Estado investe mais nas escolas de samba da Capital
12 JAN 2026 • Por SILVIO DE ANDRADE • 11h21A Fundação de Cultura do Estado formalizou, na última sexta-feira (9), o repasse de recursos financeiros ao carnaval de Campo Grande e Corumbá, no valor de R$ 2,52 milhões. Embora o carnaval de rua da Cidade Branca seja considerado um dos melhores do interior do país – com certeza o melhor do Centro-Oeste! -, o maior volume de recursos foi destinado à Capital.
As seis escolas de samba de Campo Grande vão receber R$ 1,2 milhão, enquanto as dez agremiações de Corumbá, R$ 900 mil, valor abaixo do projetado pela Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá). Tecnicamente e considerando a tradição, a organização, o apelo popular e o potencial turístico, não se pode comparar as duas festas.
A destinação de mais R$ 420 pelo Estado ao carnaval corumbaense, totalizando R$ 1,32 milhão, não justifica o percentual a menor para as escolas de samba. Essa cota contempla os 11 blocos oficiais. As escolas, no entanto, receberam também a ajuda financeira da prefeitura, no valor de R$ 808 mil, já liberado em duas parcelas.
A nítida intenção do Estado de fortalecer o carnaval campo-grandense, acenada há alguns anos, é louvável. Porém, a iniciativa não deve refletir na redução dos investimentos em Corumbá, onde, verdadeiramente, se dança o samba no pé e os desfiles têm glamour. paixão e autenticidade, influenciados pela integração com o Rio de Janeiro.
É preciso uma rediscussão desse dinheiro repassado ao carnaval corumbaense, o que cabe não apenas aos carnavalescos que fazem a festa, mas também aos gestores públicos, lideranças políticas e envolvimento da comunidade cultural da cidade. O esvaziamento cultural local tem se evidenciado nos últimos anos, a começar pelo Festival América do Sul.