ARTIGO

Debate da TV Morena foi civilizado e informativo, mas Trad quase estraga tudo

30 SET 2026 • Por DANTE FILHO • 18h34

Sou da opinião de que debates entre candidatos é um programa de TV que está saindo de moda. Em eleições muito disputadas, com nervos à flor da pele e temas livres, sem muitas interferências na contagem do tempo e pouca arbitragem de um mediador, ainda pode ser uma atração do show bussiness. Mas o modelo à brasileira é cansativo e permite que acordos de bastidores torne o jogo desonesto e desequilibre a disputa. 

Mesmo assim, a TV Morena conseguiu produzir um programa de bom nível, apresentando candidatos acima da média, discutindo civilizadamente temas de interesse sem o aprofundamento necessário (mas até aí Inês é morta). Como carta de intenção, nada a reclamar. Ninguém delirou apresentando propostas inexequíveis. Até o candidato do PSOL, Lucien Rezende, impressionou pela moderação e bom trato com os adversários.

Em alguns momentos, a única voz dissonante foi a do candidato do PT, Fábio Trad, que tinha uma preocupação (obsessiva?) com Eduardo Riedel, naturalmente porque ele está cavando alguns pontinhos a mais nas pesquisas para chegar ao segundo turno (que dificilmente acontecerá, como venho falando desde a época da pré-campanha.

Num gesto de sadismo assisti por duas vezes o mesmo debate. Na segunda vez, tirei o som só para ver a linguagem corporal dos candidatos. O corpo às vezes fala mais do que as palavras. Enquanto Delcídio do Amaral apresentava serenidade, Rídel mostrava leve preocupação (não sorriu nenhuma vez) e Lucien Rezende levava um jeito de paizão; Fábio Trad se comportava como aquele adolescente disposto a fazer todo tipo de zoação para ver se tirava seu principal adversário do sério, até o momento em que começou a ser chamado de "candidato Fake News".

É assim mesmo. Riedel deve ter lido em algum manual de psicologia que meninos travessos tem um narcisismo mais elevado e devem ser contidos com algum espelho que os faça olhar para a bobagem que está fazendo. 

Claro que isso é meio constrangedor para quem assiste porque todos aceitam críticas inteligentes, exposição crua de contradições pontuais, denúncias embaraçosas, mas sem que isso resvale para fatos sem contexto, envolvendo terceiros que ninguém conhece, ou pior, comentários que denotam um tipo de perseguição perniciosa. 

Trad chegou a ser desrespeitoso com Riedel quando pediu para ele olhasse em seus olhos pois, no momento, o governador poderia estar lendo algum papel ou sentindo-se envergonhado por ter que ouvir tanta bobagem de um candidato de quem se esperava melhor nível, dado que se trata de um "jurista" aclamado.

Não quero prejulgar Fábio, não conheço suas expectativas emocionais, mas acredito que, eleitoralmente falando, isso afasta mais do que atrai eleitores. Mas vendo-o (sem escutá-lo) sua pose era autoritária, às vezes me lembrando a figura de Benito Mussolini, com aquele típica postura de peito de pomba. 

E o mais chato de tudo é que gosto de Trad, tenho-o como amigo, mas sou sincero de que houve ali alguns momentos que senti vergonha alheia. 

Deixa pra lá, o que está feito, feito está. 

Mas o debate também teve seu momento circense. Vi nas redes João Henrique Catan querendo entrar em cena no grito, impedido pelo advogado Carlos Marque, visto ter sido excluído de participar por uma decisão da emissora de só aceitar candidatos cujo partido tivesse representatividade congressual. Mesmo com liminares judiciais o nosso garoto embirrou e queria porque queria participar em nome da "direita".

Acho isso estranho, pois sua vontade era fazer dobradinha (como já se viu) com o candidato do PT para espancar Riedel. Catan parece meio fora da caixa. Depois passou a tarde circulando em torno da TV Morena com caminhão de som gritando em alto volume que ele "também" era candidato ao governo do Estado. Não parece coisa de criancinha mimada?

Em tempo: Aproveito para render minhas homenagens ao ex-senador Delcídio, que se comportou com dignidade, mostrando altíssimo nível e conhecimento profundo da realidade estadual, sem desbordar uma única vez em direção ao ralo. Parabéns. 

(*) Jornalista e escritor