quarta, 01 de abril de 2020
CULTURA

Aquidauana abraça o Museu de Arte Pantaneira

08 JUN 2017 - 15h08Por Sílvio Andrade

A cidade de Aquidauana se mobiliza para recuperar o Museu de Arte Pantaneira “Manoel Antônio Paes de Barros”, cujo prédio, construído em 1918, encontra-se fechado desde 2012 em condições precárias. A prefeitura local lançou a campanha solidária “Amigos do Museu” para arrecadar material de construção, com a finalidade de concluir a reforma inacabada e reabrir ao público um dos mais ricos acervos histórico e artístico do Estado, e a adesão mostra o comprometimento da população com a cultura local.

A iniciativa partiu da Fundação de Cultura e Turismo (Fundact) e ganhou o apoio da comunidade e do empresariado. O lançamento da campanha lotou a Câmara Municipal, simbolizando o abraço de toda a sociedade local ao projeto, que também busca consolidar parcerias para a destinação de mão de obra e assessoria técnica gratuitas, num momento de dificuldades financeiras do município por conta dos cortes de verbas do Estado e União.

“A campanha nasceu devido ao clamor da sociedade aquidauanense pela reativação do museu”, segundo o prefeito Odilon Ribeiro. “Não tenho dúvidas que todos vão aderir à ideia, pois trata-se de um resgate patrimonial. O município não tem recursos e precisa do apoio para revitalizar o nosso museu, pela sua importância para a cidade e pelo seu rico acervo, que conta um pouco de nossa história e do homem pantaneiro”, pontuou. 

Além da adesão do fundador do museu, professor Francisco Trindade Leite, hoje reitor de uma universidade nos Estados Unidos, a campanha ganhou força com a doação do projeto arquitetônico de autoria da arquiteta aquidauanense Beatriz Garcia, que hoje atua em Brasília e contou com o apoio do colega Roberto Brito e técnicos da Fundact na sua elaboração. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Exército também garantiram apoio.

Sinais de abandono

O cenário de abandono é triste dentro e fora do Museu de Arte Pantaneira, lugar que, no auge de seu funcionamento, realizou inúmeras atividades culturais e recebendo mais de 40 mil visitantes de várias regiões do Brasil e do exterior, conforme o livro de registro.  A umidade nas paredes e foro e a presença de cupins deterioraram o prédio construído pelo italiano Nicola Cicalise para ser moradia de Manoel Antônio Paes de Barros, um dos fundadores da cidade.

Todo o seu acervo foi guardado, incluindo documentos e peças de artes, contudo a falta de manutenção do casarão colocava em risco de extinção uma parte da história de ocupação da própria região, mesmo sendo um prédio de propriedade do município desde 1949 e tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico de Aquidauana. Em 1999, o espaço foi ocupado pelo Museu Manoel Antônio Paes de Barros, criado por lei municipal.

“Várias pessoas sugeriram uma campanha para reabrirmos o museu”, explicou o diretor-presidente da Fundact, Humberto Torres. “Cada um ajudando com um pouco já é uma doação e tanto.  Temos vivido o dia a dia desse projeto e do desejo de vermos o museu reaberto, a banda municipal voltando aos ensaios com as crianças e adolescentes, e a cidade se orgulhando do seu espaço cultura e turístico reativado e bem cuidado”, completou.

A proposta de reabertura do museu inclui organização e catalogação do seu acervo; reativação das salas de música, oficinas culturais, artesanato e danças; e espaço para aulas gratuitas de reforço escola para crianças e adolescentes que integram a Banda Municipal.

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