REFERÊNCIA EM SANEAMENTO

INVESTIMENTO EM ÁGUA MUDA VIDAS EM CORUMBÁ E LADÁRIO COM PROJETO SOCIAL

Ganhos sociais do saneamento em MS devem alcançar R$ 82,5 bilhões em 2040, segundo estudo

29 JUN 2026 • Por REDAÇÃO • 12h16
Dona Madalena em sua casa, no bairro Potiguar. Ladário: "a gente vive agora no paraíso"

Antes de chegar às casas, o saneamento básico quase nunca aparece. Ele fica sob o chão, distante dos olhos e das manchetes. Mas é justamente essa obra invisível que vem transformando a realidade de milhares de famílias de Mato Grosso do Sul e o colocando como estado referência nacional em universalização dos serviços de água e esgoto. 

Com praticamente 80% de cobertura de esgoto atualmente, a previsão é que já em 2027 o território sul-mato-grossense atinja a marca de 90%, o que garante o status de saneamento básico universalizado.

Alcançar essa meta com antecipação de cinco anos diante do prazo definido pelo Marco Legal do setor reforça o saneamento como um dos eixos centrais de desenvolvimento, indo muito além de números positivos sobre avanços na infraestrutura: melhorar a vida das pessoas, entregando diretamente a elas algo que transforma o dia a dia.

Esse é o caso da dona Madalena Evangelista da Silva. Foi em uma manhã de 2024 que a água começou a sair com força da torneira de sua casa. Ela, diante da cena, não conseguiu conter a emoção. Aos 66 anos a moradora do bairro Potiguar, em Ladário, chorou ao ver chegar um serviço básico que para sua comunidade representava uma conquista histórica.

moradora com o gerente da Sanesul na região, Diogo Gaeta: vida sossegada ao lado dos irmãos e pomar no quintal

“Foi maravilhoso, um dia inesquecível”, lembra Madalena, que durante mais de uma década conviveu com a insegurança do abastecimento irregular. A água chegava por ligações improvisadas, sem garantia de continuidade ou qualidade. O cotidiano era marcado por filas para encher baldes, caixas d’água vazias e incerteza constante.

Vivemos no paraíso

A realidade de Madalena e muitos outros começou a mudar com um projeto social desenvolvido pelo Governo de Mato Grosso do Sul, através da Sanesul (Empresa de Saneamento), para atender comunidades em situação de vulnerabilidade e regiões onde obstáculos técnicos ou documentais dificultavam a implantação convencional da rede.

A iniciativa beneficiou cerca de 30 famílias no Potiguar e levou abastecimento regular a uma área considerada de difícil acesso por causa do terreno rochoso e da distância dos sistemas tradicionais de distribuição.

“Hoje vivemos num paraíso”, diz dona Madalena, ao resumir de forma simples o resultado do investimento público. Depois de anos convivendo com a escassez, ela hoje cultiva árvores frutíferas no quintal, mantém a casa abastecida e observa a transformação do bairro onde escolheu viver.

Projeto social da Sanesul introduziu as muretas com ramais para logradouros onde a rede não chega por limitações técnicas

O impacto do trabalho governamental ultrapassa o conforto doméstico. Trata-se de uma política pública diretamente ligada à saúde, à prevenção de doenças, à valorização do meio ambiente e à dignidade humana. "O bairro não tinha praticamente nenhuma infraestrutura. A chegada da água representou um marco para a comunidade e para a saúde das famílias", resume a equipe técnica responsável pelo atendimento da região.

Frutos dos investimentos

A transformação observada no Potiguar se repete em outras localidades sul-mato-grossenses. Segundo o Instituto Trata Brasil, a estratégia desenvolvimentista do Governo do Estado deve render R$ 82,5 bilhões em ganhos sociais - que são os recursos economizados em setores como a saúde e o aumento da produtividade de forma em geral - para Mato Grosso do Sul. 

O valor soma R$ 41,7 milhões já alcançados em um primeiro ciclo, entre 2005 e 2024, com a projeção de um segundo, iniciado em 2025 e com fim em 2040, que deve chegar aos R$ 40,8 bilhões.

Tais resultados são frutos diretos do investimento e operação eficaz do serviço de saneamento básico sob administração estadual, com fornecimento de água tratada e esgotamento sanitário para as famílias sul-mato-grossenses nas áreas atendidas pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul).

Descendentes de ex-escravos, pescadores Paulo Correa e a esposa Denise ao lado do tanque com água: "agora melhorou 100%"

"Isso que estamos vendo é a mudança real na vida das pessoas, levando até elas bem-estar e dignidade como cidadãos. Nosso prazo interno para universalização é 2028, mas eu já cito 2027 para conquistar essa meta. Seremos o primeiro estado do Brasil a ter saneamento básico universalizado, algo alcançado com o esforço de muitos envolvidos nesse processo", destaca o governador Eduardo Riedel.

O estudo do Instituto Trata Brasil foi divulgado nessa semana e dimensionou o impacto financeiro e social da ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário. Entre os números, foi apontado, ainda que descontados os custos de investimento e operação, o saldo líquido permanece amplamente positivo. 

No ciclo anterior (2005-24), o ganho líquido se aproxima de R$ 20 bilhões. Já no ciclo atual, a projeção indica cerca de R$ 26 bilhões de saldo positivo, reforçando a eficiência econômica do modelo adotado.

Uma mureta: água é vida

O estudo destaca ainda a relação direta entre investimento e retorno social: a cada R$ 1 aplicado em saneamento, o Estado gera R$ 5,90 em benefícios para a sociedade - valor esse acima da média nacional, estimada em R$ 4,10.

“Agora é outro nível, temos água sem interrupção nas torneiras. Melhorou nossa vida 100%”, afirma o pescador profissional Paulo Correia, de 48 anos, morador da comunidade quilombola Campos Correia, de Corumbá. Lá, a população também viu a rotina mudar após receber abastecimento regular de água.

Adriana Santos com a neta Eloá, no alto da encosta, entre o Rio Paraguai e a comunidade quilombola: "a água é tudo para nós"

Filho dos fundadores da comunidade, ele recorda que a água chegava apenas por conexões improvisadas e frequentemente durante a madrugada. Hoje, cada residência possui seu próprio acesso ao sistema. “Antes era muito difícil. Não tinha pressão, a água chegava só à noite. Agora temos segurança e tranquilidade”, relata.

Já a pescadora Adriana Santos, moradora da comunidade, resume a importância da conquista em uma frase simples: “A água é vida”.

“Passamos muitas dificuldades aqui sem água”, complementa a pescadora ao relatar os desafios severos enfrentados pela sua comunidade para ter o fornecimento regular de água potável e outros serviços básicos devido a conflitos fundiários e falta de titulação do território.

“Foram tempos difíceis, a água, quando chegava, era racionada, vinda dos vizinhos de uma alameda, enquanto a gente lutava para regularizar uma situação que parecia impossível”, completa a moradora, que nasceu na comunidade fundada no início dos anos de 1970.

Em 2023, a Sanesul garantiu o acesso a água potável, cuja rede estava a poucos metros, abastecendo residências de diferentes padrões. A solução definitiva veio através de projeto social que contempla territórios como limitações técnicas ou documental. Uma mureta com caixas protetoras para hidrômetros ramificou uma rede por mangueiras até a comunidade.