BONS VENTOS

COM AS FINANÇAS EQUILIBRADAS, CORUMBÁ PROJETA UM ANO DA VIRADA E CRESCIMENTO

Parte dos recursos do CAF vai quitar dívida com o Fonplata; juros altos somam R$ 30 milhões/ano

5 FEV 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 08h47
Quarta maior cidade do Estado, Corumbá é penalizada nas últimas décadas por más administrações e evasão de moradores - Foto: Silvio de Andrade

Com redução populacional nos últimos anos e estagnação econômica, por conta da falta de perspectivas de desenvolvimento, geração de empregos e projetos relevantes, Corumbá entra em 2026 com um cenário favorável para a reconstrução prometida pelo prefeito Gabriel Alves de Oliveira (PSB), 43. 

Com as finanças equilibradas, a cidade está pronta para receber investimentos para grandes projetos este ano, que devem passar de meio bilhão de reais. Gabriel recebeu a prefeitura com uma dívida vencida de R$ 36 milhões e “devastada ao longo de sete anos pela corrupção, incompetência administrativa e obras inacabadas”, como declarou na posse. 

Médico, eleito com mais de 56% dos votos, seu grande desafio será tirar Corumbá do isolamento político, da desigualdade social e da economia fragilizada, indicadores que refletem na migração interna e na baixa autoestima dos corumbaenses. 

A aliança política e as articulações com os governos federal e estadual e bancada federal começam a render dividendos. Com o apoio da ministra do Planejamento, Simone Tebet, o município teve aprovada uma linha de crédito de US$ 40 milhões (cerca de R$ 209 milhões) junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF). Entre projetos federais e emendas parlamentares, devem ser captados mais de R$ 150 milhões.

Ao lado da ministra Simone Tebet e do governador Riedel, o prefeito busca captar novos investimentos para a cidade. Foto: Bruno Rezende

Centro Tecnológico

O governo estadual iniciou a obra da nova maternidade (10 mil m²), no valor de R$ 80 milhões, em anexo ao Hospital Regional (R$ 100 milhões), a ser construído a partir desse ano, e a Sanesul vai investir R$ 66,2 milhões na modernização da rede de água e esgoto. 

Outra obra estadual relevante em infraestrutura será a construção de um sistema de contenção de alagamentos na parte alta, problema crítico da cidade, ao custo de R$ 25 milhões, em fase de licitação.

Com os recursos captados junto ao CAF, o município vai implantar um Centro Tecnológico de 6.000m², para atrair investimentos em ciência, tecnologia e inovação e gerar oportunidades aos corumbaenses; construção do Parque Linear na antiga estação ferroviária, hoje abandonada, e levar 100% de asfalto aos bairros. 

A cidade também se preocupa com seu patrimônio arquitetônico e R$ 40 milhões federais, via Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), foram recuperados pela atual gestão para restaurar seis prédios históricos e reurbanizar a orla portuária. “Será um ano de muitas entregas e resgate da nossa autoestima, com a oferta de uma saúde e educação de qualidade e uma cidade para se viver bem”, diz o prefeito. 

Gabriel, ao lado do deputado Paulo Duarte e da vice Bia Cavassa: alinhamento político. Foto: Divulgação

“O ano de 2025 foi muito difícil, cada dia matando um leão”, lembra ele, citando as medidas duras que tomou (e estão em vigor), como redução de até 25% dos valores de contratos e licitações, renegociação de serviços e obras, corte de privilégios de servidores, controle rigoroso das despesas e suspensão de nomeações.

Um gás à receita

No ano passado, além das dívidas vencidas, incluindo ações judiciais e um rombo na Santa Casa, sob intervenção do município desde 2010, a nova gestão remou contra a queda de arrecadação de ICMS e outras fontes de custeio (repasses foram 45% a menor em relação a 2024) impactando na quitação da folha de pessoal. 

Outro revés foi a redução drástica (R$ 10 milhões em comparação a 2024) do CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) com a produção triplicando nas minas da morraria do Urucum.

Enquanto se discute a sonegação das mineradoras, cuja fiscalização da “caixa preta” foi cobrada pelo deputado estadual Paulo Duarte (PSB) ao governo federal, o ano que se inicia traz boas notícias para Corumbá: a Petrobras vai retomar em grande escala a importação (cerca de 20 milhões de m³/dia) do gás boliviano, que entra no país pelo município pantaneiro. 

Saúde e educação são as prioridades da nova gestão, com avanços significativos em 2025 na área de atendimento médico

Isso significa que o ICMS do combustível voltará a patamares expressivos, depois de cair de 23% para 9% o montante que incide na arrecadação do Estado.

“A retomada das importações do gás traz boas perspectivas para aumento da nossa receita, cujo índice hoje representa pouco”, aponta Gabriel de Oliveira, que destinou metade do orçamento de 2026 (R$ 1 bilhão) para a educação, saúde e infraestrutura. 

O bairro Cristo Redentor vai ganhar uma escola de período integral. Obras paralisadas de unidades de saúde e o Centro de Saúde da Mulher, entre outras, estão sendo retomadas e uma UTI Neonatal está entre as prioridades para ampliar o atendimento médico especializado à população, que agora conta com uma plataforma digital para acessar todos os serviços disponíveis.