André Alvez assume cadeira 18 da Academia de Letras de MS
9 AGO 2026 • Por REDAÇÃO • 14h41A Academia Sul-mato-grossense de Letras (ASL) recebeu, na noite de sábado (8), seu mais novo integrante. Em cerimônia realizada na sede da instituição, o cronista e romancista André Alvez tomou posse da cadeira nº 18, anteriormente ocupada pelo escritor Augusto César Proença, corumbaense falecido em 2023.
“Olho ao lado e vejo nomes que para mim são referência, muitos dos quais tenho o prazer da convivência e posso, para meu orgulho, chamar de amigos. Vejo-os como patrimônios de nossa cultura, gente séria, que de fato trabalha e zela pela preservação de nossa literatura”, afirmou em seu discurso o novo acadêmico.
Alvez também dedicou a posse ao universo literário que construiu ao longo de sua trajetória, lembrando personagens que marcaram sua obra e reafirmando sua ligação com Campo Grande. “Entram comigo nesta casa os meus personagens, Vladimir de La Mancha, São Damião, Calixto Azoague, Edward, Natanael, Sofia, a Bruxa da Sapolândia e muitos mais. E, por fim, a minha cidade, a terra do chão vermelho, poeira e barro que estão para sempre colados nos meus pés, por inteira, nas asas das borboletas e assoprada pelo vento, a minha Campo Grande.”
Ao concluir, resumiu o significado daquele momento: “a honra abraça a emoção e sinto-me tomado pelo orgulho de à partir desse momento, pertencer à ASL”.
Guardião das palavras
A saudação em nome da academia foi conduzida pela escritora, ensaísta, pesquisadora e professora universitária Lucilene Machado, ocupante da cadeira nº 36. Em seu discurso, ela destacou a relevância da trajetória do novo confrade e sua contribuição para a literatura produzida em Mato Grosso do Sul.
Para Lucilene, André Alvez é “um guardião das palavras; sua trajetória revela um escritor atento às múltiplas formas de narrar o Mato Grosso do Sul e, sobretudo, a cidade de Campo Grande. Em sua obra, o cotidiano transforma-se em matéria literária, a memória ganha permanência e aquilo que poderia parecer banal torna-se digno de ser contado e preservado”.
Ao abordar a formação e a produção do escritor, ressaltou que “como um grande leitor, construiu uma sólida formação intelectual que se reflete tanto em suas produções literárias quanto em seus trabalhos audiovisuais. Sua escrita revela o encontro entre técnica, sensibilidade e profundo compromisso com a cultura regional”. Lucilene afirmou que “a verdadeira posse não acontece quando um escritor ocupa uma cadeira; acontece quando sua imaginação passa a habitar a instituição”.
Durante a solenidade, o presidente da Academia Sul-mato-grossense de Letras, o escritor e publicitário Henrique Alberto de Medeiros Filho, destacou que a eleição e a posse de André Alvez representam o reconhecimento de uma trajetória construída por meio da literatura e da participação constante na vida cultural sul-mato-grossense. Ressaltou sua atuação como cronista, contista e articulista, sempre presente em diferentes espaços de divulgação e valorização da produção literária do Estado.
A solenidade de posse — extremamente prestigiada — foi conduzida pelo secretário-geral da ASL, Rubenio Marcelo, que destacou o significado da chegada de André Alvez para a Academia, ressaltando a continuidade do compromisso da instituição com a valorização da literatura, da cultura e dos escritores sul-mato-grossenses.
O novo imortal
André Luiz Alvez é escritor, roteirista, pós-graduado em Literatura Brasileira pela UCDB e publicitário formado pela UNISA-SP. Nasceu e cresceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com forte ligação ao antigo bairro Amambaí; com uma sólida trajetória no cenário cultural de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um dos nomes mais ativos de sua geração, atuando como romancista, cronista, contista e palestrante. Presidiu a União Brasileira de Escritores de MS (UBE-MS) entre 2017 e 2018.
Como cronista urbano, registrou o cotidiano sul-mato-grossense no jornal Correio do Estado (Caderno B) de 2008 a 2019. Atualmente, assina a coluna semanal "Beba das crônicas" no portal Campo Grande News. Paralelamente à literatura, André possui forte inserção no audiovisual, tendo se especializado em roteiro e direção cinematográfica através de oficinas com grandes nomes do cinema nacional, como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.
Já ministrou palestras na ASL como convidado, abordando escritores como Hemingway e García Márquez. Sua infância e o imaginário transmitido por sua mãe a respeito das lendas urbanas de Campo Grande serviram para sua transição das crônicas do cotidiano para os romances de ficção e mistério. É autor de sete livros entre romance, contos e crônicas, com obras premiadas e mesmo publicadas internacionalmente, destacando-se entre eles A Bruxa da Sapolândia, e O Santo de Cicatriz e Todo bicho alado sente medo do vento; recentemente, lançou Flores azuis não vão para o céu.