sábado, 28 de março de 2020
CICLO DA VIDA

Está chegando ao fim mais uma cheia 'normal' no Pantanal

21 JUN 2017 - 11h49Por Sílvio Andrade

O ciclo atual de inundação no Pantanal confirma a previsão dos pantaneiros e dos indicadores analisados por pesquisadores da Embrapa Pantanal e da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que divulga semanalmente boletins do comportamento do Rio Paraguai e seus tributários. Será uma cheia normal, isto é, menor que seis metros na régua de Ladário, instalada na fortificação da Marinha. A enchente recorde, de 1988, atingiu 6,64 metros.

O processo natural de inundação da planície, que às vezes resulta em grandes prejuízos à economia local – pecuária e ecoturismo – não é sinônimo de catástrofe, como ocorre nas regiões urbanas. Estes pulsos são benéficos para renovar as pastagens nativas e os recursos naturais, em especial a fauna. É também um período excelente para o turismo de contemplação. Os animais estão concentrados nas baías e lagoas, onde a alimentação é farta.

As maiores inundações ocorrem na subregião do Paiaguás por conta do descontrole das águas do Rio Taquari. Nas demais áreas que normalmente recebem muita água do Paraguai os campos estão secos, informa o Sindicato Rural de Corumbá. As águas do Norte (Mato Grosso) continuam descendo e os picos de cheia vão começar a ocorrer abaixo de Corumbá, chegando a Porto da Manga (MS-228), distrito de Porto Esperança, Forte Coimbra e Porto Murtinho.

“Tivemos informações de concentração de muita água na região da Nhecolândia (centro da planície), talvez por chuvas mais localizadas e também alguma interferência dos arrombados do (Rio) Taquari, mas sem trazer maiores prejuízos”, explicou o dirigente ruralista. Ele disse que a enchente deste ano trará as dificuldades já habituais enfrentadas pelos fazendeiros, que são o acesso para abastecer as propriedades e o remanejamento do gado.

Cheia mais intensa deixa Estrada Parque, em Corumbá, submersa

Águas mansas

Segundo o mapa de previsão de níveis dos rios pantaneiros, divulgado pelo Ministério das Minas e Energia (CPRM), que monitora a hidrologia da bacia, o nível do Rio Paraguai em Ladário não deve passar de 4,80 metros. Estimativa de começar a declinar no começo de julho, com 4,75 metros no dia 7, por coincidência, o nível registrado nesta quarta-feira, 21.  A partir do dia 13, as águas do Paraguai reduziram volume, subindo apenas seis centímetros.

Reflexo desse comportamento é a situação da régua de Cáceres (MT), parte alta do Pantanal, onde o pico do rio foi no dia 2 de março (5,60 metros) e já baixou pelo menos três metros. No meio do caminho, entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a régua de Bela Vista do Norte também sinaliza que a tendência é baixar as águas, que seguem lentamente em direção ao extremo sul da fronteira com o Paraguai, em Porto Murtinho.

A Embrapa Pantanal divulgou nota confirmando que o pico da cheia ocorreria este mês, mas sua previsão de nível máximo (4,50 metros), em Ladário, não se confirmou. Segundo o pesquisador Carlos Padovani, o intervalo de nível máximo de cheia entre 5 e 5,5 metros para o rio Paraguai em Ladário é o mais comum, tendo ocorrido 30 vezes desde que se iniciaram as medições, em 1900. A última grande enchente ocorreu em 2011, com nível de 5,62 metros.

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