PORTO ESPERANÇA

LHG PROMETE SUSPENDER TRANSPORTE DE MINÉRIO POR CAMINHÕES COM NOVO PORTO

Opção pela ferrovia deve eliminar, definitivamente, os impactos com o intenso tráfego na BR-262 e no distrito

12 JUN 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 10h02
Comboio de bitrens na BR-262, em direção ao terminal de Porto Esperança: insegurança e danos ambientais - Fotos: Silvio de Andrade

A expansão da área operacional do Porto Gregório Curvo pela mineradora LHG Mining, no distrito de Porto Esperança (85 km de Corumbá), com investimentos de R$ 1,9 bilhão, vai tirar de circulação os 300 caminhões que diariamente circulam com cargas de minério de ferro entre as minas do Morro de Urucum e o terminal, gerando impactos ambientais e tráfego intenso pela rodovia BR-262 e acessos intermediários.

A empresa subsidiária do grupo J&F Investimentos apresentou o projeto de ampliação do porto, durante audiência pública realizada na noite de ontem (11), em Corumbá, e anunciou que o transporte de minério passará a ser feito exclusivamente pela antiga ferrovia Malha Oeste. O ramal de 46 km, hoje inativo por abandono da concessionária Rumo, se estende da estação Maria Coelho, na borda da morraria, ao pátio do porto, na margem esquerda do Rio Paraguai.

Porto Gregório Curvo passará por grandes transformações tecnológicas para exportar 15 milhões de toneladas de minério. Foto: Fábio Marchi

“O projeto de expansão só existirá se tivermos a ferrovia”, disse Rodrigo Dutra Amaral, diretor de Sustentabilidade da mineradora. “Mas temos a plena convicção de que os trens voltarão a circular”, completou, afirmando que a viabilidade do modal se dará por uma das três alternativas: nova concessão do tronco pelo governo federal e participação da LHG como sócio investidor ou assumindo integralmente a recuperação do ramal.

Três anos de obras

Hoje com uma produção anual de 12 milhões de toneladas de minério de ferro, das quais 5,5 milhões foram exportadas pelo porto, a empresa decidiu no ano passado suspender o contrato com a Rumo alegando alto custo do transporte ferroviário, optando pelo rodoviário. O movimento de caminhões aumentou os riscos de acidentes na rodovia e vem provocando transtornos, como poeira excessiva, aos moradores do distrito.

Rodrigo Amaral, diretor de Sustentabilidade da LHG: "sem ferrovia não tem projeto de expansão do porto"

Os investimentos na ampliação e modernização do terminal, que opera desde a década de 1970, são essenciais para atender as projeções da LHG de chegar a 25 milhões de toneladas/ano da matéria prima. O Gregório Curvo terá capacidade para carregar 15 milhões de tonelada/ano, com quatro sistemas de embarque. A estocagem de minério passará de 750 mil toneladas para 1,5 milhão de toneladas.

A retirada dos bitrens da 262, no entanto, vai ocorrer somente em 2029 – prazo estimado para conclusão das obras, que vão concentrar 1.640 trabalhadores. Até lá, a empresa garante executar monitoramento e compensação ambiental previstos no Eia/Rima (Relatório de Impacto Ambiental) do projeto (apresentado na audiência pública), como controle dos recursos hídricos, da fauna e flora e dos ruídos, vibrações e poeira que perturbam o povoado.

André Borges, do Imasul, abriu a audiência pública e declarou, ao final, que o projeto é viável e deve eliminar problemas atuais

A proposta de expansão inclui a introdução de novas tecnológicas na área de produção, como a instalação de uma esteira rolante de 12 quilômetros para transportar o minério desde as minas até a estação de Maria Coelho. O sistema vai retirar 50 caminhões que transitam diariamente no trecho, causando danos ambientais e, muitas vezes, impedindo o ir e vir dos moradores devido ao congestionamento que ocorre na estrada estreita. 

Soluções concretas

Durante a audiência pública, o diretor de Sustentabilidade da LHG garantiu que a modernização do porto, com a adoção de tecnologias e práticas alinhadas aos mais elevados padrões ambientais, vai refletir não apenas na economia e geração de empregos. “Teremos maior segurança operacional, redução de impacto sobre o meio ambiente e significativa melhora no desempenho socioambiental do empreendimento”, disse Amaral.

Audiência pública atraiu grande público ao Centro de Convenções do Pantanal e suscitou grandes discussões

A apresentação do Eia/Rima, que subsidiará o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) na liberação do licenciamento ambiental do empreendimento, atraiu grande público ao auditório do Centro de Convenções do Pantanal, entre autoridades locais, ambientalistas, ongs e moradores de Porto Esperança. O relatório aponta que os impactos previstos durante a obra e na operação do porto estão dentro dos limites da legislação ambiental.

Presente ao evento, o diretor-presidente do órgão ambiental, André Borges, disse que a proposta da LHG traz soluções concretas para muitos problemas que ocorrem com o transporte rodoviário. “Hoje as soluções são paliativas e vão acabar somente com a saída dos caminhões”, comentou. Segundo ele, o relatório é positivo, “ao criar perspectivas de eliminar os impactos atuais”, e passará agora por análise técnica do Imasul.