sexta, 14 de maio de 2021
MEIO AMBIENTE

"Fóssil Colossal" premia o mau exemplo do Brasil

13 DEZ 2020 - 21h57Por REDAÇÃO

O Brasil conquistou dois troféus do prêmio de "Fóssil Colossal" dos últimos cinco anos na categoria "Não protege sua população dos impactos das mudanças climáticas" e "Reduz a participação da sociedade civil".

A irônica homenagem é um reconhecimento simbólico e não oficial que destaca um país por ações prejudiciais ao clima. Segundo os organizadores, o troféu é dado aos países que se esforçaram mais para fazer menos e que deram o seu melhor para praticar o pior pelo meio ambiente.

O anúncio aconteceu no dia 11 de dezembro, véspera da Cúpula de Ambição Climática, que marcará o aniversário de cinco anos do Acordo de Paris, e é um evento preparatório para a COP26, que será realizada na Escócia em 2021.

Barrado no acordo

Esta é a terceira vez em que Bolsonaro leva o Brasil a receber o prêmio da CAN. Em 2018, o país levou o troféu depois de o então presidente eleito ter anunciado que o país não sediaria a próxima conferência climática e por ainda ameaçar tirar o Brasil do Acordo de Paris; em 2019, pela tentativa de legalizar a grilagem.

Na cerimônia deste ano, o país foi descrito como uma nação governada por "Jair Capitão Motosserra Bolsonaro" que parece estar tentando "transformar os pulmões do mundo no pior lugar do planeta para ser uma árvore."

 

O "Fóssil Colossal" é uma variação do tradicional troféu "Fóssil do Dia" da Rede Internacional de Ação Climática (CAN), que reúne mais de 1,3 mil organizações ambientais de todo o mundo. Ele é dado durante as COPs (cúpulas do clima da Organização das Nações Unidas) como reconhecimento aos países que mais obstruem as negociações.

Como 2020 marca os primeiros cinco anos desde que o acordo foi fechado e como a conferência não foi realizada por causa da pandemia, os organizadores optaram por premiar com um "Fóssil dos últimos 5 anos" quem se destacou no período.

A ONU anunciou que o Brasil não estará entre os participantes da Cúpula da Ambição Climática porque a atualização de seus compromissos com Paris (as NDCs) foi considerada inferior à meta existente. O Acordo exige que a revisão das metas eleve a ambição climática dos países, e pelas regras da cúpula de amanhã, apenas os atores que tenham planos ambiciosos poderiam se apresentar.

Outros premiados

Os Estados Unidos também foram premiados duplamente "por não contribuir com o financiamento climático" e por ter sido "o pior país para o clima dos últimos 5 anos".

Na cerimônia, foi destacado que os EUA são o único país a sair do Acordo de Paris, embora seja um dos principais responsáveis pelos níveis de emissão de gases de efeito estufa que estão alterando a dinâmica climática do planeta.

A Austrália, que também não foi convidada para o evento de amanhã, recebeu o prêmio da CAN por não se comprometer com a meta de 1,5C de aquecimento máximo da Terra até 2050.

A cerimônia de premiação destacou que o país é um dos maiores exportadores de carvão e tem se negado a integrar o esforço internacional para abandonar essa fonte fóssil e altamente poluidora de energia. O Japão também levou um prêmio por manter projetos de carvão, enquanto a Rússia foi premiada por perseguir seus ativistas ambientais.

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