FOCO DE INCÊNDIO PRÓXIMO À FRONTEIRA COLOCA PANTANAL EM ALERTA
31 JUL 2025 • Por SILVIO DE ANDRADE • 09h36Enquanto o Rio Paraguai dá sinais de vazão na régua de Ladário - ponto referencial para medir a dinâmica hídrica da bacia -, um foco de queimada na Bolívia detectado na terça-feira à noite, próximo à fronteira com Corumbá, na Serra do Amolar, colocou em alerta as autoridades, órgãos de combate aos incêndios no Pantanal e organizações não-governamentais.
A linha do fogo, numa extensão de cinco quilômetros, foi registrada pelo sistema Pantera, uma plataforma de monitoramento instalada pela Ong Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que identifica sinais de fumaça e opera com o uso de inteligência artificial cobrindo a região toda o Amolar. Estimou-se que o foco estava a cerca de 15 quilômetros da fronteira.
Embora novas imagens da antena tenham apresentado uma redução das chamas até o final do dia de ontem, 30, o registro é um indicativo de que o período de queimadas está se aproximando na região, onde o fogo foi intenso no ano passado, devastando milhares de hectares em áreas de conservação ambiental e propriedades privadas, em Corumbá.
Mais água, menos fogo
O IHP divulgou que uma das possibilidades que motivou a redução desse fogo do lado boliviano seria a barreira de uma área alagada, que fica entre a Lagoa Mandioré e a região de floresta que estava sendo atingida. Como medida de prevenção, a Ong, que tem sede em Corumbá, comunicou o fato ao Prevfogo (Ibama) e instituições bolivianas.
Este ano, a Serra do Amolar, uma das regiões mais belas e preservadas do bioma, distante 200 km ao Norte da Capital do Pantanal, deverá ser menos impactada com as queimadas. O aumento do volume de água na planície, em relação aos anos anteriores, com formação de extensas áreas inundadas, deverá ser uma barreira de proteção à propagação do fogo.
“Eu sigo otimista, acho que ainda tem muita água mesmo com a vazão, e lógico, fatores climáticos”, analisa Ângelo Rabelo, presidente do IHP. “Alta temperatura e baixa umidade podem contribuir, mas quero crer, pelo encharcamento de muitas áreas, certamente nos mostra que se tiver focos de queimadas vai ser muito localizado e pontual.”
Combate aéreo
Os pantaneiros do entorno da serra também têm a mesma avaliação, apontando como diferencial em relação aos anos anteriores o fato de ainda haver muita água acumulada, apesar de os rios estarem baixando. “Vai depender muito das ventanias, vento sul, frio, seca e vento norte forte trazendo bruma seca”, aponta Armando Lacerda, do Porto São Pedro.
Na régua de Ladário, depois de atingir 3,31m e se manter 17 dias estacionado em 3,30m – um fato raro na medição fluviométrica centenária da bacia -, o Rio Paraguai entrou em vazão e nesta quinta-feira registrou 3,29m. A Nhecolândia, região de influência dessa régua, pegou menos chuvas do que a parte alta (Amolar) e a seca já se acentua, com riscos iminentes a ignição espontânea ou criminosa.
“Com a chegada desse frio e vento, a vazão será mais rápida, situação que preocupa”, informa Luciano Leite, ex-presidente do Sindicato Rural Corumbá.
O que também deixa os pantaneiros apreensivos é a não construção das pistas asfaltadas para tornar mais eficiente o combate aéreo ao fogo. O Governo do Estado deu ordem de execução das bases na Nhecolândia e no Amolar, com abastecimento de água e combustível para os aviões Air Tractor. porém, a prefeitura de Corumbá ainda não liberou as licenças ambientais.