quarta, 20 de janeiro de 2021
FOTOGRAFIA

Daniel de Granville e Eduardo, o seu amigo udu

07 JAN 2021 - 14h47Por DANIEL DE GRANVILLE

Quem acompanha este blog (https://conexaoplaneta.com.br/blog/category/por-tras-das-cameras/) sabe que minha casa e o escritório anexo ficam em local privilegiado, na transição entre as zonas urbana e rural, onde a presença de animais silvestres é constante. Hoje vou falar sobre uma ave específica e o que ela está me ensinando sobre fotografia e admiração pela natureza em tempos de isolamento social. É o udu!

Nas últimas semanas, esse udu-de-coroa-azul tem aparecido no nosso quintal e está se tornando cada vez mais habituado com nossa presença.

Até então, eu sempre pensava nesta ave como muito discreta e arisca. Faz alguns anos que a registramos aqui pela primeira vez, mas geralmente só escutávamos seu canto na mata e demorou para conseguirmos observá-la. Agora, o udu tem vindo praticamente todos os dias em busca de frutas que colocamos para os bichos.

Comecei a observar seus padrões de comportamento e me propus um desafio fotográfico que ainda está em andamento. Quero aproveitar sua tolerância e tentar fazer algumas imagens diferentes, como fotos com as asas abertas, em voo e com lente grande angular.

Dia após dia tenho dedicado um tempo a interagir com esta ave, estudar técnicas e pensar em algumas gambiarras fotográficas que me permitam fazer as fotos que imaginei.

O que parecia fácil sempre revela alguns complicadores inesperados. Por exemplo, descobri que às vezes o udu abre as asas no ato de bicar o pedaço de mamão que está preso a um galho seco. Reparei que isto só acontece quando o fruto está um pouco distante de seu poleiro, então estou tendo este cuidado ao colocar a comida.

Porém, esta abertura de asas é muito rápida e acontece justamente quando a ave está com a cabeça quase enfiada dentro do pedaço de mamão. Eu quero fazer uma foto em que a fruta não apareça, o que gera outra complicação. Poderia facilmente removê-la depois em programa de edição de imagens, mas neste ponto acho que ainda sou meio tradicionalista e reluto em fazer tal tipo de manipulação (mesmo que assuma ter feito isto na foto).

Daniel de Granville

Outra questão é que o sol só incide no poleiro durante alguns minutos por dia (e, frequentemente, quando tudo está alinhado, chega uma ave maior que expulsa o udu pra roubar sua fruta!). Como preciso fotografar em altas velocidades, para congelar o movimento, é importante que o lugar esteja bem iluminado. No momento, os raios solares só estão atingindo o ponto certo pelo fato de que a árvore situada entre o sol e o poleiro está sem folhas, mas em breve elas crescerão novamente – e aí pode ser que acabem minhas oportunidades de fotografar este bichinho…

O legal é que, pela quase certeza de que o bicho estará por perto no dia seguinte, não sinto tanto aquela ansiedade e senso de urgência para aproveitar o que pode ser a “única oportunidade”. Isto tem me permitido relaxar e apreciar sua beleza em um ritmo mais suave.

Tenho percebido ainda que, ao menos uma vez por dia, o udu chega perto de onde estou (seja no escritório ou dentro da casa) e fica me esperando. Eu vou na cozinha, pego um pedacinho de mamão, tento imitar seu canto e deixo o lanchinho pra ele, que já foi até batizado por nós de “Eduardo”. A origem do nome é pra gente fazer trocadilho quando alguém pergunta “mas por que Eduardo?”, daí a gente responde “Eduardo, Udu!” 

O udu-de-coroa-azul é uma ave florestal de rara beleza que, em 2011, foi oficializada por lei municipal como ave-símbolo de Bonito (MS). Nossa ideia, ao propor esta ação, foi estimular indiretamente a conservação das florestas da região, já que tal espécie depende delas para sua existência.

Udu-de-coroa-azul é considerada ave símbolo de Bonito

A partir daí, esta ave – que já era muito apreciada – adquiriu uma importância ainda mais especial por aqui, tendo inclusive dado origem ao Dia Municipal das Aves, celebrado em 3 de outubro, conforme previsto na mesma lei.

Outra questão é que o sol só incide no poleiro durante alguns minutos por dia (e, frequentemente, quando tudo está alinhado, chega uma ave maior que expulsa o udu pra roubar sua fruta!). Como preciso fotografar em altas velocidades, para congelar o movimento, é importante que o lugar esteja bem iluminado. No momento, os raios solares só estão atingindo o ponto certo pelo fato de que a árvore situada entre o sol e o poleiro está sem folhas, mas em breve elas crescerão novamente – e aí pode ser que acabem minhas oportunidades de fotografar este bichinho…

O legal é que, pela quase certeza de que o bicho estará por perto no dia seguinte, não sinto tanto aquela ansiedade e senso de urgência para aproveitar o que pode ser a “única oportunidade”. Isto tem me permitido relaxar e apreciar sua beleza em um ritmo mais suave.

Tenho percebido ainda que, ao menos uma vez por dia, o udu chega perto de onde estou (seja no escritório ou dentro da casa) e fica me esperando. Eu vou na cozinha, pego um pedacinho de mamão, tento imitar seu canto e deixo o lanchinho pra ele, que já foi até batizado por nós de “Eduardo”. A origem do nome é pra gente fazer trocadilho quando alguém pergunta “mas por que Eduardo?”, daí a gente responde “Eduardo, Udu!” 

O udu-de-coroa-azul é uma ave florestal de rara beleza que, em 2011, foi oficializada por lei municipal como ave-símbolo de Bonito (MS). Nossa ideia, ao propor esta ação, foi estimular indiretamente a conservação das florestas da região, já que tal espécie depende delas para sua existência.

A partir daí, esta ave – que já era muito apreciada – adquiriu uma importância ainda mais especial por aqui, tendo inclusive dado origem ao Dia Municipal das Aves, celebrado em 3 de outubro, conforme previsto na mesma lei.

Daniel De Granville - Biólogo com pós-graduação em jornalismo científico e diretor da empresa Photo in Natur. Trabalha como fotógrafo da natureza na região do Pantanal e Bonito (MS), onde ministra workshops de fotografia e atua como guia para públicos de interesses especiais.

Texto originalmente publicado no site www.conexaoplaneta.com.br

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