CORUMBÁ

ÓRGÃOS AMBIENTAIS E ESPECIALISTAS INICIAM OPERAÇÃO PARA CAPTURA DE ONÇA-PINTADA

28 ABR 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 10h15
Onça-pintada ronda uma residência próxima ao Mirante da Capivara: ocorrência registrada no dia 23 de abril - Fotos: Divulgação

Uma força-tarefa integrada por biólogos, veterinários, forças policiais e organizações ambientais colocou em ação um plano para captura da onça-pintada (Panthera onca) que foi vista circulando pela região do Mirante da Capivara, no bairro Dom Bosco, em Corumbá, na madrugada do último dia 23. O felino predou dois animais domésticos – uma cadela, de nome Ana, e uma galinha –, invadiu o quintal de uma residência e levou pânico aos moradores.

A presença de onça na área urbana da Capital do Pantanal tem se tornado uma rotina nos últimos anos – seja pela seca severa ou cheia no bioma e a facilidade de predar animais domésticos. Corumbá é o maior município pantaneiro (cerca de 90% do seu território, de 64 mil km²), tendo o Rio Paraguai como divisor entre a concentração urbana e o ambiente selvagem. O animal atravessa o rio e encontra um lugar propicio com alimentos.

A região urbana de maior atração ao felino situa-se entre o rio e os bairros da Cervejaria, Generoso e Dom Bosco, onde há mata fechada e circulação de animais domésticos soltos, muitos dos quais foram mortos nesse mesmo período do ano passado, além da concentração de lixo e pouca iluminação. Muitos moradores ocupam áreas invadidas nas encostas e agora contam com iluminação pública e foram orientados a descartar o lixo corretamente.

Polícia Militar Ambiental faz monitoramento diário nas redondezas da região onde o animal foi avistado

Captura: processo lento

Com o registro da presença da onça-pintada no dia 23, a Polícia Militar Ambiental (Pma) e o Prevfogo (unidade do Ibama que mantém uma base na cidade) passaram a monitorar a região, durante 24 horas, e a confirmação da circulação do animal ocorre apenas por relatos dos moradores. O grupo técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário informou que as ocorrências de onça no perímetro urbano vêm sendo acompanhadas desde o ano passado.

O grupo é formado por instituições como o IBAMA, CENAP/ICMBio, PMA, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil de Corumbá, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Jaguarte e pesquisadores. Um dos integrantes como autônomo e especialista em felinos, o veterinário Diego Viana explica que a captura do animal depende de condições específicas, como o eventual confinamento em estruturas ou sua entrada em armadilhas adequadas.

“Portanto, trata-se de um processo que exige tempo, monitoramento contínuo e condições favoráveis para garantir a segurança de todos os envolvidos e o bem-estar do animal”, disse. “Nesse contexto, a colaboração da população é fundamental”, completa, apelando para os moradores mantenham seus animais domésticos protegidos, especialmente no período noturno, e comuniquem imediatamente as autoridades em caso de avistamentos.

Animais domésticos soltos ao lado do Mirante da Capivara: presas fáceis e atrativos alimentares para a onça

A força-tarefa para captura do felino ganhou esta semana o reforço de seis médicos veterinários e três biólogos e está sendo feita uma varredura diária pela região de maior incidência da presença de onça. Mas o sucesso da operação, segundo Diego Viana, “não depende exclusivamente da captura do animal, mas também do engajamento da população na adoção de medidas preventivas que reduzam a atratividade do ambiente”.

Moradores: responsabilidade

Ele reforça que a responsabilidade sobre os animais domésticos é integralmente dos seus tutores. Essa responsabilidade não se limita apenas ao risco de predação por onças, mas envolve também obrigações legais relacionadas ao bem-estar animal, à saúde pública e à segurança coletiva.A legislação brasileira estabelece que os tutores devem garantir condições adequadas de manejo, abrigo, alimentação e proteção dos animais, evitando que permaneçam soltos ou em situação de vulnerabilidade.

“Animais domésticos soltos, especialmente em áreas de ocorrência de fauna silvestre, aumentam significativamente o risco de conflitos, funcionando como atrativo alimentar para predadores como a onça-pintada”, adverte Viana. “Esse cenário é amplamente reconhecido na literatura científica como um dos principais vetores de aproximação de grandes felinos a áreas urbanizadas ou periurbanas”, completa, cobrando o envolvimento dos moradores no controle da situação conflitante.