OUTRA REALIDADE

EM MATO GROSSO, TRANSPANTANEIRA GANHA PONTES DE CONCRETO

22 JUL 2025 • Por SILVIO DE ANDRADE/Redação • 09h12

Enquanto a maioria das pontes de acesso ao Pantanal de Mato Grosso do Sul ainda é de madeira, com destruição de muitas pelo fogo, em Mato Grosso o governo local já substituiu 46 destas estruturas por travessias de concreto na chamada Transpantaneira (MT-060), em Poconé. A meta é substituir todas as de madeiras.

Na rodovia similar à Transpantaneira, em Corumbá, a Estrada Parque (MS-184 e MS-228), as mais de 70 pontes são de madeira e algumas delas foram queimadas ao longo dos grandes incêndios na região, principalmente entre os anos de 2020 e 2024, e ainda não foram recuperadas. O acesso é feito por desvios precários.

Além do turismo de pesca e ecológico que potencializam a Estrada Parque - uma unidade de conservação criada em 1993 pelo então governador Pedro Pedrossian, na subregião da Nhecolândia -, a antiga estrada boiadeira é essencial para o escoamento da produção pantaneira. O maior leilão de bovinos do Estado ocorre na região.

Em 2012, o governador André Puccinelli inaugurou uma ponte de concreto sobre o Rio Miranda, no Passo da Lontra. A obra trouxe mais problemas do que soluções. A estrutura desproporcional para as necessidades do tráfego, com um grande vão central, foi projetada para atender às grandes embarcações de pesca de Corumbá. Os empresários locais que operam com ecoturismo tiveram que se opor a essa “invasão”.

Todas de concreto

Já em Mato Grosso, a secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) assinou recentemente a ordem de serviço para o início das obras de construção de sete novas pontes de concreto na rodovia MT-060, conhecida como Transpantaneira, no município de Poconé.

Extensa ponte de madeira destruída pelos incêndios de 2020 na Estrada Parque de Corumbá

As novas pontes têm extensões variadas entre 47 e 71 metros e foram contratadas pela Sinfra por R$ 29,4 milhões. As estruturas estão distribuídas em mais de 60 quilômetros da Estrada Parque, atravessando os vários cursos d’água que cortam o Pantanal mato-grossense.

Segundo o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, o governo de Mato Grosso trabalha com o objetivo de substituir todas as pontes de madeira da Transpantaneira. 

“As obras de substituição e pontes na Transpantaneira têm que ser feitas sempre no período da seca, quando é possível desviar o curso da estrada”, ele explica.

Desde o início de 2019, a Sinfra já eliminou 46 estruturas de madeira da rodovia. Deste total, 32 pontes foram substituídas por aduelas de concreto, estruturas que permitem a passagem de cursos menores de águas, com até 20 metros de extensão. 

Ganho ambiental

Também foram construídas e entregues 14 novas pontes de concreto na MT-060. Entre elas, está a ponte sobre o Rio Figueira que, com 120 metros de extensão, é a maior estrutura de concreto de toda a estrada.

“A construção de pontes de concreto significa uma economia para os cofres públicos. As pontes de madeira precisam ser reformadas todos os anos para aguentar as condições climáticas do Pantanal. Já as pontes de concreto serão um legado para o turismo e para a população dessa região”, explica o secretário.

Além disso, o trabalho para encabeçamento das pontes também trouxe um ganho ambiental. Segundo foi explicado pelo gerente da Estrada Parque Transpantaneira, Paulo Abranches, este trabalho serviu para aumentar a água reservada, o que beneficia os animais pantaneiros. Ele também destacou que o nivelamento das pontes aumenta a visibilidade para os automóveis e reduz acidentes.

A Sinfra ainda vai licitar mais 34 pontes de concreto para acabar com todas as pontes de madeira.