Socorro chega ao Castelo após desbloqueio de baía
10 JUN 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 11h46Os ribeirinhos da Baía do Castelo, uma comunidade de pecuária e turismo de pesca do Pantanal distante 100 km pelo Rio Paraguai de Corumbá, alertaram que os equipamentos (dois barcos) enviados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) demoraram a chegar à região e não há mais o que fazer: o baceiro (acumulo de camalote) que bloqueava o canal de acesso desde março foi arrastado pela correnteza para o rio.
As embarcações estão ancoradas há duas semanas na margem da baía sem nenhuma função, já que a comunidade se uniu e buscou soluções para sair do isolamento, segundo o pecuarista Oséias Araujo. “O acesso foi reaberto com esforço nosso e ajuda da natureza, não sabemos o que esses barcos estão fazendo aqui gastando combustível e ar condicionado torando noite e dia. Avisamos que não precisava mais vir”, disse Araujo, um dos líderes da comunidade.
A superintendência do Dnit em Campo Grande confirmou que os equipamentos estão no local “para atuar na desobstrução da baía”. Porém, alega que o nível do rio continua subindo e não há prazo para conclusão do serviço. “Depende da quantidade de vegetação que ainda se encontra enraizada no leito do canal”, informou.
Novo bloqueio
Segundo os moradores, os barcos estão movimentando camalotes presos em um corixo, os quais não interferem na baía. “Estão mexendo numa área de campo e esse camalote vai se juntar a nova formação de baceiro, que deve ocorrer até o fim do mês na entrada da baía, que é estreita. Quando isso ocorrer, com a volta do vento sul e a pressão da correnteza, com certeza esses barcos não vão estar aqui para intervir”, adverte Araujo.
“Se isso ocorrer, vai trancar de novo o canal e vamos ficar isolados. Infelizmente, essa é a realidade, estamos sem apoio”, completa. Araujo lembrou que em março, para chegar ao rio, a comunidade improvisou a abertura de uma estrada de oito quilômetros, circundando a morraria da região. “Ninguém imagina o nosso sacrifício para escoar a produção e trazer o abastecimento da cidade para nossas propriedades.”
O fechamento do canal – único meio de acesso à região – é um fenômeno natural, que ocorre também em outras áreas de influência do Rio Paraguai, ou mesmo no leito deste, em trechos estreitos e pouco navegáveis. Composto principalmente por gramíneas, camalotes (aguapés) e raízes, o baceiro pode criar "ilhas flutuantes" com solo denso, capaz de sustentar uma pessoa, provocando desafios logísticos e ambientais.