PATRIMÔNIO HISTÓRICO

RESTAURO DE COIMBRA CAMINHA PARA CAPTAÇÃO DE VERBA PRIVADA EM DEZEMBRO

7 NOV 2025 • Por SILVIO DE ANDRADE • 10h28
Mantido pelo Exército, Coimbra é forte concorrente ao título de Patrimônio Mundial pela Unesco - Foto: Saul Schramm

Para garantir maior agilidade e driblar o formalismo burocrático, facilitado pela dispensa de licitação e outros trâmites, o centenário Forte de Coimbra, em Corumbá, será restaurado com financiamento privado por meio da Lei de Incentivo à Cultura. E mais: a captação está sendo feita por uma gestora, a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (Appa), e três grandes empresas já estão em negociação para liberação do dinheiro (R$ 19 milhões).

A assinatura dos contratos está prevista para dezembro e as obras serão iniciadas de imediato, informou o presidente da Appa, Xavier Vieira, que esteve no forte em setembro, por ocasião da celebração de seus 250 anos pelo Exército. “É uma honra para a associação integrar esse processo de requalificação e contribuir para que o Forte de Coimbra continue vivo, não apenas na história, mas como símbolo do futuro do Brasil”, disse ele.

Fortidicação foi reconstruída após a Guerra do Paraguai, no final do século XIX, e apresenta estrutura deteriorada. Foto: Silvio de Andrade

O projeto tem a chancela do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e do Exército, a quem o monumento histórico pertence. A proposta é tornar o forte um atrativo cultural em potencial e ser aproveitado para diversas perspectivas de desenvolvimento local, seja na parte de defesa (segurança das fronteiras com a Bolívia e o Paraguai), quanto na parte de indução ao turismo, para a economia e educação ambiental e patrimonial.

Patrimônio da Unesco

A restauração contempla a recuperação completa de sua estrutura, preservação de madeiramentos, criação de salas temáticas, acessibilidade e manutenção de símbolos históricos, como a imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do forte. Com a conclusão da restauração, poderá ser indicado ao título de Patrimônio Mundial da Unesco, ampliando o reconhecimento de sua relevância histórica, cultural e estratégica.

“O forte pode receber esse título porque tem uma função definidora das fronteiras do Brasil Oeste, e essa é uma chancela que pode alavancar muito a imagem de Mato Grosso do Sul e trazer um turismo qualificado”, definiu o presidente da Appa. “Temos um ambiente muito propício para diversas iniciativas de negócio nesse espaço; um turismo patrimonial, turismo cultural, com turismo religioso, com turismo ambiental ou ecoturismo.”

Equipamentos bélicos, instalados em 1868, nunca foram usados: local guarda histórias de heroísmo e crenças. Foto: Silvio de Andrade

O superintendente regional do Iphan, João Santos, informou que os projetos de restauro foram elaborados respeitando os valores estéticos e culturais das edificações que compõem o forte. As intervenções buscarão melhorias estruturais, como reparos nas muralhas, edificações internas e cobertura, bem como nos sistemas hidráulico e elétrico, restauro do piso, ampliação dos quatro espaços expositivos e adaptações para garantir acessibilidade. 

Projetos similares

Xavier Vieira explicou ao Campo Grande News que o forte tem uma demanda estrutural que precisa ser melhorada, além do rico acervo, que necessita ser tratado. Outras intervenções são sinalização e acessibilidade – condição que não se limita a vencer suas escadarias, mas para que alcance referendo de patrimônio e humanidade. “Pretendemos entregar o forte restaurado e requalificado para um nível que permita um uso versátil do equipamento”, disse.

Xavier Vieira, presidente da Appa: transformar o espaço em um ponto de referência cultural para pesquisa, turismo e para eventos. 

Ele ressaltou que o Exército é uma das instituições que mais preserva o patrimônio histórico e artístico do país. Sediada em Belo Horizonte, a Appa tem mais de 32 anos de experiência em projetos similares, como a restauração da Fortaleza de São José de Macapá (AP), em andamento, e do Real Forte Príncipe da Beira (RO), também candidatos ao título da Unesco. Nos últimos anos, executou cerca 260 projetos, com investimentos de R$ 270 milhões. 

Construído em 13 de setembro de 1775 e tombado pelo Iphan em 1974, o Forte de Coimbra desempenhou um papel estratégico na defesa do território brasileiro. O local testemunhou diversos conflitos, incluindo a invasão paraguaia que marcou o início da Guerra do Paraguai, em 1864. Construído em local não planejado, às margens do Rio Paraguai, também repeliu as tropas invasoras espanholas, em 1801. Atos de heroísmo e “milagres” creditados à sua padroeira.