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Servidores do Estado protestam por aumento abaixo da inflação

31 MAR 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 13h52
Foto: Investigams

Embora reagindo apenas depois que o aumento de 3,81% concedido pelo Governo do Estado foi aprovado pela Assembleia Legislativa (Alems) e publicado no Diário Oficial, os servidores públicos estaduais protestaram contra o percentual abaixo da inflação, na manhã desta terça-feira, 31, no plenário do Legislativo. 

Diversas categorias, como professores, policiais, servidores do Detran-MS e profissionais da saúde estiveram na sessão da Alems – cerca de 250 trabalhadores -, pedindo reposição acima da inflação e acusando o governo pela falta de negociação. Muitos gritavam palavras de ordem, como “fora, Fiems”, acusando o setor industrial de receber benesses em isenções fiscais enquanto os servidores são penalizados com baixos salários.

Organizado pelo Fórum Estadual dos Servidores, o ato reuniu representantes de diversas categorias, incluindo educação, segurança pública e saúde, com participação de sindicatos como Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis). 

O coordenador do fórum, Ricardo Bueno, afirmou que a principal crítica é a falta de negociação com as categorias. “O reajuste veio sem diálogo. Ninguém foi ouvido. O governo simplesmente enviou a revisão geral”, disse.

Ele também questionou a política fiscal do Estado. “Como o governo alega dificuldade financeira e, ao mesmo tempo, concede isenções fiscais que passam de R$ 11 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões? Esse valor é maior do que o investimento em áreas como saúde, educação e segurança”, afirmou.

Perdas nos últimos anos

Conforme Mário Jurado, vice-presidente do Sinpol, o protesto busca chamar a atenção do governo para as perdas salariais acumuladas nos últimos anos. Ele afirma que o reajuste de 3,81% não recompõe o poder de compra dos trabalhadores. 

“O índice segue dados oficiais e não é isso que estamos questionando. O problema é que ele não reflete as perdas reais que tivemos ao longo do tempo. No ano passado, a reposição foi de pouco mais de 5% e, agora, 3,81% continua abaixo do necessário”, explicou.

Mário destaca que a defasagem salarial vem de anos anteriores. “Se considerarmos os últimos anos, houve perdas que nunca foram recuperadas. Isso impacta diretamente o poder aquisitivo do servidor”, completou.

De acordo com ele, a mobilização também busca pressionar pela retomada do diálogo com o governo, mesmo após a sanção da lei. “A reposição da inflação é importante, mas precisa ser compatível com o que foi perdido. Nossa intenção é negociar para avançar nesse ponto”, completo, em entrevista ao Campo Grande News.

O reajuste foi aprovado pela Assembleia Legislativa na semana passada e sancionado pelo governador Eduardo Riedel (PP) na segunda-feira (30), com efeito a partir de 1º de abril.

A medida abrange cerca de 86 mil servidores ativos e inativos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de aposentados, pensionistas, militares estaduais inativos e instituições com autonomia financeira, como o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e a Defensoria Pública.