Gigante da celulose banca reforma e doações ao Imasul
4 SET 2026 • Por NERY KASPARY/Correio do Estado • 09h03Publicações do diário oficial do Governo do Estado desta quinta-feira (3) revelam que a chilena Arauco Celulose fez doações de R$ 966 mil ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e bancou até mesmo a reforma do gabinete no qual trabalha o presidente do órgão ambiental responsável pela fiscalização ambiental no Estado, conforme o jornal Correio do Estado.
As doações da gigante da celulose, que está sendo apontada como responsável pela poluição do Rio Pardo, vem a público uma semana depois que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul entrou na Justiça exigindo que a Pantanal Energética, empresa responsável pelo lago de 1,5 mil hectares da hidrelétrica do Mimoso, seja punida em R$ 10 milhões e recolha as plantas aquáticas que estão tomando conta do lago e de todo o afluente abaixo da barragem desta usina.
As plantas aquáticas viraram problema ambiental desde o começo de 2025, pouco mais de meio ano depois da ativação da fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo. E, um relatório do Imasul divulgado no começo de agosto deste ano revela que o responsável pelo crescimento desenfreado das macrófitas é o esgoto da fábrica de celulose, rico em material orgânico que serve de alimento para as plantas.
A ação judicial foi protocolada dia 27 de agosto pela promotoria de Bataguassu porque a Pantanal Energética fez vertimentos extras de água e despachou rio abaixo o excesso de plantas, que agora se acumulam e seguem crescendo no lago da hidrelétrica Porto Primavera, próximo a Bataguassu.
Na ação, a promotoria exige punição da hidrelétrica, mas não faz menção à causadora da poluição, que é, principalmente, a indústria de celulose da Suzano.
Pacote doações
As publicações do Diário Oficial não informam se as doações da Arauco ao Imasul são relativas às compensações ambientas que a empresa é obrigada a pagar por conta do investimento da ordem de R$ 25 bilhões que está fazendo na instalação de uma fábrica de celulose em Inocência. A previsão é de que esta fábrica, a maior do mundo, produz 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
A legislação estadual prevê que, no caso de indústrias de celulose, elas devem destinar o equivalente a 0,8% do valor do investimento a título de compensações ambientais, o que no caso da Arauco significa cerca de R$ 200 milhões.
Esta mesma legislação prevê que, preferencialmente, os investimentos devem ser destinados a alguma Unidade de Conservação de Proteção Integral, de preferência no município onde está sendo construído o empreendimento potencialmente poluidor.
Sendo ou não resultado destas compensações, o fato é que o instituto de fiscalização ambiental conseguiu a doação de R$ 32 mil da Arauco para “serviço de adequação estrutural dos ambientes no Gabinete da Presidência e UNIGEO do Imasul”.
As publicações mostram, também, “serviço de marcenaria para adequação do setor de cozinha Jurídico/presidência do Imasul”. Estes serviços de marcenaria que atenderam à presidência do Instituto custaram R$ 39,9 mil. O órgão de fiscalização obteve, ainda, R$ 16,3 mil para “serviço de readequação da porta de vidro do setor Auditório e pintura dos ambientes Imasul”.
O pacote de doações, que inclui desde pneus a uma série de equipamentos de laboratório não especificados, também aponta para a possibilidade de a fiscalização dos rejeitos despejados pelas indústrias de celulose sofram fiscalização mais rigorosa.
Isso porque a Arauco gastou R$ 99,6 mil para “equipamento de uso laboratorial para atender o Programa de Monitoramento da qualidade das Águas Superficiais do Estado do Mato Grosso do Sul”.