Fechar a fronteira contra o crime organizado é "discurso vazio"
31 OUT 2025 • Por SILVIO DE ANDRADE • 16h54Ao empossar o novo delegado chefe de Corumbá, Alexsandro Pereira de Carvalho, o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D'Angelo, declarou que não será com “discurso fácil e simplista” em defesa do fechamento das fronteiras do Brasil, em especial com a Bolívia, que o país conseguirá controlar o crime organizado.
Ele afirmou, em entrevista ao Campo Grande News, que a tentativa de “jogar o problema no colo do outro” e responsabilizar a segurança pública por situações graves, como estão ocorrendo no Rio de Janeiro, “é fazer bandeira política que só tem a contribuir para o mal”.
Carlos Henrique citou as dificuldades dos Estados Unidos, maior potência do mundo, em controlar a imigração e a passagem de drogas pela fronteira com o México, muito menor do que a extensão territorial com a Bolívia e o Paraguai. “Não podemos cair nesse discurso vazio e impróprio de que bastaria fecharmos as fronteiras ou exigir uma atuação mais digna do Governo Federal”, ponderou.
Atuação dos estados
Ele defendeu a união de esforços e integração das organizações de segurança pública, citando Mato Grosso do Sul como exemplo bem sucedido, como caminho para combater o crime organizado em todo o país. Lembrou que os estados devem atuar fortemente – responsabilidade prevista na Constituição -, se não querem a entrada de droga e outros ilícitos.
“Nós reconhecemos nossa responsabilidade, temos que aprimorar a nossa atuação, mas os estados também devem atuar forte, não é nem uma questão de ser constitucional”, pontuou, reforçando as “ações concretas” no Estado, pela integração das forças, com prisões, apreensões de toneladas de drogas e resolutividade em outros crimes, como descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção.
Fronteira e Pantanal
Abordando a questão das fronteiras de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia, o superintendente disse que as delegacias de Ponta Porã e Corumbá são estratégicas no combate ao crime organizado, cuja atuação vai reverberar em todo o resto do país. A nomeação de um delegado com experiência na região, segundo ele, demonstra a importância da Polícia Federal em Corumbá.
“Para manter esse trabalho extenuante e a sinergia, temos procurado fazer uma constante renovação numa região de grande relevância, onde, além das questões fronteiriças, temos o Pantanal, que merece atenção especial pelos crimes ambientais, os quais exigiram uma atuação muito forte no ano passado por conta dos incêndios florestais”, observou.
Em seu discurso de saudação ao novo chefe da delegacia de Corumbá, Carlos Henrique disse que entre os grandes desafios da Polícia Federal na região será concretizar a construção da nova sede da delegacia, que já tem o terreno e projeto, mas faltam os recursos (R$ 30 milhões). Para tanto, pediu o apoio da bancada federal e dos prefeitos de Corumbá e Ladário.