sexta, 19 de julho de 2024
ARTIGO

Global players ou lei da selva nos pantaneiros?

23 JUN 2024 - 10h04Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

Adjetivar o pantanal de florestal, causa séria distopia, pois ou se é florestal ou se é pantanal, no Pantanal por ser o bioma dos biomas, tem de tudo, mas sem predominância florestal nas áreas úmidas ou secas, absurdo introduzido por arrogância importada em reservas compradas, tinham fé cega que tirar o boi, criava florestas.

Como a sabedoria local afirma que é impossível chegar a qualquer objetivo racional se o local de partida é um sofisma, a quem já sai perdido, impossível achar mesmo algum destino utópico.

O Pantanal segue sendo saqueado; expoliadores disfarçados de investidores ambientais buscam adquirir áreas até aqui submersas, de trabalhosa  reativação para  pecuária , feito quase  impossível depois  de décadas de inundações...

Portanto, desvalorizadas como terras pastais e lavradias, circunstância escritural  de  venda que configuraria legalmente transferência involuntária da propriedade, se o adquirente ocultar do vendedor outras qualidades que já quantificou antecipadamente...

Quando conhecidas quaisquer monetizações  que não sejam  terras pastais e lavradias para investimentos em  pecuária tão necessária ao Pantanal, ocorrendo   reservas  higienistas e esterilizadas, em detrimento das  populações e atividades sustentáveis do Pantanal; descartando exorcismos, seria caso de  inquérito  visando  apurar se os  vendedores não teriam sido vítimas de estelionato premeditado. 

A desumanização trazida nesta nova temporada  trágica de incêndios em terras  recém adquiridas para serem "áreas protegidas" , além da monetização imediata aos  detentores de espúrias informações privilegiadas, não podendo se descartar até a  possibilidade de  dolorosas  oferendas sacrificiais em rituais pagãos, incinerando à vista de todos, a diabólica manutenção da  ganância e do poder, no altar inocente da flora e fauna do Pantanal.

Os eventos denominados Pontes Pantaneiras, em boa hora chegaram ao Pantanal,  a partir da University College, alicerçada no filósofo utilitarista  Bentham, conectando pantaneiros legítimos  a pesquisadores científicos e academia,  cumprindo  o óbvio conceito de seu fundador: -Uma  ação só poderia ser considerada boa ou correta se proporcionasse mais felicidade do que dor.

Importante lembrarmos que, na guerra dos coureiros contrabandistas, os pantaneiros captaram integral atenção do Governador Wilson Martins, Secretário Aleixo Paraguassu, Coronel Adib Massad , Coronel Jofeli Carvalho, Dr Artur da Polícia Federal, demanda que culminou com a Operação Pantanal e a  estratégica criação unânime da Polícia Militar Florestal, depois  Polícia Militar Ambiental com o objetivo de proporcionar  a paz e a segurança turbadas por atos ilícitos que, periodicamente, tentam ocupar estas Faixas de Fronteira.

Outra preocupação são os abusos  cometidos  por  fiscalizações municipais, embriagadas por verdadeiro  desvario de lavrar  milhões  em multas do Imposto Territorial Rural, agora realocados  novamente para a Receita Federal, rogamos aos representantes políticos para que  se atualizem pelo menos na planície pantaneira, os arcaicos  conceitos de terra nua como improdutividade especulativa, legalmente isentas quando reconhecidas   como AUR, Área de Uso Restrito do Pantanal,.

A falta de conhecimento destas  especificidades do bioma, poderiam até  incentivar desmate e cultivo para atingirem  produtividade irreal, discurso esquizofrênico e ações  deletérias, restando suspeição de direcionamento a propriedades situadas  em áreas destinadas à formação de exóticos latifúndios ambientais

Toda esta crise  do Pantanal leva-nos também a desconfiar de que existem muitos interessados na manutenção deste apocalíptico incêndio florestal,  oportunidade para lacradores obterem seu quinhão de sinalização de virtudes ambientais e os espoliadores  conseguirem replicar  no Pantanal sua amoral  lei da selva, onde nos enfraquecidos por cataclismas climáticos, triunfa o quem pode mais, chora menos...

Parecem ignorar o óbvio, que o desejo de conhecer dos segredos que tornaram  o modelo de pecuária pantaneira  tão sustentável, tratar-se  de algo maior e mais importante que simples curiosidade, as mudanças climáticas já os transformaram  numa urgente e prioritária necessidade  de quaisquer agendas globais futuras.
 

*Pantaneiro do Porto São Pedro, Serra do Amolar, Corumbá (MS)

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