segunda, 20 de setembro de 2021

O desafio das mulheres na nova economia do turismo

17 AGO 2021 - 16h27Por ANA CLÉVIA GUERREIRO

As mulheres constituem a maioria da população brasileira e tem uma participação massiva no turismo. Mesmo sem dados oficiais sobre a participação feminina no setor turístico brasileiro é possível afirmar que elas são a maioria, apesar de não ter uma representatividade proporcional nos cargos de liderança. Os desafios que as mulheres enfrentam nas atividades econômicas tradicionais também são vivenciados na sua atuação nos diversos negócios do turismo.

A participação das mulheres na economia

No Brasil 16,9% das mulheres tem ensino superior completo, enquanto os homens respondem por 13,5% do mesmo nível de escolaridade, segundo os dados de 2016 do IBGE. No entanto, quando analisamos o indicador “renda média” constatamos que apenas em 2014 as mulheres ultrapassaram o patamar de 70% da renda média dos homens (IBGE, 2019). Conclui-se que mesmo tendo melhor formação educacional isto não lhes assegurou a mesma remuneração que os homens.

O impacto da tecnologia no turismo

O turismo foi uma das primeiras atividades econômicas a ser fortemente impactada com o avanço da tecnologia. No cenário de pandemia foi uma das atividades mais afetadas e o retorno das atividades pressupõe não só a correta prática das medidas sanitárias, mas a adoção massiva pelos diversos negócios que compõem o turismo de novas tecnologias. Estamos falando do uso de apps para agilizar processos antes feitos presencialmente, realidade virtual ou aumentada para oferecer experiências aos potenciais clientes/turistas antes mesmo do seu deslocamento, além de uma presença nas redes sociais como um meio de posicionamento da marca e uso dos múltiplos canais de vendas.

O papel das mulheres na atual revolução tecnológica

Elas têm papel fundamental. Não só porque são maioria, mas porque têm atuado em prol da sua formação educacional e do seu desenvolvimento profissional, estão abertas a viver novas experiências e buscam empoderar-se impulsionadas por uma discussão mundial que ganhou ainda mais espaço com a pandemia sobre a relevância de uma sociedade que lhes dê mais oportunidades.

As mulheres contribuem com 37% do produto interno bruto (PIB) mundial, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Este resultado é positivo, apesar das diferenças salariais existentes.  Há um pensamento comum que a tecnologia, atividade que mundialmente poucas mulheres lideram ou atuam, e empreendedorismo são importantes caminhos para a igualdade (garantir que todas as pessoas tenham acesso as mesmas oportunidades) e equidade (reconhecer que há diferentes realidades e, por isso, as pessoas precisam de suporte diferenciado para o alcance do equilíbrio).

Na área de tecnologia conectada com o turismo temos 2 importantes exemplos brasileiros: a Sisterwave, plataforma digital criada pela sua CEO Jussara Pellicano que foi uma das 25 premiadas pela agência da ONU, na categoria igualdade de gênero, pela contribuição ao turismo sustentável e responsável. Outro exemplo é a Smart Tour Brasil que tem como CEO a Jucelha Carvalho e é a única startup brasileira a compor o ranking das TOP 100 Tourism Startups da Organização Mundial do Turismo (OMT).

Dois excelentes exemplos inspiracionais para as mulheres que atuam no turismo e em tecnologia. Um importante ponto de partida para uma jornada extremamente desafiadora e cheia de percalços. Mas, sabemos da existência de várias outras mulheres, que abraçam a tecnologia para construção de um mundo melhor.

No turismo, há diversas oportunidades para usar a tecnologia para aprimorar a experiência do turista, gerar renda e emprego nos destinos remotos, melhorar a qualidade de vida dos moradores locais e, principalmente, compartilhar conhecimento e empoderar mulheres que atuam no setor.

Precisamos estar juntas dialogando para que o futuro do turismo não seja apenas a consagração da tecnologia, mas de uma sociedade que ofereça mais oportunidades, onde igualdade e equidade nos rendam inúmeros bons exemplos para compartilhamos e nos inspirarmos.

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