segunda, 25 de outubro de 2021
EFEITO SECA

REGIME DE ÁGUAS DO PANTANAL É AFETADO POR OUTROS BIOMAS

12 OUT 2021 - 12h32Por SÍLVIO DE ANDRADE/REDAÇÃO

A redução das águas no Pantanal é afetada pelo que acontece em outros biomas mato-grossenses, como na Amazônia (pela redução das correntes de água) e no Cerrado (pelo mau uso do solo), aponta Ernandes Sobreira, biólogo, professor e pesquisador da Universidade de Mato Grosso (Unemat) em reportagem publicada no site Gazeta Digital, de Cuiabá.

Chuvas escassas aliadas às altas temperaturas mantêm o cenário dramático ao longo da rodovia Transpantaneira, entre a cidade de Poconé e Porto Jofre, às margens do rio São Lourenço, já na divisa com Mato Grosso do Sul, onde o cenário é semelhante.

Enquanto as chuvas não chegam com regularidade e intensidade, a maior planície alagável do Planeta agoniza. Os corixos secos que cortam as 120 pontes ao longo da via não pavimentada são retrato cruel da escassez da água que mata um dos biomas mais ricos em diversidade.

Rio Paraguai em baixa

Do outro lado do bioma, já na planície, em Corumbá, o efeito da prolongada estiagem também deixa um ambiente desértico na Estrada Parque, polo de ecoturismo e acesso ao coração da sub-região da Nhecolândia. As poucas lagoas são disputadas por jacarés e aves em busca de água e alimento escassos.

Efeito seca: fogo na Estrada-Parque, polo de ecoturismo de Corumbá, expulsa a fauna e o turista. Foto: Sílvio de Andrade

 

A régua pluviométrica de Ladário (instalada na Marinha), uma referência para os estudos e parâmetros das condições hidrológicas do Pantanal, revela o caos: o nível negativo do Rio Paraguai é um dos menores em 110 anos de medição, inferior ao mais longo ciclo de seca (1966-1973).

Projeções do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mostram que o nível do rio deve baixar ainda mais. No porto-geral de Corumbá, o aumento da prainha concentra centenas de pessoas em dias de calor. As pessoas já caminham até o meio do rio, cujo canal principal fica no lao extremo (margem esquerda).

O biólogo assegura que o mau uso do solo, principalmente nas cabeceiras do Pantanal, é uma crueldade com as partes mais baixas. As plantas são removidas e as águas secam, deixando de fluir para a parte mais baixa da bacia. Isso faz também com que os poços sequem, afetando fortemente a população pantaneira.

O pescador Oscar de Moraes, 60, cresceu às margens do rio São Lourenço, de onde tira o sustento com a pesca. Mas este não é o mesmo rio que conheceu ainda menino. Nascido em Poconé, considera-se um pantaneiro nato que sofre com a situação dramática enfrentada pela seca severa. Admite que a esperança está no ciclo das águas, que prevê um período intenso de chuvas daqui a dois anos, mudando o cenário de devastação que se tem hoje.

Pantaneiros recorrem aos açudes para salvar o gado e os animais silvestres: água escassa

 

Mudanças drásticas

Com os corixos secos, aves, répteis e outros animais disputam cada gota de água lamacenta. Pelo menos 36 mil litros de água foram lançados no último final de semana por voluntários da ONG É o Bicho Mato Grosso, que volta para a região levando mais água e alimentos neste final de semana prolongado pelo feriado.

Para o biólogo Ernandes Sobreira, o Pantanal continua sendo exuberante, com uma paisagem modificada. “Mas o que a gente tem que ter em mente é que essa dinâmica das águas de cheias e secas ocorrem todos os anos. Só que nos últimos anos, as secas, os estios têm sido maiores, afetando com mais força as comunidades vegetais, animais e os seres humanos”.

Assegura que vários cientistas do Brasil têm estudado a dinâmica das águas do Pantanal. Existem comissões que avaliam essa seca severa recorrente nos últimos anos e as universidades estão empenhadas em identificar o efeito em plantas, animais
e seres humanos. Lembra que várias comunidades mais afastadas dos centros urbanos têm sido bastante afetadas pela falta d’água, e novas tecnologias têm sido empregadas, como por exemplo, o uso de cisternas e pequenos açudes, para a coleta de água de chuva, que servem também para a dessedentação animal.

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