UM FESTIVAL QUE CELEBRE OS LAÇOS FRONTEIRIÇOS E SEJA UM FORO DE DISCUSSÕES
Programado para 14 a 17 de maio, evento anunciará em abril as principais atrações
21 MAR 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 17h03A comunidade envolvida com a cultura corumbaense e da fronteira cobrou uma programação mais diversificada e voltada para as manifestações locais e uma maior participação dos países latinos, como foi o Festival América do Sul (FAS) nos seus primórdios. O governo do estado, promotor do evento, ouviu as propostas durante a audiência pública realizada na sexta-feira, 20, em Corumbá, e deve anunciar a programação em abril.
Pelo menos nos discursos, ficou o compromisso de realizar “um festival mais assertivo”, como se pronunciou o secretário estadual de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, que deixará a pasta para ser candidato a deputado estadual. Mas, à frente do festival, estará o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Eduardo (Edu) Mendes, para quem o coração da América do Sul pulsa em Corumbá, “a cidade única que agrega patrimônio e raízes culturais”.
As propostas apresentadas durante a audiência pública, que mostrou a expressiva representatividade dos ativistas culturais ao lotaram o auditório do Centro de Convenções do Pantanal, vão espelhar a 19ª edição do FAS, assim disseram os organizadores. O formato, no entanto, não deve diferenciar muito do evento do ano passado, que marcou a volta do festival para onde nasceu, no início do século, e não deveria ter saído: o Porto Geral.
Será em maio, e pronto!
A comunidade teve liberdade para se expressar e opinou sobre a programação, a estrutura e outros aspectos do festival, como questões como repasses de recursos, que sempre atrasam, e maior presença dos vizinhos bolivianos. A partir da ideia de ampliar o diálogo entre a organização do evento e a população, a programação ganhou uma dinâmica mais local e fronteira, sem os “enlatados” colocados goela abaixo em edições anteriores.
“Esse momento de diálogo é essencial para que possamos construir um evento cada vez maior, à altura da cultura corumbaense”, afirmou a diretora-presidente da Fundação de Cultura de Corumbá, Wanessa Rodrigues, destacou o caráter democrático do festival e a valorização da diversidade cultural local. “A contribuição de cada um é fundamental para aprimorar o evento e garantir um festival ainda melhor”, reforçou o prefeito Gabriel de Oliveira.
Apesar de ter sido mutilado a partir do governo de André Puccinelli, deixando de ser um evento também de discussões de grandes temas latinos e contar com a presença de estrelas da música do continente, o festival sobrevive e ainda é considerado um dos mais expressivos dentro do circuito nacional e transfronteiriço. A audiência do dia 20 sacramentou a data (será mantido no mês de maio), depois dos equívocos de realizá-lo durante os 40 graus do verão.
Momento democrático
O governo tem uma leitura clara sobre a importância da audiência pública na definição de detalhes como alimentação e hospedagem: “A gente não veio aqui para falar, a gente veio aqui para ouvir vocês e dialogar a partir das contribuições apresentadas”, afirmou Edu Mendes. “A audiência é um momento democrático que permite construir um festival mais assertivo, a partir das contribuições da comunidade”, pontuou o secretário Marcelo Miranda.
Edu Mendes adiantou que o festival está praticamente alinhado, dependendo das reformulações na tela das atividades após as discussões na audiência pública, e terá grandes atrações nacionais nos quatro dias, cujas contratações estão praticamente fechadas (falta a assinatura dos contratos) e serão anunciadas em abril. Ele disse que a logística, com o retorno dos voos a Corumbá, facilitou as negociações, enquanto em 2025 foi um fator complicador.
A audiência pública reuniu autoridades, agentes culturais e a população para a apresentação de propostas e a coleta de sugestões voltadas ao aprimoramento do evento. Representando a Câmara Municipal, o vereador Hesley Sant’Ana, da Comissão de Cultura, ressaltou o papel da população na identidade do evento. “O festival ganhou ainda mais força com a participação dos corumbaenses, que sabem receber e valorizar a cultura”, declarou.