quarta, 21 de fevereiro de 2024
TURISMO

Pantanal e Serra da Bodoquema na rota do Mercosul

15 DEZ 2018 - 10h30Por SÍLVIO ANDRADE

Com a pavimentação do último trecho de revestimento primário da MS-178, uma das obras inacabadas entregue pelo governador de MS Reinaldo Azambuja, de 17 km, as regiões da Serra da Bodoquena e do Pantanal se conectam por rodovia com os países vizinhos do Mercosul, criando uma rota internacional para o turismo. Dois biomas que concentram os maiores atrativos do Estado.

Empresários desse segmento apostam na infraestrutura viária para alavancar o setor, integrando os principais destinos turísticos de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Argentina e Chile – países que, ao lado do Brasil, formam o corredor bioceânico rodoviário que está sendo viabilizado com a construção da ponte binacional sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho.

Os investimentos do Governo do Estado garantiram o asfaltamento de toda a extensão da MS-178, de 115 km – entre a BR-267 e a MS-339 -, interligando os municípios de Jardim, Bonito e Bodoquena. Pela BR-267, chega-se à fronteira com o Paraguai, distante 262 km. Do outro lado, pela MS-339, são 62 km de Bodoquena a Miranda e mais 230 km à Corumbá, pela BR-262.

Estrada do Curê, asfaltada, fortalece o turismo na região. Foto: Edemir Rodrigues

“A conclusão do asfalto da MS-178, que era um sonho de 20 anos, significa a redenção do nosso turismo”, afirma o secretário de Turismo de Bonito, Augusto Mariano. “Projetamos um futuro promissor com esse caminho pavimentado que integra a Serra da Bodoquena e o Pantanal ao Mercosul. Vamos dobrar o número de visitantes a médio prazo”, diz o gestor.

Investimentos do Estado

O asfaltamento de 17 km da MS-178 e a construção da ponte de concreto sobre o Rio da Prata - o projeto foi paralisado por 15 anos - garantem acesso aos empreendimentos turísticos e o escoamento do agronegócio. Obra consideradas estratégica do ponto de vista viário ao encurtar distâncias entre Bonito a Jardim e Porto Murtinho. Foram investidos 21,2 milhões.

Enquanto a construção da ponte sobre o Rio Paraguai está sendo projetada, entre Porto Murtinho e a cidade paraguaia de Carmelo Peralta, a região da Bodoquena vislumbra um novo momento para o turismo doméstico com a obra concluída na MS-178, mais conhecida como Estrada do Curê (porco, na língua guarani). O acesso é fundamental para o sucesso do setor.

Augusto Mariano, secretário de Turismo de Bonito. Foto: Chico Ribeiro

Augusto Mariano destacou as ações do Governo do Estado para assegurar meios de transporte eficientes à Bonito e região, como a reestruturação do aeroporto local e os novos voos diários com centros emissores de turistas. Também citou a reconstrução da pista da MS-178, entre o aeroporto e o centro de Bonito, com nova iluminação e ciclovia até o balneário municipal.

“As perspectivas para os próximos anos são as melhores possíveis, principalmente porque  contamos com a reeleição do governador Reinaldo Azambuja”, disse o secretário. “Nunca tivemos tantos investimentos como agora em setores essenciais, exemplo da infraestrutura. A ciclovia, aparentemente uma obra simples, é da maior importância. Hoje o uso da bike cresceu muito como atividade esportiva. Tudo isso favorece e estimula a atração do turista.”

Turista desistia do passeio

Ao participar da inauguração do novo pavimento da MS-178, o secretário estadual de Infraestrutura, Helianey Paulo da Silva, anunciou que o governador Reinaldo Azambuja já autorizou à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) execução do projeto de restauração dos últimos 13 km da estrada, entre Bonito e Jardim. O trecho encontra-se precário.

A chegada do asfalto naquela via, depois de quase duas décadas, trouxe um novo alento a quem produz na região. Exemplo do pecuarista Odilon Teixeira, 65, dono da Fazenda Pedra Branca, fundada no início do século passado. “Isso aqui era um atoleiro, a gente passava a noite puxando caminhão com trator”, lembra. “O asfalto era um sonho antigo, vai baixar o frete.”

Acesso à Gruta do Lago Azul, em Bonito, também está sendo pavimentado pelo Estado. Foto: Divulgação

Ao longo do trecho de 30 km, prosperam fazendas de gado e agora de soja. Do lado de Jardim, pousadas badaladas promovem um turismo premiado nacionalmente e visitado por milhares de pessoas, mesmo na época de dificuldades de tacesso. O gerente do Recanto Ecológico Rio da Prata, Teodison Gonçalves (Mano), 36, conta que havia muito cancelamento de visitas.

“Se chovia, ninguém passava no Curê; os turistas tinham que desviar por Guia Lopes da Laguna (MS-382) e muitos se perdiam”, lembra. “Hoje o turista desce no aeroporto de Bonito e em meia hora chega à pousada”, acrescenta. Mano projeta um aumento de visitantes em 2019, dos atuais 35 mil/ano para próximo à capacidade do destino, de 42 mil/ano.

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