"Seo" Lúdio e o "comunista" Fausto Matto Grosso
18 FEV 2026 • Por FAYEZ FEIZ JOSÉ RIZK • 12h08Um certo sábado do ano de 2.002, eu voltava de meu trabalho com favelas em João Pessoa e, na hora do almoço, no aeroporto de Brasília, encontrei o então senador Lúdio Coelho, acompanhado de dona Nilda.
Efusivamente nos cumprimentamos, afinal “seo” Lúdio foi meu primeiro patrão, era seu contínuo particular no Banco Financial e me chamava carinhosamente de “turquinho”. Aliás, foi meu eleitor e cabo eleitoral na minha única e derradeira (irreversível!) tentativa de me tornar vereador em Campo Grande.
Quando estávamos conversando chegou o também saudoso Fausto Matto Grosso Pereira, naquela ocasião ex-vereador. Também com Fausto tive uma ligação que transcendeu a política, já que nossos pais eram muito ligados, tornando esse notável homem público uma fonte de parceria em lutas democráticas e de defesa de nossa cidade.
Ficamos ali numa conversa amena e agradável por cerca de dez minutos, até que o Fausto pediu licença e se retirou para continuar a leitura de um livro.
Quando se afastou, “seo” Lúdio me disse: esse foi o melhor vereador da história de Campo Grande. Fiquei surpreso e disse: mas ele foi seu adversário e crítico ferrenho quando o senhor foi prefeito...
“Seo” Lúdio deu um sorriso e com a sua conhecida sabedoria disfarçada de “caipira” disse: “Pois é, ele foi o meu melhor adversário, jamais me atacou pessoalmente e suas críticas educadas e construtivas me ensinaram onde eu estava errando e devo muito a ele o sucesso da minha administração”.
Nesses tempos de polarização fica essa lição: adversários não são inimigos, as críticas devem ser embasadas no conhecimento e estudo da realidade – como o Fausto sempre fez – e não no “achismo” dos grupos de “zap-zap” das tias, ou na idolatria de mitos e ídolos, de qualquer espectro político, ou na mistura execrável de (falsa) religião e política partidária.
E pior, como disse Umberto Eco: “As redes sociais deram o direito de falar a legiões de imbecis que antes só falavam no bar, depois de um copo de vinho, sem prejudicar a coletividade.”
São os famosos idiotas da aldeia...
Campo Grande – e o Brasil - estão necessitando de uns Lúdios Coelho e Faustos Matto Grosso.
E como!!!
(*) Arquiteto, urbanista e músico