AÇÃO INÉDITA UNE BRASIL E BOLÍVIA NA PREVENÇÃO A INCÊNDIOS NO PANTANAL E CHACO
15 SET 2026 • Por REDAÇÃO • 05h29Corumbá sediou reunião decisiva para uma articulação binacional inédita entre Brasil e Bolívia voltada à prevenção de incêndios florestais no Pantanal e no Chaco boliviano, realizada na sede do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). O encontro serviu para fechar a logística de uma expedição de reconhecimento que vai passar por território boliviano até a região da Baía Gaíva, que fica além da Serra do Amolar, no marco fronteiriço com Mato Grosso do Sul e Mato Gosso.
O evento reuniu representantes do IHP, do Prevfogo/Ibama, da Armada Boliviana, da Defesa Civil boliviana (Viceministério de Defesa Civil – VIDECI) e da Sub-governação da Província de Germán Busch (municípios de Puerto Suárez, Puerto Quijarro e Carmen Rivero Tórrez), órgão vinculado ao Departamento de Santa Cruz.
O trajeto terrestre parte da região de Puerto Quijarro, na Bolívia, e segue em direção à Baía Gaíva, viabilizando o acesso das equipes a pontos de atuação já em território brasileiro, no Pantanal. Do lado brasileiro, o acesso a essa região só é feito por embarcação, rio Paraguai acima, a partir de Corumbá. Porém, do lado da Bolívia, há uma estrada de acesso que depende de manutenção.
A operação, que segue até 18 de setembro, contará com quatro veículos e equipes das quatro instituições envolvidas na coordenação: Defesa Civil da Bolívia, Armada Boliviana, Prevfogo/Ibama e IHP, por meio da Brigada Alto Pantanal.
Resposta rápida
A articulação começou a ganhar corpo após atuação conjunta envolvendo a Armada Boliviana, o IHP, o Prevfogo/Ibama e o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Depois disso, a Sub-governação da Província de Germán Busch somou-se aos esforços de estreitar atividades coordenadas.
Com brigadistas da Brigada Alto Pantanal/IHP e do Prevfogo/Ibama atuando lado a lado com as instituições bolivianas, a expedição tem caráter estritamente preventivo e busca fortalecer os canais de comunicação, os pontos de contato e os protocolos de apoio mútuo entre os dois países diante da temporada de incêndios florestais transfronteiriços.
“Essa ação é extremamente importante para que possamos trabalhar para diminuir o tempo de resposta em caso de acionamento. O deslocamento por embarcação, levando equipamentos e pessoal, demora muito mais que se conseguirmos o acesso por terra. E o governo boliviano sinalizou o interesse em melhorar a estrutura e acesso nessa região”, defendeu o chefe da unidade técnica para Mato Grosso do Sul do Prevfogo/Ibama, Márcio Yule.
Na Bolívia, o 5º Distrito Naval “Santa Cruz” da Armada Boliviana, que fica em Puerto Quijarro, abriga também o Centro Nacional de Formação para Especialistas em Eventos Adversos, que tem formado brigadistas militares e civis para todo o território boliviano. Por conta da importância dessas unidades para prevenção e combate a incêndios florestais, o tema de atuação transfronteiriça ganhou ainda mais peso na região.
Um passo inédito
“Essa mobilização fortalece uma ação coordenada internacional para proteger um patrimônio natural da humanidade como o Pantanal, além da floresta chiquitana. É um passo inédito de cooperação entre instituições brasileiras e bolivianas que atuam na região transfronteiriça, e a colaboração da Armada Boliviana é fundamental para dar segurança e viabilizar o acesso das equipes durante toda a operação”, afirma o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.
o Ministério de Defesa da Bolívia, por meio do VIDECI, formalizou apoio a uma frente complementar da cooperação: o ingresso e deslocamento de brigadistas do Ibama entre a localidade de El Carmen e a fronteira com o Brasil, na região da Serra do Amolar, entre os dias 13 e 15 de setembro. Para isso, a Bolívia designou o tenente-coronel Alexis Paredes Ferrufino, responsável departamental do VIDECI na Chiquitania, como ponto focal encarregado de articular as ações com o Prevfogo/Ibama, o 5º Distrito Naval da Armada Boliviana e demais instituições envolvidas.
Juntas, as duas frentes formam um mesmo movimento: a construção de uma resposta binacional coordenada a um dos maiores desafios ambientais da região transfronteiriça, os incêndios florestais que ameaçam, ao mesmo tempo, o Pantanal — reconhecido pela Unesco como Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade — e a floresta chiquitana, no Chaco boliviano.