EM DEZEMBRO

MOINHO IN CONCERT 2025 MERGULHA NAS ROTAS ANCESTRAIS DO PEABIRU

"Esse é o momento de transformar caminhos invisíveis em movimento, música, dança e cena"

17 AGO 2025 • Por REDAÇÃO • 06h27
"Guadakan", um dos últimos espetáculos do Moinho Cultural, chamou a atenção do mundo para o problema ambiental do fogo no Pantanal - Foto: Divulgação

O Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, em Corumbá, dá início à criação do Moinho in Concert 2025, espetáculo que celebrará, em dezembro, o encerramento do ano das atividades culturais do Instituto. 

Sob direção geral e artística de Márcia Rolon, que apresentou o tema e conduz o processo criativo, a montagem propõe uma travessia poética, sensorial e espiritual pelos Peabirus, antigos caminhos sagrados dos povos originários em busca da “Terra Sem Mal”, conectando essa jornada aos jogos de amarelinha, numa metáfora sobre autoconhecimento, pertencimento e superação.

“Estamos alinhavando um novo caminho de Peabirú, como o sonho e o jogo de amarelinha, com a intenção de levar todos para o seu próprio céu. É um espetáculo construído a muitas mãos, com artistas, crianças, jovens, educadores e parceiros, em um processo vivo e cheio de trocas”, destaca Márcia.

Entre as contribuições para essa narrativa está a do artista visual boliviano Leoni Antequera, que trouxe o conceito da Amarelinha da Vida, conectando seu trabalho plástico ao Caminho de Peabiru e criando a analogia que estrutura toda a construção cênica.

Arce Correia, Márcia Rolon, Beatriz Almeida e Fernando Martins

Convidados

Nesta etapa, o Moinho recebe artistas convidados que somam suas trajetórias ao projeto. O sul-mato-grossense Arce Correia atua como ator, diretor e compositor, agregando experiência em teatro, dança, poesia e música. Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, com licenciatura e bacharelado em teatro pela Anhembi Morumbi, Arce atua profissionalmente desde 1998 e é conhecido pela criação da personagem de humor Maria Quitéria e pelo espetáculo musical Alinhavo, baseado em seus textos poéticos.

No campo da dança, o coreógrafo Fernando Martins descreve o processo como “uma travessia poética, sensorial e espiritual, inspirada na antiga trilha do Caminho de Peabirú, que convida a refletir sobre a conexão entre povos, culturas e histórias, entre o sagrado e o cotidiano”. Ele destaca o diálogo intenso com a Companhia de Dança do Pantanal, formada por jovens artistas locais, cuja escuta e entrega têm se transformado em movimento e criação.

A coreógrafa e ex-primeira bailarina do Stuttgart Ballet, Beatriz Almeida, referência internacional na dança e madrinha do Moinho Cultural, também integra o time, garantindo excelência artística e potência expressiva nas coreografias. 

A flautista Celina Charlier soma sua sensibilidade musical à construção de paisagens sonoras que dialogam com a temática do espetáculo.

Preparação artística para o espetáculo no fim do ano

Memória coletiva

Com a participação de mais de 500 artistas — incluindo orquestra ao vivo, bailarinos, crianças e jovens atendidos pelo Instituto, além do Coral de Santa Cruz/BO —, o Moinho in Concert 2025 estrutura-se a partir da analogia entre a travessia ancestral e os jogos de amarelinha, explorando formas como a caracol e a cruzada, que simbolizam caminhos de autoconhecimento, pertencimento e superação.

A estreia será em dezembro, nos dias 6 e 7, como uma celebração da arte, da memória coletiva e da força criativa que conecta gerações e territórios. Uma grande produção colaborativa que resgata e reinventa saberes tradicionais por meio da arte contemporânea, convidando cada espectador a trilhar o seu próprio caminho em direção ao céu.

Peabiru: saiba mais

O Caminho do Peabiru é uma antiga rota de trilhas indígenas que atravessa o continente sul-americano, conectando o Oceano Atlântico ao Pacífico. Essa rede de caminhos, com mais de 3.000 anos de história, se estende desde o litoral do Brasil até o Peru, passando por Paraguai e Bolívia. 

O termo "Peabiru" significa "caminho gramado amassado" em tupi-guarani e descreve um caminho construído por povos nativos para fins diversos, incluindo comércio, migração e rituais espirituais. 

Os trechos percorridos (cerca de 4 mil km) cruzaram estados brasileiros, dentre os quais o hoje Mato Grosso do Sul, passando por Corumbá, Aquidauana, Campo Grande e Três Lagoas.