, os mais recorrentes são os balões fabricados com materiais leves e altamente inflamáveis.

Quais os riscos?

Os balões são muito perigosos porque, além do risco de incêndios, podem carregar cangalhas de fogos de artifícios na base e provocar explosões perto de residências, florestas, empresas e veículos. Quando o balão sobe, ele é carregado por correntes de ar e levado para locais imprevisíveis, colocando em risco o tráfego aéreo e milhares de passageiros que voam pelo estado todos os dias. Os balões também ameaçam o meio ambiente e destroem a fauna e a flora quando caem nas matas.

Quem é flagrado soltando balão pode responder ao artigo 261 do Código Penal Brasileiro, que trata da exposição de perigo a embarcações ou aeronaves próprias ou de terceiros, bem como de qualquer ato que dificulte ou impeça a navegação marítima, fluvial ou aérea. Nesse caso, a pena de reclusão varia de dois a cinco anos. Fabricar, vender, transportar e soltar balões também é crime. A pena é de prisão de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas, cumulativamente. Vale ressaltar que crimes ambientais são inafiançáveis.

Em suma, para combater esse crime, é necessário um trabalho conjunto entre órgãos públicos, instituições educacionais, sociedade civil e mídia. A divulgação dos riscos e das consequências associadas ao crime de soltar balões deve ser constante e abrangente, alcançando todas as camadas da sociedade. A conscientização da população não se resume apenas aos infratores em potencial, mas também àqueles que podem testemunhar e denunciar a prática criminosa, contribuindo para a identificação e ação das autoridades.

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