Forte de Coimbra faz 251 anos e restauração não avança
13 SET 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 12h20A icônica fortificação de Coimbra, que margeia o Rio Paraguai no Pantanal do Nabileque de Corumbá, completa 251 anos de fundação neste domingo, 13, sem comemoração e previsão do início da anunciada e festejada obra de restauração – pelo menos não se divulgou nada a respeito.
Nesta data, no ano passado, o Exército (a quem pertence o patrimônio tombado em 1974) realizou um evento para celebrar os dois séculos e meio e formalizar a autorização, com a chancela do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), para execução da reforma.
O projeto de R$ 19,8 milhões foi concebido dentro de uma nova modalidade: com financiamento privado, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. E mais: a captação seria feita por um gestor, a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (Appa), que tem no seu portifólio obras de grande relevância, como a restauração do Real Forte Príncipe da Beira.
A proposta, conforme foi anunciado, garantiria maior agilidade e driblaria o formalismo burocrático, facilitado pela dispensa de licitação e outros trâmites da administração pública que emperram os investimentos sérios.
A Appa informou que a captação dos recursos deveria ser concretizada ainda em 2025, com a negociação em curso com três grandes empresas. A última notícia sobre o Forte Coimbra publicada no site da associação foi justamente sobre o evento realizado na fortificação, no ano passado, quando esteve presente o presidente da entidade, Xavier Vieira.
O último contato da reportagem de LUGARES com a Appa foi comunicado que “não havia novidades”. O Exército e o Iphan não se pronunciaram.
Obra da estrada paralisada
O projeto de restauração do forte prevê não apenas a reforma física (recuperação do piso, parte hidráulica e elétrica, cobertura e pintura), mas adaptações para exploração ao turismo com acessibilidade, banheiros e espaços expositivos, que contarão a sua história.
Projeta-se torná-lo um atrativo cultural em potencial e ser aproveitado para diversas perspectivas de desenvolvimento local, seja na parte de defesa (segurança das fronteiras com a Bolívia e o Paraguai), quanto na parte de indução ao turismo, para a economia e educação ambiental e patrimonial.
Reforçando essa proposta de exploração turística do atrativo, o Governo do Estado decidiu abrir uma estrada até a fortificação, cortando o Pantanal e tirando a região do isolamento (os meios mais seguros são o Rio Paraguai e o aéreo).
Um trecho da estrada (BR-454), de 80 km (a partir da BR-262), foi concluída. A segunda etapa, no entanto, foi embargada em julho de 2025 pelo Tribunal de Contas de MS, que suspendeu o processo licitatório alegando “falhas e inconsistências no projeto básico da obra”.