terça, 20 de abril de 2021
CONSUMO

PANDEMIA MUDA HÁBITOS COM IMPACTO NO MEIO AMBIENTE

01 ABR 2021 - 11h53Por WWF/REDAÇÃO

Com o advento da pandemia, muitas atividades tiveram que se reinventar. Assim aconteceu com a Hora do Planeta, tradicional movimento de conscientização pelo clima realizado dia 17 de março. Neste ano a iniciativa foi marcada por uma série de lives, com temas sobre saúde, ativismo, alimentação, agenda ambiental urbana, engajamento da sociedade com a equipe WWF-Brasil e convidados especiais.

Renata Camargo, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, afirma que o movimento quer ir além do tradicional gesto de apagar as luzes. “Neste tempo desafiador da pandemia, os hábitos de redução da pegada ecológica precisam ser atualizados. Com mais tempo dentro de casa o modo de consumo mudou e precisamos estar atentos a como manter comportamentos sustentáveis”, ressalta.

As mudanças vindas da pandemia são grandes, desde uso de transporte, meios de pagamento até estilos de vida. Levantamento desenvolvido pela consultoria EY Parthenon aponta maior preocupação com higiene pessoal e da casa, maior consumo de itens essenciais, mais tempo dedicado às tarefas domésticas, entre elas o preparo de alimentos e o crescimento de compras onlines.

Diante dessas mudanças, Virginia Antonioli, analista de conservação do WWF-Brasil aponta que nas residências, uma boa oportunidade para diminuir o impacto ambiental do consumo é reduzir o desperdício de alimentos, pois além de significar que comida que poderia ser consumida está indo para o lixo, esses alimentos desperdiçados demandam recursos naturais na sua produção, que vão para o lixo junto com os nutrientes.

Renata Camargo, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil

Segundo ela, “este tempo de recolhimento é favorável para adequação de novos hábitos, mais saudáveis e de menor impacto. Podemos mudar algumas atitudes práticas, mas também prestar mais atenção de onde vem cada alimento”, afirma.

O WWF-Brasil fez uma relação de oito mudanças de hábito de maior impacto sobre o meio ambiente e o que cada um de nós pode fazer:

1 – As crescentes restrições à circulação de pessoas fazem com que muitos optem por comprar quantidades maiores, por precaução. O risco aqui é o desperdício: se o cálculo não for bem feito, é fácil acabar comprando mais do que precisamos e nos vermos obrigados a jogar fora quantidades significativas de alimentos. Importante observar bem as dinâmicas de casa, o que é consumido mais rápido, o que acabou indo para a lixeira repetidas vezes, e adequar as compras em função da real necessidade.

2 – Já pensou em comprar no seu bairro? Viagens de carro e ônibus podem ser evitadas ao fazer compras na vizinhança, o que também favorece a compra de menos itens por vez, evitando desperdícios. Outra opção é o consumo de cestas “do produtor” ou participação em CSAs, isso garante a chegada de alimentos fresquinhos, em sua grande parte sem agrotóxicos, e também apoia diretamente o trabalho dos pequenos produtores.

3 – A pandemia também turbinou a entrega de refeições em domicílio. Embora prático, esse hábito eleva a quantidade de embalagens descartadas, por isso é muito importante fazer a separação do lixo para favorecer a reciclagem de tudo que puder ser reaproveitado. Se puder, priorize estabelecimentos que usam materiais mais sustentáveis, como papel e papelão.

4 – Reaproveitar sobras de alimentos e/ou refeições prontas também é muito importante para evitar o desperdício (e economizar dinheiro).  Nessa hora, a internet e seu impressionante repositório de receitas é um aliado certeiro.

5 – Mais gente em casa significa maior consumo de água, por isso a pandemia é um bom momento para a adoção de hábitos mais sustentáveis, como o uso de redutores de vazão nas torneiras, o reaproveitamento da água do enxágue das máquinas de lavar e a coleta de água de chuva para lavar o piso e regar plantas.

6 - Com o home office, a conta de energia elétrica subiu para muitas pessoas.  Embora a matriz elétrica brasileira seja predominantemente hidrelétrica, a energia gerada por termelétricas tem ganhado cada vez mais espaço para compensar desequilíbrios no fornecimento das hidrelétricas. Além de mais cara, ela é poluente. Por isso, ficar atento a luzes que podem ser apagadas, ao tempo que a porta da geladeira fica aberta e desplugar da tomada os carregadores e aparelhos que ficam em stand by é bom não só para o bolso, mas também para o planeta. Outra dica importante: abra janelas e deixe o ar entrar. Se o uso do ar-condicionado for fundamental, tente associá-lo ao uso de ventilador.

7 – Para economizar água e luz ao mesmo tempo, tente combinar um horário para banhos em sequência. Como cada pessoa que liga o chuveiro espera a água esquentar e geralmente a água fria é desperdiçada, há economia se ela já está quente – especialmente para quem usa chuveiro a gás.

8 – E com o preço elevado do gás, o momento é ideal para adotar hábitos que fazem o botijão durar mais. Um deles é cozinhar maiores quantidades para acionar o fogão em menos dias.  Os alimentos podem ser congelados e usados ao longo da semana.  O uso da panela de pressão, com o devido cuidado, também otimiza o consumo de gás já que acelera consideravelmente o cozimento.  Para evitar vazamentos, verifique diariamente se a válvula junto ao botijão está fechada, bem como os acionadores de queimadores do fogão e do forno.

Muito além de mudanças pontuais de alguns comportamentos, como o simples apagar as luzes, o ideal seria uma mudança de mentalidade, alertam as especialistas do WWF-Brasil. “A sociedade precisa perceber a importância de valores coletivos maiores, como a busca da informação em fontes confiáveis para mudanças efetivas frente aos problemas ambientais; precisamos desenvolver o sentido da responsabilidade com envolvimento em movimentos e coletivos onde moramos e aprender também o que efetivamente nos traz bem estar, como a adoção de hábitos saudáveis e prazerosos, ressalta Renata Camargo.

Sobre Pegada EcológicaÉ uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.

Sobre a Hora do Planeta: É o principal movimento ambiental global da rede WWF. Nascida em Sydney em 2007, a Hora do Planeta cresceu e se tornou um dos maiores movimentos de base do mundo para o meio ambiente, inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações em mais de 180 países e territórios a tomar ações ambientais tangíveis por mais de uma década. Historicamente, a Hora do Planeta se concentrou na crise climática. Mas, recentemente, se esforçou para trazer à tona a questão premente da perda da natureza. O objetivo é criar um movimento imparável para a natureza, como aconteceu quando o mundo se uniu para enfrentar as mudanças climáticas.

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