Gabriel de Oliveira: "Avançamos muito na saúde e na educação e temos muito ainda a conquistar"
25 SET 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 14h20Depois de uma gestão conturbada do ex-prefeito Marcelo Iunes, com denúncias de corrupção e compra de votos, nepotismo e má aplicação dos recursos, o médico Gabriel Alves de Oliveira, 43, assumiu o posto de “uma cidade arrasada”, como bem declarou em sua posse, em janeiro de 2025. Foi eleito com 56% dos votos, tendo como vice a ex-deputada federal Bia Cavassa.
O desafio não era a pouca experiência do novo prefeito - filho de pais políticos com extensa folha de prestação de serviços à cidade - mas, os rombos nas finanças, dívidas vencidas superiores a R$ 35 milhões, servidores insatisfeitos, a máquina administrativa emperrada e a cidade com problemas de infraestrutura, 12 obras paralisadas, centro e bairros às escuras, alto índice de infestação da dengue e perda populacional.
Gabriel superou as expectativas nestes quase dois anos, revelando-se um bom articulador político para garantir investimentos federais e estaduais e um gestor com capacidade de arrumar a casa bagunçada. Priorizou o corte de gastos e pagamentos de dívidas, com muitas dificuldades financeiras, e hoje administra com mais folego e capacidade de investimentos.
Destinando grande parte do orçamento de R$ 1 bilhão para a saúde e educação, o prefeito corumbaense recuperou os índices educacionais, que estavam abaixo da média estadual, e reorganizou o atendimento médico na rede de assistência, tão cobrado pela população, e festejou, nos 248 anos de fundação da cidade, a instalação da tão sonhada UTI Neo-Natal
As projeções para 2027 são alvissareiras: renegociação do dinheiro que Marcelo Iunes pegou do Fonplata (40 milhões de dólares), que gera juros de R$ 30 milhões/ano; licitação prometida do hospital regional de alta complexidade pelo Estado; e captação de recursos do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe) para obras estruturantes e inovação, como um centro tecnológico e um parque linear.
Acompanhe a entrevista do prefeito corumbaense
1. Qual o balanço que o senhor faz destes quase dois anos de governo?
Gabriel de Oliveira: Conseguimos destravar, né? A cidade estava num completo abandono, um descaso total com a nossa gente. O ano de 2025 foi muito difícil, cada dia matando um leão. Com muitas dificuldades, mas contando com o apoio do Estado, da Câmara Municipal e dos servidores hoje conseguimos destravar tudo. Já estamos recuperando, melhoramos na educação com o IDEB. A qualidade da educação avançou, é indiscutível, crescemos acima da média do Estado. Na saúde, entre todas as melhorias, estamos fazendo vários tipos de cirurgia dentro da Santa Casa. Hoje temos a maternidade dentro da Santa Casa. Temos vários projetos pra serem executados, como a Orla Portuária, o Pac Cidades Históricas, que vai revitalizar prédios como do Mercadão, que já demos ordem de serviço e vai mexer com a memória do corumbaense, e a Casa do Artesão, que já está em execução. Também temos assegurados recursos do Pró-Cidades, de R$ 66 milhões, para recuperar as escolas, os postos de saúde e revitalizar espaços públicos.
2. A cidade completou 248 anos, qual simbolismo disso e celebrar a data com importantes entregas à população?
Gabriel - É muito forte. A gente nasceu aqui, cresceu. São duzentos e quarenta e oito anos, muita história, muita cultura, tradição aqui nessa cidade maravilhosa, e podendo cumprir compromissos com a população e fazer entregas, administrando a nossa cidade como prefeito. Superamos as dificuldades financeiras e administrativas, nem todas, mas estamos avançando para colocar a prefeitura em ordem e continuar investindo com os parceiros que temos, sobretudo o Governo do Estado, onde temos as portas abertas. O aniversário da cidade foi marcado com a entrega da UTI Neonatal, há muito reivindicada pelos corumbaenses. Como médico, por tudo que eu passei, acompanhei dentro da maternidade, uma luta não minha, mas uma luta da cidade toda, da região, Corumbá, Ladário, da Bolívia. Recebemos esse presente através dessa instituição renomada. A Cassems sempre acreditou também no potencial de Corumbá, investiu aqui num hospital, ampliou leitos e serviços.
3. Qual a situação hoje da saúde comparado ao que o senhor encontrou?
Gabriel – Foi e tem sido um desafio muito grande. Tem a parte humana e a parte de infraestrutura. Graças a Deus, a gente tem contado com a ajuda dos colegas, dos profissionais de saúde, todos abraçado a causa pela cidade. Temos conseguido mostrar através de números as melhoras no atendimento, na qualidade dos serviços, como diminuição de mortalidade materno-infantil. Agora a gente tem essa assistência da UTI Neonatal, não vamos precisar mais transferi pacientes para Campo Grande. Estamos implantando uma UBS no Bairro Aeroporto, que vai abrigar duas equipes de saúde, vamos colocar um equipamento de ultrassom naquela região e, em breve, também estaremos entregando o Centro de Saúde da Mulher, uma das obras abandonadas desde 2016. São ações e iniciativas que demostram o respeito que a gente tem com a mulher corumbaense, com toda a nossa gente.
4. O senhor tem afirmado que vai concluir as obras abandonadas em respeito ao dinheiro público.
Gabriel: A obra não importa de quem é, é do corumbaense, é do povo, então a gente precisa terminar independente de quem começou. É dinheiro público jogado na lama, um total descaso com a cidade e nossa gente. Assim, estamos administrando sem olhar para trás, sem fazer politicagem, mas ouvindo a população sobre suas demandas e procurando melhorar, sobretudo, a saúde pública e introduzindo novas tecnologias de aprendizado para nossas crianças, valorizando, sobretudo, o professor. Retomamos, recentemente, uma obra parada desde 2021, que é a Escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros, um símbolo de muitas e memórias de gerações. A gente sentia tristeza de passar pelo prédio da escola e ver o estado crítico em que se encontrava. vamos entregar o Pedro Paulo dentro do nosso mandato, em respeito a todos os corumbaenses e em respeito ao dinheiro público. Isso não tem preço, não tem valor.
5. Em seu primeiro mandato, qual o sentimento de ser prefeito de sua cidade?
Gabriel: Ser prefeito, pra mim, é mais do que administrar. É cuidar de gente. É estar por perto, ouvir com calma, entender o que está pegando de verdade na vida das pessoas. É receber um pedido, anotar, correr atrás e voltar com resposta. Nem sempre dá pra resolver tudo na hora, mas dá pra trabalhar com seriedade, organizar a estrutura e ir abrindo caminhos e oportunidades, um passo de cada vez. E o mais importante: estar presente no dia a dia de Corumbá, com respeito, trabalho e pé no chão. Estamos fazendo uma gestão séria, com planejamento e transparência, enfrentando a realidade financeira que herdamos e encarando seus desafios. Nossa prioridade é o servidor, o cidadão e o futuro da cidade. Passou muito dinheiro na mão errada. Asfalto sem drenagem, que não aguenta a chuva de Corumbá. Isso é falta de planejamento, desrespeito com a cidade, e quem paga é a população, que vê o serviço ter que ser refeito. Tudo que conseguimos avançar até aqui teve o apoio de grandes parceiros, como o nosso governador Eduardo Riedel, e uma Câmara de Vereadores presente, cobrando mas nos ajudando a encontrar as soluções, independente de cores partidárias