sexta, 19 de abril de 2024
MEIO AMBIENTE

Apenas 45% do planalto da Bacia do Alto Paraguai está preservada

25 JUN 2017 - 22h59Por Redação

O estudo “Bacia do Alto Paraguai – uso e ocupação do solo” lançado hoje pelo WWF-Brasil, a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Campo Grande (MS), e a Fundação Tuiuiú, revela uma má notícia: apenas 45% da região das cabeceiras do Pantanal está preservada e há um déficit de reserva legal de aproximadamente 392 mil hectares. O custo para a recuperação desse passivo ambiental é de aproximadamente R$ 3,9 bilhões. 

“Esse panorama é muito ruim porque no Pantanal chove pouco, apesar de ser uma área com sazonalidade de inundação. Se suas nascentes não estão bem preservadas, haverá consequências muito sérias no futuro. Atualmente já há regiões que já estão alagadas permanentemente por causa da degradação nas áreas das cabeceiras”, diz Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal. “A recuperação é importante pois ela está diretamente relacionada à disponibilidade de água para as cidades e para a agricultura”, completa Sampaio.

A boa notícia é com relação à planície, o Pantanal tal e como conhecemos nas fotos: 82% está preservada. “Esse resultado indica que os modelos de pecuária sustentável que foram implantados e desenvolvidos na região têm dado certo e pode permitir um futuro alimentar para a população, ou seja, abastecer um mercado de carne sem degradar o meio ambiente”, explica o coordenador do WWF-Brasil. “O Pantanal também provê serviços ambientais, como regulação do clima e um regime de cheias periódicas que é fundamental para a produção de gado e a fertilidade do solo. Ou seja, se a planície estiver preservada, todos esses serviços estarão garantidos”, afirma.

Futuro do Pantanal 

O monitoramento da Bacia do Alto Paraguai lançado hoje pelo WWF-Brasil e parceiros permite prever um panorama para o Pantanal para os próximos anos. “Se a situação no planalto (região das cabeceiras) continuar pouco preservada como está, ou piorar, a planície sofrerá drásticas mudanças e, no futuro, poderemos verificar queda em sua preservação”, assegura Júlio César Sampaio.

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O coordenador do WWF-Brasil também afirma que em algumas décadas o Pantanal pode perder a sua característica de inundação periódica fazendo com que áreas se tornem permanentemente alagadas. “Essa situação diminuiria a produtividade da pecuária, desalojando populações, e diminuindo o preço dos imóveis. Ao mesmo tempo, outras regiões podem não mais serem inundadas, fazendo com que a fertilidade do solo caia, impactando de maneira significativa a pecuária”. 

Por outra parte, a piora na parte alta, por afetar o ciclo das águas da parte baixa, também impactaria em perda de biodiversidade. Existem mais de 4 mil espécies de animais e plantas no Pantanal e eles necessitam do bioma íntegro para sua sobrevivência. A contaminação dos rios e nascentes em áreas de planalto – por falta de saneamento básico e más práticas agropecuárias – descem para as águas de planície, afetando o Pantanal em sua totalidade.

WWF-Brasil pelas cabeceiras

O WWF-Brasil atua no Pantanal desde a década de 1990. Em 2012, um estudo organizado pela ONG e parceiros revelou que a região das cabeceiras está em alto risco devido ao desmatamento, a falta de saneamento básico e as más práticas agropecuárias. Nesse mesmo ano, o WWF-Brasil deu início ao “Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal”, um movimento de proteção aos recursos hídricos da região. 

As cabeceiras do Pantanal abrangem 25 municípios de Mato Grosso. Todas as prefeituras, o governo do estado, o WWF-Brasil, empresas como a indústria de água Lebrinha, e associações da sociedade civil organizada participam da iniciativa que recuperou desde 2015 80 nascentes, adequou ambientalmente mais de 100 km de estradas rurais e beneficiou 38 famílias com a instalação de biofossas (que além de solucionarem a falta de saneamento básico nas pequenas propriedades rurais, oferecem um fertilizante orgânico seguro e que incrementa a produção).

O Pantanal 

 O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta. Seus 170.500,92 mil km² de extensão – parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e Paraguai - abrigam uma rica biodiversidade: pelo menos 4.700 espécies de animais e plantas já foram registradas. Devido a sua importância ambiental, o bioma foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.

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