terça, 20 de abril de 2021
BONITO

VISITAÇÃO NA GRUTA DO LAGO AZUL COM CONTROLE RIGOROSO

23 MAR 2021 - 08h04Por SÍLVIO DE ANDRADE

Fechada há um ano, por conta da pandemia do coronavírus e embaraços judiciais quanto à legalidade de sua exploração comercial pelo município, a Gruta do Lago Azul, em Bonito, está aberta à visitação pública. Ainda que seja em número restrito de pessoas – apenas 25% da sua capacidade, ou 72 visitantes por dia -, para evitar aglomeração, a reabertura do principal atrativo do destino tem alta procura e vai aquece a cadeia do turismo.

Considerado o cartão-postal da cidade, a cavidade atrai brasileiros e estrangeiros em busca de seus mistérios milenares e a cor turquesa do seu lago. A incidência solar refletida da entrada circular de 40 metros de diâmetro, com mais intensidade nos meses de setembro a fevereiro, revela a transparência e a coloração de um azul intenso de suas águas – motivo do nome da gruta. Antes da pandemia, mais de 70 mil pessoas visitaram o lugar encantado, anualmente.

Receptivo: turistas passam por aferição de temperatura e descontaminação, obedecendo protocolos de biossegurança

O atrativo está localizado a 21 km de Bonito, com acesso pela MS-382, agora asfaltada. O passeio por dentro de uma das maiores cavidades do planeta, em caminho lapidado em rocha e formações geológicas (espeleotemas), tem acompanhamento de guia e dura cerca de 45 minutos. É proibido mergulhos no lago, que teria mais de 80 metros de profundidade. A descida em total segurança é feita em uma escadaria íngreme de 300 degraus.

Pesquisadores descobriram no fundo do lago inúmeros fósseis de animais extintos, como a preguiça gigante, tigre dente-de-sabre, mastodontes e outras espécies. Paleontólogos ainda buscam respostas na gruta. Existe também um projeto paralelo, que estuda um crustáceo pré-histórico que vive em suas águas, tão antigo quanto os próprios dinossauros: trata-se de um camarão de água doce denominado Potiicoara Brasiliensis, catalogado em 2002.

Turista ao lado das formações rochosas: pausa para fotos e descanso em um passeio que dura 45 minutos

Procura: reserve seu ingresso

A visitação é limitada a oito grupos por dia, com nove pessoas cada – das 7h à 14h -, quando, em épocas normais, o acesso era feito por até 305 visitantes diariamente. O acesso a gruta é feito após um rigoroso processo de descontaminação, obedecendo aos protocolos de biossegurança. Os turistas passam por aferição de temperatura e higiene das mãos com álcool em gel, acessível em todos os ambientes do receptivo e nos lavabos.

As restrições devem causar uma corrida por ingressos (voucher), adquiridos exclusivamente nas agências de turismo. Se realmente quiser incluir essa atividade na sua programação, reserve o quanto antes. Nos primeiros dias após a reabertura, as vagas se preencheram rapidamente, atraindo, em sua maioria, jovens. Mas o acesso é permitido aos idosos desde que não tenham a mobilidade muito reduzida, exceto a gestantes e crianças até cinco anos.

Guia turístico do município orienta o grupo na trilha de acesso à gruta: procedimentos de segurança

Fique atento ao novo tarifário: R$ 90,00, em baixa temporada, e R$ 130, em alta. A alta temporada compreende: abril, de 2 a 4 (Semana Santa); julho, de 9 a 31 (férias escolares); setembro , de 4 a 7 (feriado da Independência); outubro, de 9 a 12 (feriado criação do Estado de MS e Nossa Senhora Aparecida); outubro/novembro, de 30/10 a 2/11 (Finados); novembro, de 13 a 15 (feriado Proclamação da República): e dezembro, de 20 a 31 (Natal e fim de ano).

Município tem concessão de uso

O monumento natural, que integra o circuito de passeios de Bonito, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1978, e sua exploração pelo município passou a ser questionada nos últimos anos pelo Ministério Público, quando a sua legalidade e transparência na partilha da renda obtida da visitação. com a União e o Estado. Acordo feito este ano encerrou os impasses burocráticos e finalmente o município tem a cessão de uso.

Juliane: reabertura da gruta é uma grande conquista

As cavidades naturais subterrâneas, assim como os sítios arqueológicos e pré-históricos, com base na Constituição Federal, são bens da União. A gruta está localizada em uma unidade de conservação, portanto de responsabilidade do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS). Em 2019, o Imasul rescindiu de forma unilateral a cooperação técnica com o município, atendendo ao MP que investigava a prestação de contas do fundo arrecadado com o passeio.

A cessão onerosa para exploração comercial do atrativo foi dada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) ao município, por 20 anos. Na semana passada o Imasul retomou o acordo de cooperação, autorizando o uso da trilha de acesso à gruta e fixando uma taxa a ser recolhida ao órgão, no valor de R$ 10,00 por visitante - recurso esse a ser revertido para a unidade de conservação localizada no entorno da gruta.

Governo do Estado asfalou o acesso (rodovia MS-382) entre a cidade e a entrada da área rural que demanda à gruta

“Agora temos segurança jurídica para melhorar e implementar o atrativo, ajudando a fomentar o nosso turismo”, comemora Juliane Salvadori, secretária municipal de Turismo, Indústria e Comércio. Para Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, o plano de manejo criado pelo Estado foi fundamental para ordenar e disciplinar a reabertura da Gruta do Lago Azul.

“Avançamos muito com a regulamentação e exploração da gruta pelo município, um atrativo que se tornou uma referência, todos que vão a Bonito querem conhecer suas belezas”, destaca Verruck, citando o asfaltamento do acesso (rodovia MS-382) à gruta, já entregue pelo governador Reinaldo Azambuja, como uma obra vital para o desenvolvimento do turismo. “O acesso com boas estradas e as adequações no aeroporto criam cenários favoráveis”, disse.

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