MALHA OESTE

Façanha: "Audiência fortalece movimento pró reativação"

21 OUT 2025 • Por REDAÇÃO • 17h04
Audiência pública reuniu lideranças políticas e sindicais e teve apoio do governador Eduardo Riedel - Fotos: Divulgação

A audiência pública realizada na manhã desta terça-feira, 21, na Câmara Municipal de Corumbá, foi considerada extremamente positiva pelo vereador Roberto Façanha, responsável pela iniciativa de se discutir, na região, o retorno da ferrovia Malha Oeste e a viabilização da rota bioceânica, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, passando pela fronteira oeste.

“Contribuiu para enriquecer o debate em torno da reativação da Malha Oeste. Corumbá nunca poderia ficar alheio a esse assunto de tão relevada importância para a nossa região”, enalteceu fazendo um agradecimento especial aos participantes o evento, que contou com posicionamentos do governador Eduardo Riedel e do secretário Jaime Verruck por videos.

Façanha se mostrou otimista em relação à implantação da Rota Bioceânica Ferroviária passando por Corumbá, encurtando distância com os países da Ásia e da Europa e gerando desenvolvimento econômico e social à região.

Disse ter sido mais uma etapa dos debates em torno da reativação da Malha Oeste entre as cidades paulistas de Mairinque e Bauru, passando Campo Grande e chegando a Corumbá, na fronteira oeste com a Bolívia, uma extensão de 1.973 quilômetros.

“Tivemos a oportunidade de conhecer com mais detalhes o projeto de concessão ou reativação da Malha Oeste; do plano do Governo Federal e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para a retomada do transporte ferroviário de cargas e, futuramente, de passageiros. Foi importante também para coletar contribuições por parte da sociedade, permitindo que representantes dos mais diferentes segmentos, inclusive de outro estado e da Bolívia, apresentasse sugestões e demandas locais que podem contribuir para ajustes no projeto; debater impactos ambientais, criação de empregos, logística regional, movimentação de cargas, e integração com portos e fronteiras, especialmente com a Bolívia”, afirmou.

Diferentes modais

Em um vídeo, o governador Eduardo Riedel destacou a importância da audiência pública para a logística do Mato Grosso do Sul, ressaltando a visão de tornar o estado mais competitivo por meio da viabilização e integração de diferentes modais de transporte, rodovias, hidrovia e, agora, a ferrovia.

Lembrou que a Hidrovia do Rio Paraguai é um desafio grande que impacta diretamente Corumbá e região, principalmente em relação ao minério, aos grãos, e que, com a reativação da Malha Oeste pode permitir uma estrutura logística que garante desenvolvimento mais sustentável, competitivo, com maior eficiência dos modais de transporte para todo o Mato Grosso do Sul.


Afirmou que esta tem sido a sua preocupação desde o início de seu mandato, destacando a importância da mobilização política de todos os protagonistas, das pessoas envolvidas na questão, e que a solução começou a se desenhar com muito diálogo, muita conversa, com o Governo Federal, Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), até chegar à definição da relicitação da Malha Oeste, prevista para 2026.

Riedel elogiou a mobilização dos atores políticos, da sociedade de uma maneira geral, do comércio, das empresas “para que a gente possa sair do papel, numa perspectiva reativar esse trecho que é crítico para o Mato Grosso do Sul”, afirmando ser parceiro na busca de alternativas e soluções para o desenvolvimento da região.

Luta antiga

O representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, ministro de carreira João Carlos Parkinson de Castro, também participou da audiência por meio de um vídeo. Disse que a conexão ferroviária da América do Sul a favor do fortalecimento da Malha Oeste é uma luta antiga, e que é necessário repensar o papel da logística nacional e regional e explorar todos os módulos de transporte.

Foi enfático ao afirmar que o transporte ferroviário é o mais adequado para movimentar a produção do Mato Grosso do Sul, e que é o único que não interliga os dois oceanos, o que é inaceitável, principalmente em relação à situação em que se encontra o Mato Grosso do Sul que, “infelizmente apresenta um quadro triste de transporte de carga muito dependente de rodovias, 80%”.

Acrescentou que a reativação da ferrovia vai permitir minimizar desgastes das rodovias, e que o Mato Grosso do Sul, um estado produtor, se transformará em um estado exportador com a reativação da Malha Oeste e com a integração ferroviária do Brasil, uma logística multimodal, com rodovias, ferrovia e hidrovia, que não são competitivos, são complementares.

Meios de transporte

O presidente da Câmara, Ubiratan Canhete de Campos Filho, Bira, relembrou o período em que o único meio de transporte entre Corumbá e Campo Grande era o trem da Noroeste do Brasil, e que fez a primeira viagem de ônibus após a adolescência.

“Hoje, a realidade, infelizmente, é outra, e estamos discutindo aqui, a reativação da ferrovia e, acredito, o retorno do romântico trem do Pantanal, de passageiros. Mas, o importante de tudo é que estamos debatendo um assunto extremamente importante que a recuperação da Malha Oeste, uma importante alternativa para Corumbá escolar sua produção mineral pela ferrovia até o Pacífico, e de lá para a Asia e Europa”, enfatizou.

A audiência pública teve a duração de quatro horas. Foi aberta pelo presidente Bira que, logo em seguida, passou a direção dos trabalhos para o vereador Roberto Façanha. Além dos dois, fizeram parte da mesa diretora Elton Gobi, representando a prefeitura de Bauru; secretário Marcos de Souza Martins, representando o prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira; Estela Almagro, vereadora de Bauru; Mauricio Montero Yorge, prefeito de Puerto Suarez (Bolívia); e Roberval Duarte, coordenador geral do Sindicato dos Ferroviários da Noroeste do Brasil.

Também presentes os vereadores Jovan Temeljkovitch, Marcelo Araújo, Genilson José, Alexandre Vasconcellos e a vereadora Nanah Cordeiro.