sábado, 23 de janeiro de 2021

Pela preservação dos estoques pesqueiros

24 OUT 2019 - 08h37Por REVISTA PESCA & COMPANHIA

O incentivo ao hábito de pescar e soltar tem uma relação íntima com os 25 anos da Pesca & Companhia. A linha editorial visionária deste veículo pioneiro já considerava que o aumento exponencial de praticantes de pesca iria comprometer em pouco tempo o estoque pesqueiro. Este futuro chegou. Em pleno Século XXI, o mundo já sabe que a pesca deixou de ser apenas um meio para garantir uma fonte de alimento. Está inserida no conceito de uma palavra cada vez mais presente no vocabulário moderno: sustentabilidade.

Pescar e soltar é um ato que tem a própria sustentabilidade em sua definição. Preservar o peixe garante o desenvolvimento capaz de satisfazer as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades. Não há dúvida que a pesca tem uma pujante cadeia produtiva que emprega centenas de milhares de pessoas e promove inclusão social e renda nos mais longínquos rincões do Brasil.

A prova disso é o evento organizado pela Pesca & Companhia há mais de uma década e que demonstra a profissionalização que a sustentabilidade exige. Todos os anos o Pesca & Companhia Trade Show reúne a cadeia produtiva completa do segmento, que envolve os fabricantes de todos os equipamentos, do vestuário especializado e do turismo da pesca. Pessoas do Brasil inteiro e de outros países vem em busca de informação e de novidades. O evento entrou no calendário das principais feiras de todo o mundo de acordo com a revista inglesa Angling International. Nada disso faria sentido sem o peixe vivo.

Preservar a vida do peixe garante, portanto, a promoção de empregos e de oportunidades de negócio. O turismo da pesca é um produto valioso que deve estar na vitrine de todo local que possa promovê-lo. No Brasil, o turismo representou quase 10% do PIB em 2018 de acordo com o Ministério do Turismo. Não restam dúvidas que a pesca tem condições de aumentar os rendimentos, atraindo não só os brasileiros, mas os milhões de estrangeiros que amam esta atividade.

Por isso, torna-se razoável a decisão de estados e de municípios de proibir o transporte e a comercialização do pescado para amadores. Isto também inclui políticas públicas de fiscalização rígida do extrativismo dos pescadores profissionais. O discurso explícito em reportagens de veículos especializados tem sido reproduzido por quem pode transformar a preservação em lei. No caso de uma pescaria, o consumo restrito ao local de origem da captura vai assegurar um limite de impacto ambiental quase nulo.

O incentivo à aquicultura (a produção de pescado em ambiente controlado) por parte do Governo Federal é o caminho mais assertivo para assegurar o acesso ao consumo de peixe aos mais de 200 milhões de brasileiros. Este é o meio que também garante um ambiente harmônico com o da cadeia produtiva da pesca esportiva.

(*) Editorial da Revista Pesca & Companhia, publicado em 17 de outubro de 2019

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